Capítulo 28
“Pode sentar comigo”, eu viro na direção da voz. O Seth estava numa mesa sozinho. Ele tava de terno e tinha um café na frente dele.
Eu olhei para o Bennett pra confirmar e ele assentiu, “É, todos nós somos advogados, não somos?” Eu realmente esperava que ele dissesse não, mas ele fez o oposto e começou a andar em direção ao Seth.
“Como vai, Sr. Parker?” Bennett pergunta pro Seth. O Seth olhou pra mim e sorriu, “Bem agora que eu vejo essa beleza aqui.”
Eu revirei os olhos e fui pra mesa.
“Vocês se conhecem?” Bennett perguntou enquanto sentava na frente do Seth, me deixando com o lugar ao lado dele. Eu sentei na cadeira, mas tentei evitar contato visual direto com ele.
O Seth olhou pro Bennett e sorriu, “Sim, a Kari e eu somos do tempo do colégio. Fundamental pra ser exato, e depois ensino médio.”
“Oh, que bom.”
Eu balancei a cabeça, “Bennett, como você conheceu o Seth?” Eu perguntei querendo mudar de assunto.
“Ah, sei lá. No tribunal, recentemente. Ele era o promotor num dos meus clientes.”
“Eu ganhei o caso.” Seth disse orgulhoso, o que me fez olhar pra ele.
Eu tomei um gole do meu café e depois me virei pro Seth, “Bem, Sr. Parker, não é porque você ganhou do Bennett que vai ganhar de mim.”
Os olhos do Bennett se arregalaram, “Vocês estão num caso?”
“Sim,” nós dissemos simultaneamente.
“Ele é o promotor no meu caso, o que o torna o inimigo.”
Bennett ri e balança a cabeça. “Você segue essas coisas. Deixa eu te dizer, crianças, eu sou advogado há mais de 15 anos e alguns dos meus melhores amigos são promotores. Eu não mexo com o trabalho deles, eles não mexem com o meu. Você não precisa ser inimigo só porque está em lados diferentes, você só precisa saber como se controlar.”
O Seth assente, concordando com a declaração do Bennett. “Eu falo isso pra ela, ela não escuta. Teimosa, é o que ela é.” Ele concorda com um sorriso. Logo depois, eu senti as mãos dele na minha coxa.
Eu dei uma olhada pra ele, mas ele continuou sorrindo pro Bennett. “Sr. Graham, a melhor amiga dela está com o meu melhor amigo e primo, mas tudo o que ela faz é brigar comigo como uma praga.”
Eu revirei os olhos. Eu não briguei com ele como uma praga.
Eu não briguei com ele de jeito nenhum.
Meu corpo cedeu aos desejos dele assim que ele me tocou.
Eu não podia lutar contra ele.
“Tudo o que eu quero é ser amigo dela, mas ela torna isso tão difícil.” Eu revirei os olhos pras palavras dele. Eu não queria o joguinho dele, mas não estava funcionando comigo.
Se tudo o que ele queria era ser meu amigo, então ele não teria transado comigo.
Eu sei, e até o mundo sabe que o Seth só queria a mesma coisa de mim que eu queria dele, e isso era Sexo.
Só Sexo.
“Íris!” eu grito. “Por favor, para. Era pra ser uma noite das meninas.” Eu revirei os olhos pra ela e cobri meus ouvidos com a almofada, mas ainda conseguia ouvir as coisas.
Ela joga uma pipoca em mim, “Você não pode ter uma noite das meninas sem falar de meninos.”
Eu rio e balanço a cabeça, “O Seth é a última coisa que deveríamos estar falando agora.”
“Não!” ela gritou e pegou a almofada de mim, “Eu quero saber o que está rolando entre vocês dois. Alguma coisa aconteceu de novo. Eu sinto.” Íris segurava o controle remoto nas mãos e pausou o filme. Estávamos com uns vinte e poucos minutos do filme 'Forrest Gump'.
Eu balancei a cabeça negando a afirmação dela, “Não aconteceu nada, então pode, por favor, continuar o filme.” Eu disse apontando pra TV.
“Não, a gente já assistiu Forrest Gump um milhão de vezes, pode esperar.” Ela levantou a bunda e colocou o controle remoto embaixo dela, depois olhou pra mim sorrindo. “Agora, me conta. O que aconteceu com você e o Seth na noite da festa?”
Eu olhei pra ela sorrindo. “Você armou isso, não armou. Me deixando lá com ele.”
“Claro que sim. O cara é perfeito pra você,” ela conclui. “O Seth é um cara legal e você merece um cara legal.”
Eu dei de ombros, “Eu não estou procurando um relacionamento.”
“Então o que você está procurando?”
Ah, Íris. Se fosse tão fácil.
“Nada. Eu não estou procurando nada.” Eu não estava pronta pra um relacionamento sério.
Eu não estava pronta pra entregar meu coração.
“O Seth é perfeito pra você,” ela repetiu.
“Íris, você está esquecendo uma coisa.” Eu apontei, “Ele é o inimigo. Eu não posso ter nenhum relacionamento com um promotor, nós sempre vamos acabar no tribunal em lados opostos.” Não era um risco que eu podia correr. Eu acabei de virar sócia de um dos maiores escritórios de advocacia de Nova York e não ia estragar tudo por causa de um cara. Eu trabalhei muito pra isso.
“Você voltou com isso.” Íris curvou os lábios.
“Sim, isso sempre vai atrapalhar e é por isso que eu não posso ficar com o Seth.”
“Mas você pode transar com o Seth?” ela provocou, o que me fez revirar os olhos.
“Eu transei com ele duas vezes,”
Íris ergueu as sobrancelhas, “Então, não é mais uma vez.” Eu me dei um tapa mental. Eu não queria contar pra ela sobre a última vez. Não era pra ter acontecido.
“Íris! Você pode voltar o filme, por favor?” Eu não queria falar sobre meu relacionamento sexual com o Seth.
“Kari!” ela zombou. “Vocês transaram naquela noite, não transaram.”
Eu suspiro, ela não ia desistir. “Sim, transamos. Está feliz?”
Íris ri, “Feliz por você estar pegando, mas não feliz por você não querer um relacionamento com o cara.” Eu sabia que era do interesse dela me ver num relacionamento feliz como o dela, então eu dei um tempo pra ela.
“Íris, não vamos falar sobre isso. Por favor.”
Íris suspira, “Ok. Eu paro.” Ela alcançou o controle remoto embaixo da bunda e apertou o play, mas parou de novo. Ela se virou pra me olhar, “Ele é um cara legal. Não quebre o coração dele.”