Capítulo 7
Na manhã da coroação, eu não encontrei o Victor nem a irmã dele, e a Matilda estava ocupadíssima, concordando com os estilistas dos vestidos, pra mandar o que eles desenharam e escolher, e o resto dos serventes estavam a organizar o palácio, e a cozinha tava um caos, cheia de gente. O número de guardas aumentou tanto, que estavam presentes dentro e fora do palácio, que nem formigas. Ontem, o bilhete com as palavras do "Victor" dizia que esse dia era necessário pro mundo conhecer a nova rainha deles, mas eu não entendi o que significa o dia da marca, o que a marca quer dizer? E o que quer dizer que a coroa vai me escolher? Por isso, eu procurei a "Margarida" pra perguntar pra ela, mas passei pela cozinha porque tava morrendo de fome, e tava tão caótico e cheio de gente que ninguém me sentiu entrar. Fui na geladeira e comecei a tirar a carne pra preparar alguma coisa pra comer, e uma mulher de uns cinquenta anos gritou comigo:
Mulher: - O que você tá fazendo, garota? Não tem trabalho pra fazer, não?
Todo mundo parou de se mexer e virou pra me olhar, como se eu fosse uma ladra em flagrante. Aí eu olhei pra eles, depois pra mulher, e falei meio hesitante:
Relam: - Eu sou a esposa do rei, e tava com fome, então vou pegar um pouco de comida pra mim.
A mulher ficou chocada: - Quê? E o que você tá fazendo aqui? E cadê aquela idiota da "Matilda"?
Relam: - Ela tá ocupada com os estilistas dos vestidos. E com aquela bruxa que vai vir pra me maquiar?
Mulher: - Desculpa, meu nome é Hem, e o Victor me chama de Mamãe, e o trabalho da Matilda inclui cuidar de você. Ah, pode voltar pro seu quarto, que eu mesma levo a comida pra você.
Relam: - Não, eu vou preparar rapidinho e levo. Vocês continuam o que estavam fazendo aqui. Não quero atrapalhar.
A Hem, com um sorriso que mostrava que ela sabia das coisas: - Minha querida, eles estão aqui pra te servir, você vai ser a rainha de todos os grupos, e você só precisa mandar e fazer todo mundo obedecer.
Relam: - Posso te chamar de Mamãe?
Hem: - Claro.
Relam: - Eu sou só uma garota da tribo da periferia do norte, e mesmo que eu me torne rainha, meu coração vai continuar o mesmo. Todos nós vivemos nesse mundo, todos nós temos direitos e deveres.
Hem: - Minha menininha, o reino vai mudar nas suas mãos, e eu espero que o amor prevaleça nesse mundo, como o seu coração, assim como a justiça prevaleceu por anos na mão do meu querido Victor.
Fui pro fogo e fiz um sanduíche de carne com uns dez ovos. Percebi o silêncio que de repente tomou conta do lugar. Me virei pra ver o que tava acontecendo, e não achei ninguém na cozinha. ((Onde todo mundo foi?)) Pensei, mas vi o Victor sentado perto da mesa no meio da cozinha, me olhando. Então ele fez sinal pra eu ir até ele. Fui chegando, com os pratos que eu tinha preparado, e quando tentei sentar na cadeira, ele me puxou e me fez sentar no colo dele. Me puxou mais pra perto, até minhas costas encostarem no peito dele, cheio de músculos. Sorri pra ele e pensei ((Ele não se sente desconfortável sentado assim?))
Victor: - Eu tô satisfeito com essa situação.
Relam: - Como você sabe o que eu tô pensando?
Victor, pensando: (você sempre esquece que eu sou seu companheiro e posso ler seus pensamentos, desde que eu não coloque uma barreira entre nós).
Victor: - Você não precisa colocar uma barreira entre a gente, eu confio em você.
Relam: - Você tá com vergonha de mim assim?
Me virei e escondi o rosto no peito dele, e senti o sorriso dele pelo que eu fiz.
Victor: - Você não me contou por que você tá aqui.
Relam: - Eu tava com fome e eles estavam ocupados, então de repente eu trouxe comida pra mim.
Saí do colo dele e sentei na cadeira, comecei a comer, aí olhei pra ele, que tava me olhando e não comia, então estendi a mão e coloquei a comida na boca dele. Ele sorriu, mordeu a comida e depois beijou minha mão.
Victor: - Eu não tô com fome, querida. Come sua comida.
Relam: - Sinto que estamos acelerando essa coroação, porque eu não tô confiante.
Victor: - Não confia em mim?
Relam: - Não, não é assim. Eu não confio em mim, como eu vivia sozinha, sem ter a responsabilidade dos outros, a não ser que eu quisesse que meu pai estivesse comigo.
Não sei como não consegui segurar as lágrimas que saíram dos meus olhos. Ele se levantou e me abraçou e sussurrou:
Victor: - Você não é fraca, e pode assumir a responsabilidade pelo reino, e eu tô do seu lado. Você quer falar sobre como eles morreram?
Relam: - Eu era pequena naquela época, sentada com minha mãe e meu pai no jardim da cabana, plantando milho, e minha irmã estava dormindo no quarto dela. Os lobos de "kami" nos atacaram, querendo me levar, e, pra me proteger, meu pai me jogou numa caixa embaixo da cabana. Eles não me viram, mas eu vi eles sendo mortos. Meu pai e minha mãe tentaram levar minha irmã, mas ela os atacou e morreu também.
Victor: - Eu sinto muito pelo que aconteceu. Eu queria estar com você.
Ele de repente se afastou de mim, a raiva apareceu no rosto dele, então ele falou com uma voz brava, mas calma.
Victor: - Por que você entrou na Floresta Negra naquele dia?