Capítulo 13
“Tyler, o que você tá fazendo aqui?” Eu perguntei depois que o choque passou um pouco. Eu não esperava nunca ver o Tyler num lugar desses. “Como você sabia que eu tava aqui em cima?”
“Eu vi a sua amiga Victoria antes dela ir embora. Ela me disse que você tava vindo pra cá.” Ele sentou na cadeira na minha frente e olhou em volta. “Então, essa é a biblioteca.”
Eu não fiquei surpresa que ele nunca tinha vindo aqui antes. “Sim, Tyler, essa é a biblioteca.” Eu provoquei, gesticulando ao meu redor com as minhas mãos. “É aqui que os livros ficam e também onde você faz suas pesquisas.”
“Você tá tirando sarro de mim, Samuels?” Tyler perguntou, com um sorriso no rosto.
Eu dei pra ele uma olhada inocente. “Não.” Eu peguei o livro que eu tava lendo e coloquei um marcador de página dentro antes de fechar. “Agora, como eu posso te ajudar?”
Tyler balançou a cabeça antes de apoiar as mãos na mesa. “Eu preciso de um favor.”
Eu olhei pra ele, levantando as sobrancelhas curiosa. “O que você poderia precisar agora?” Eu perguntei, não tendo certeza se eu ia gostar da resposta.
“Eu preciso de ajuda com a minha lição de casa de matemática. A Srta. Delendo diz que se eu não for bem nessa lição, eu vou ter que vir nas férias de Natal pra ter aulas extras. Eu não tô muito afim disso, porque eu tenho coisas melhores pra fazer com o meu tempo.” Ele falou.
Eu olhei pra ele confusa. Quem diabos era Srta. Delendo? Assim que eu me fiz essa pergunta, caiu a ficha. “Você tá se referindo à Srta. Delendo?” Eu perguntei.
“Sim, sim, ela.” Ele respondeu e eu balancei a cabeça. A maioria dos estudantes da escola chamam ela assim pelas costas. Isso porque quando o nome dela é pronunciado, soa muito parecido com 'dildo' e assim que os estudantes perceberam a maldade por trás do nome dela, eles começaram a usar. “Como você sabe que eu sou bom em matemática?”
“Porque você tá na aula de matemática avançada.” Ele falou com uma voz que dizia ‘claramente, essa é a resposta óbvia’.
“E isso não podia esperar até amanhã, porque…?” Eu perguntei, esperando que ele esperasse até lá, pra eu poder voltar pro meu livro.
“Eu quero me livrar disso, pra eu poder ter o fim de semana pra mim.” Ele respondeu.
Eu suspirei. “Ok, então. Deixa eu ver a lição de casa.”
Tyler levantou da cadeira. Alguns segundos depois ele voltou com um livro na mão. Ele abriu o livro numa página e colocou na minha frente.
Eu dei uma olhada na lição de casa, antes de olhar de volta pra ele. “É com isso que você tá tendo problemas?” Eu perguntei, chocada com o problema de matemática simples.
Ele sorriu sem graça. “Eu sou muito ruim em matemática.”
“Você quer dizer que você não vai às aulas.” Eu dei uma olhada pra ele. Eu aproximei o livro de mim e olhei pros problemas de novo. “Então, o que você entende?”
“Nada.” Eu olhei pra ele, então ele adicionou. “Eu mato as aulas dela. Matemática simplesmente não faz sentido pra mim.” Ele respondeu.
Eu revirei os olhos. “Você é um bad boy.”
“Ei! Eu sou bom em outras matérias. Matemática é a única que eu tenho problemas.” Ele se defendeu.
“E quais matérias são essas?” Eu perguntei curiosa.
“Química, física, biologia e inglês, às vezes.” Ele respondeu.
“Aham.” Eu falei, não acreditando nele. Não tem como um garoto como ele ser bom em química e biologia.
Eu peguei um papel e comecei a ajudar o Tyler com os problemas. Eu sabia todas as fórmulas pra soluções matemáticas de cor, então eu escrevi as dos problemas no papel, pra ajudar ele a resolver os problemas.
Ajudar o Tyler com os problemas de matemática simples seria fácil, se ele não estivesse no celular a maior parte do tempo.
“Você tá ouvindo alguma coisa que eu tô dizendo?” Eu perguntei, depois que o celular dele tocou pela quinta vez e ele pegou.
“Claro.” Ele respondeu, sem tirar os olhos do celular.
“Bem, você se importaria de largar o celular? Eu achei que você precisava da minha ajuda.” Eu respondi, olhando pra ele enquanto ele digitava. “O que você tá fazendo aí, que é tão importante?” Eu perguntei.
Ele finalmente olhou pra mim e sorriu. “Tô sextando.”
“Sério? Eu tô tentando te ajudar e você tá ocupado aí fazendo a sua própria coisa?” Eu perguntei, cruzando os braços na mesa.
“Eu sou um cara. Eu não podia simplesmente ignorar as mensagens.” Ele falou, sorrindo.
“Você é inacreditável!” Eu falei, então meus olhos arregalaram quando uma ideia me atingiu. “Espera aí, você não tá mandando mensagem pra uma garota dessa escola, tá?”
“Claro que não. Eu não sou burro. Ela vai pra uma escola diferente da nossa.” Ele respondeu. Então, mexendo as sobrancelhas, ele adicionou. “Eu encontrei ela numa festa ontem à noite.”
“Eu não tô nem aí onde você encontrou ela, Tyler, contanto que ela não vá pra nossa escola. Eu não quero perder minha reputação nessa escola se as pessoas descobrirem que a gente tá fingindo namorar.” Eu respondi, sentando de volta na minha cadeira. “Agora, se você não se importa, eu vou voltar pro meu livro.”
“Espera, você não vai me ajudar de novo?” Tyler perguntou.
“Eu já te falei tudo o que você precisa saber. Você tá por conta própria agora, cara. Tudo o que você precisa fazer agora é seguir a fórmula e resolver os problemas.” Eu peguei o livro da mesa e continuei lendo.
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A minha madrasta e eu nos divertimos muito fazendo compras. Ela falou comigo e eu falei com ela e, surpreendentemente, não foi estranho. Eu queria ter feito isso há muito tempo. Ela me ajudou a escolher uma fantasia pro Halloween e mais algumas roupas e, quando terminamos, eu estava cansada e com fome.
A Sarah decidiu que a gente ia comer alguma coisa na praça de alimentação do shopping. Então agora a gente tava dividindo uma mesa com hambúrgueres e batatas fritas na nossa frente.