CAPÍTULO 14
"Você realmente tem uns funcionários legais. Seu assistente lá fora botou as mãos em mim e murmurou algo muito desagradável."
"QUÊ!!!"
"Ele me agarrou pelo ombro pra me impedir de entrar. Eu expliquei que sou sua noiva e que Jevan é seu filho e que somos bem-vindos aqui sempre que quisermos. Ele murmurou que não precisa ser tão cuzona."
Evan saiu pela porta.
"Você está demitido", ouvi ele dizer pro assistente.
Ele voltou pro escritório dele, e puxou uma cadeira pra trás da mesa, mais perto da dele. Ele sentou com Jevan no colo e eu sentei do lado deles.
"Você parece preocupada."
"Evan, meu pai apareceu no PH."
Os olhos de Evan ficaram meio escuros e as sobrancelhas franziram. Eu tinha contado pra ele sobre meu pai ter abandonado minha família desde que Zénia e eu éramos crianças.
POV da Zénia
Eu tava fervendo de raiva e beber três garrafas de água não foi suficiente pra me acalmar.
Que nervos o meu pai patético tem!
Aparecendo depois de todos esses anos como se não tivesse feito nada de errado!
Pedindo perdão?
Perdão o caralho!!
Meu celular começou a tocar com mensagens de texto. Mensagens da Jasmine e da Ashley.
A Jasmine tava dando um oi e a Ashley avisou que não tava se sentindo bem hoje, então não viria.
Eu tava ansiosa pra ter alguém pra desabafar, mas mais uma vez, tava sozinha.
Liguei o computador e comecei a ver vídeos engraçados no YouTube. Algo pra melhorar meu humor.
A campainha acima da porta tocou, indicando que alguém tinha entrado. Meus olhos mudaram do computador pra porta.
"Bom dia, querida."
"Oi, EJ?"
"Bem, essa é maneira de cumprimentar seu futuro marido?"
"EJ, eu realmente não tenho tempo pra isso. O que você tá fazendo aqui?"
"Não passei tempo com você ultimamente, então tô só dando um toque, Zénia."
Eu suspirei fundo, fechei o computador e dei um sorriso pra ele.
"Me desculpa se eu fui grossa. Já tô tendo um dia ruim", eu disse pra ele, enquanto alisava o cabelo com as mãos.
"Quer falar sobre isso? Sabe que tô sempre aqui pra você, Zen."
"É, eu sei... Mas..."
"Sem mas", ele me cortou e veio até mim e me puxou gentilmente pros braços dele, que era a coisa favorita dele.
Eu fiz bico.
"Ei." A voz suave dele me deu um arrepio na espinha enquanto ele me segurava e olhava nos meus olhos. "Por que você não fecha a loja por hoje, vamos pegar uma porcaria e ir pro parque e relaxar?"
Eu hesitei.
"Por favor, Zen", ele implorou quando eu não respondi à proposta dele.
"Ok, tudo bem!" Eu finalmente cedi depois que ele continuou pedindo sem parar.
Ele me ajudou a fechar a boutique, então entramos no carro dele e fomos pra um KFC.
_______
"O que você quer comer?" ele perguntou quando chegamos perto da janela do drive-thru.
"Hum... batatas fritas, milho, frango popcorn e uma sobremesa."
Eu precisava manter meu peso.
Depois que ele comprou tudo o que eu pedi e um balde extra (só por via das dúvidas, se a fome bater de novo), fomos pra um parque.
Era um dia lindo. O vento estava soprando pelas árvores e a atmosfera de verão estava dando vida a tudo ao nosso redor.
EJ e eu sentamos na grama. Ele estendeu uma coberta, colocou um pequeno cooler de bebidas por perto e tirou um baralho de cartas.
"Então você já tava planejando isso?" Eu perguntei com um sorriso lisonjeado no rosto.
"É. Mais ou menos."
Começamos a jogar ‘Peixe'.
"Por que você tava tão pra baixo quando eu cheguei?" ele perguntou.
Eu tava pensando se contava a verdade ou se inventava alguma coisa.
"Meu pai apareceu." Eu decidi contar a verdade. Éramos amigos e eu não queria mentir pra ele como eu tinha mentido sobre meus sentimentos por ele.
"Ah. E isso é ruim porque?" ele perguntou, sem ideia do que meu pai tinha feito com minha família.
"Porque ele não tava lá, EJ. Eu nunca o conheci. Ele simplesmente sumiu e abandonou a Jasmine e eu quando éramos crianças. A mãe teve uma barra pesada e foi muito difícil sustentar eu e minha irmã, enquanto meu pai não tava em lugar nenhum. Vivendo a vida feliz e alegre em outro lugar.
Agora ele voltou. Ele voltou quando somos mulheres crescidas. Pedindo outra chance. Acho que não."
EJ olhou pra mim enquanto ouvia cada palavra. As rugas na testa e a expressão no rosto dele mostraram sua preocupação e pena.
"Isso é muito fodido, Zen, mas é um peso que você não deveria carregar. Você precisa perdoar seu pai."
Eu queria pegar o cooler de bebidas e bater na cabeça dele com ele.
"Perdoar ele? Como eu vou perdoar ele?" Eu perguntei, gritando.
"Eu não tô dizendo que vai ser fácil, mas, pra sua própria felicidade e conforto, você e a Jasmine precisam perdoar seu pai.
O que ele fez foi muito terrível, mas isso ficou no passado. Eu acredito que tudo acontece por uma razão. Talvez ele não devesse estar lá."