CAPÍTULO 12
CAPÍTULO DOZE – AJUDA MATRILINEAR!?
Bitaqir voltou pros aposentos dela super preocupada com a desgraça que o povo dela ia encarar se perdessem essa guerra, e com o fato de que era bem provável perderem, e ainda tinha um infiltrado, o que não tava nada bom. Sei lá por quê, mas ela tava com a sensação de que tava faltando alguma coisa.
"Majestade, o que tá pegando de verdade?" Nigar perguntou pela enésima vez desde que Bitaqir tinha voltado pros aposentos dela e tava andando de um lado pro outro na varanda, parecendo mega estressada faz um tempão.
"Nada", Bitaqir respondeu, meio brava, mas a Nigar ignorou o tom dela e só olhou pra ela com uns olhos que tavam quase furando, e a Bitaqir sentiu o calor.
"Eu sei que eu não sou qualificada pra questionar ou dizer o que a senhora tem que fazer, mas eu queria sugerir que a senhora conversasse com sua mãe, ou com o Príncipe Selim, ou com o Ibrahim Paxá, se for alguma coisa..." Nigar arrastou as palavras, torcendo pra Rainha considerar.
"Nigar!!!" Bitaqir exclamou, com os olhos brilhando de esperança nova. "Você é brilhante!! Como eu não pensei nisso antes?" Bitaqir elogiou, depois que parou de andar de um lado pro outro, e os olhos dela tavam brilhando de esperança.
Ao mencionar a mãe dela, a Bitaqir lembrou que a mãe dela é filha da prima, ou melhor, parente distante do atual rei de Bradmore, que tinha se casado com um dos Pashas do conselho real de Bradmore.
A Valide Aisha acabou virando Rainha de Azbedran quando salvou o rei falecido de uma tentativa de assassinato enquanto ele tava caçando, ela se machucou feio e o rei levou ela pro palácio e cuidou dela. A próxima coisa que o povo soube foi que o rei tinha se casado pela quarta vez.
O Rei Bial de Bradmore podia se recusar a ajudar um país vizinho, mas sempre ia proteger uma filha que nasceu e foi criada na terra deles, a própria sobrinha dele, mesmo sendo parente distante, ainda contava. Finalmente soltando um suspiro de alívio, a Bitaqir relaxou os ombros, como se tivesse achado a peça que tava faltando no quebra-cabeça.
"Tá!" Nigar respondeu, sem ter certeza do que tava rolando.
"Eu vou visitar minha mãe de manhã, boa noite, Nigar", Bitaqir disse, enquanto se jogava na cama, sentindo o peso do cansaço finalmente quebrar da mente dela, e ela dormiu rapidinho.
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"Majestade!" Nigar chamou a atenção da Bitaqir.
"Sim", Bitaqir respondeu, só dando uma olhadinha pra ela.
"Eu soube que o harém foi esvaziado escondido ontem à noite, tá tudo bem?" Nigar perguntou, com a preocupação na voz dela.
"Eu nem sei direito agora, Nigar", Bitaqir respondeu, seca, enquanto se sentava pra tomar café da manhã.
"Nigar, cadê os ovos?" Bitaqir perguntou, finalmente dando uma olhadinha pra Nigar.
A Nigar olhou pra ela e se perguntou se ela não tava sabendo que o harém foi esvaziado, tipo, até os cozinheiros foram embora. Era quase impossível pra ela preparar aquela refeição, porque a Bitaqir era super rigorosa com o café da manhã dela, sem falar nos ovos. O Chefe Seker é o único que sabe como preparar os ovos da Bitaqir do jeito que ela gosta, mas sendo o chefe, até ele foi embora com a galera do harém. Ela tentou umas vezes, mas não conseguiu fazer direito, então desistiu. Mas pensando que ela tinha fingido que preparou os ovos, mas tinha dado pro Seker preparar, ela não podia dizer pra Rainha que não sabia fazer.
"Então?" Bitaqir perguntou depois de uns segundos de silêncio total da Nigar.
Uma batidinha leve foi ouvida na porta antes que a Nigar pudesse responder, e como se os céus tivessem respondido a uma prece não dita, a Nigar fez uma reverência e foi em direção à porta, o tempo todo rezando pra que fosse alguém que pudesse mudar totalmente o assunto.
"Sadika?" Nigar perguntou, se perguntando se os olhos dela tavam pregando peças nela, porque pelo que ela sabia, o harém inteiro tinha sido esvaziado, então a Sadika ali na frente dela era simplesmente impossível.
"Sim, Nigar, você parece surpresa de me ver. Deixa eu adivinhar, você tá se perguntando por que eu ainda tô aqui. Certo?" Sadika perguntou, animada e gostando um pouco da cara da Nigar.
"Sim... não... ma ma talvez" Nigar gaguejou, falhando miseravelmente em esconder a surpresa dela.
"A Valide me mandou pra Rainha", Sadika informou a Nigar.
"Ela tá tomando café da manhã, e deixa eu te avisar, ela não comeu ovos hoje", Nigar avisou, e a Sadika deu um sorriso de quem sabe, e foi em direção à Rainha.
"Saudações, Majestade", Sadika cumprimentou e fez uma reverência respeitosa pra rainha dela.
"Sadika! Bem-vinda", Bitaqir respondeu, escondendo totalmente a chateação por não ter comido os ovos dela de sempre.
"A Valide deseja falar com a senhora antes de sair do palácio", Sadika transmitiu a mensagem que ela recebeu.
"Então diga pra ela que eu vou encontrá-la daqui a pouco", Bitaqir respondeu. Sadika fez uma reverência e saiu do quarto.
"Majestade, tem alguma coisa errada?" Nigar perguntou no momento em que ela fechou a porta e chegou perto da Bitaqir. Ela tinha notado a mudança na vibe quando a Sadika tinha transmitido a mensagem.
"Como é que minha mãe ainda tá aqui? Era pra ela ter saído com as outras moradoras do harém", Bitaqir falou com a voz baixa, mas a Nigar, que escutava tudo, ouviu.
"Majestade, quando um Rei ou príncipe morre, as esposas e concubinas dele são levadas pro palácio antigo pra lamentar a morte dele. Então eu acho que a Valide, junto com as outras esposas e as concubinas do seu pai falecido, vão pro palácio antigo hoje", Nigar explicou pra Bitaqir.
A Bitaqir concordou com a cabeça, entendendo, e voltou pra comida dela, esquecendo completamente a questão dos ovos.
A Nigar suspirou de alívio, porque ela tinha fingido que preparou os ovos da Bitaqir umas vezes e quase foi descoberta hoje, a Nigar agradeceu a Sadika no coração, porque a interrupção dela foi na hora certa, se ela tivesse mais um segundo de atraso, ela ia ser pega.
"Nigar, prepara roupa de viagem pra mim... e pra você", Bitaqir disse pra ela. Deixando a Nigar totalmente confusa, ela sabia que a Rainha não ia pra frente de batalha, então pra onde a Rainha ia? Ou ela planejava se infiltrar no campo de batalha, o que seria uma ideia péssima, mas ela ia junto com a Rainha, então essa opção tava fora de cogitação. Mas então pra onde elas iam?
"Já acabei, Nigar, eu tô indo pra reunião do conselho. Certifique-se de informar minha mãe que eu vou vê-la depois da reunião", Bitaqir instruiu a Nigar, tirando-a dos pensamentos.
"Sim, Majestade", Nigar respondeu, e a Bitaqir se levantou e foi pra reunião do conselho.
Sem que a Bitaqir soubesse, uma figura sombria, escondida nas sombras, observava cada movimento dela, ouvindo cada conversa dela. Um sorriso se formou nos lábios dele, enquanto os olhos dele seguiam cada movimento dela.