Capítulo 3
Ponto de Vista do Drake
Deus, essa galera só me faz de trouxa, pensei, querendo me virar pra ver quem era, só que a garota de 1,63 metros disparou corredor afora, tipo gato assustado, depois de murmurar um “desculpa” quase inaudível.
O cabelo castanho dela batia na cintura, ela tentava fazer um coque rapidão, mas falhou. Aí o cabelo ficou no bumbum, balançando pra cima e pra baixo. Quicando e roçando, no ritmo e no movimento das pernas.
O perfume dela era bom, mas baratinho, pensei, olhando pro nada, parado no mesmo lugar.
De repente, a ficha caiu, me tirando daquele sono profundo que eu tava prestes a me jogar. A realidade bateu forte, e a raiva voltou na hora.
Mandei um dos funcionários pegar com cuidado, enquanto eu corria atrás dela, pelos lugares por onde ela passou, mas com a máscara pra ninguém me reconhecer.
Quanto mais eu procurava, menos achava. Só acabei voltando pra entrada sem encontrar ela, nem ninguém que parecesse com ela. Procurar por causa da cor e do comprimento do cabelo parecia burrice, porque quase todas as garotas tinham o mesmo cabelo, e de repente todas eram ela.
A tarefa de procurar ela tava mais difícil e frustrante do que eu imaginava, droga! Essa não era a reação que eu esperava antes de ir atrás dela.
Olhando pra frente, percebi que o exame ia começar e estar ali sem passe ia ser muito suspeito, principalmente se me perguntassem alguma coisa e eu não soubesse responder.
E ainda por cima, meu celular não tava comigo. Se não, eu ia mandar umas mensagens pra avisar quem eu sou. Sem o celular, minha identidade ia ficar no ar, e ia dar um monte de problema. Pensei nisso antes de sair da área do exame.
De repente, meu cérebro deu um *boost*, e eu fiquei me perguntando por que eu fui tão burro de não pensar nisso antes de passar por todo aquele estresse de procurar com a força bruta, sendo que tinha câmeras por todo lado, e eu podia simplesmente ir lá e pedir pra ver de novo.
Por que eu fui pelo caminho mais difícil, pensei, rindo por dentro da minha lerdeza?
Meu cérebro deve ter ficado nublado de raiva, pra não lembrar que tem câmeras por toda a escola, e que eu podia pegar a garota que decidiu sair correndo em vez de ficar pra pagar pelo que fez.
Ela deve ter achado que eu não ia ver ela de novo, nem saber quem ela é. Esqueceu o tipo de escola que ela veio fazer prova, porque eu vou garantir que ela não passe, e ainda vou botar o nome dela na lista de provas perdidas.
Com isso, tenho certeza que ela vai ficar curiosa pra saber o que ela fez de tão errado pra receber isso da escola. E por causa disso, ela vai ser mandada pra minha casa, se quiser saber o que ela fez de errado.
Com isso, eu vou poder saber de onde ela é, antes de pensar em como tratar ela, e que tipo de punição ela merece, pensei, sorrindo maliciosamente pra mim mesmo, sentindo a emoção correr pelas minhas veias e pelo meu rosto.
Indo de volta onde o funcionário tava, pra quem eu tinha mandado pedir um celular novo.
A vi de longe, esperando pacientemente, enquanto eu me aproximava, e ela ficou de pé assim que me viu. Depois, ela tirou o pacote do celular novo, vindo na minha direção, mas os passos dela eram mais rápidos que os meus, o que me deixou triste.
Eu queria que ela não tivesse feito o que eu mandei, ou que ela tivesse esperado eu ir encontrar ela onde ela tava antes, aí eu ia poder descontar a raiva que a garota que quebrou meu celular me fez sentir nela, e ela ia ter que me obedecer.
Mas parece que o que ela acredita salvou ela de eu surtar hoje, pensei, revirando os olhos com raiva.
“Aqui está, senhor”, ela disse, fazendo uma reverência, e eu peguei o celular da mão dela sem falar nada.
Abrindo a caixa rápido, coloquei tudo que eu precisava no celular, e configurei ele do meu jeito, igual ao celular antigo, e deixei a tela do jeito que eu gosto.
Escolhendo os contatos que eu precisava pra botar meu plano em ação, comecei a digitar, mas aí a ligação do meu pai entrou, antes que eu pudesse escrever uma palavra, e eu soltei um bufo.
Olhando pro celular tocando, eu sabia que o dia não ia acabar bem, porque nunca acaba bem quando eu vejo uma ligação desse homem. Ou eu termino o dia brigando com todo mundo, ou eu acabo descontando em todos os funcionários, incluindo meus amigos.
Essa ligação é tipo uma notícia ruim, que eu sempre espero evitar, mas infelizmente acontece de vez em quando, e esse “de vez em quando” é um inferno, porque eu acabo esquecendo o que eu tinha que fazer, e paro minha vida pelo resto do dia.
É uma coisa que eu não tenho escolha, ou eu atendo agora, ou eu vou ter que encarar ele pessoalmente, que é pior. É tipo visitar o Lúcifer.
Deslizando a tela pro lado verde, eu coloquei o celular na orelha, respirando fundo, enchendo os pulmões.
“Soube que você está ausente, Drake, ausente fazendo o quê!”, a voz dele começou calma, mas terminou com raiva, o que me fez afastar o celular da orelha por um segundo.
Eu não pude deixar de me perguntar que animal tinha me dedurado pra esse homem tão cedo. Ele ou ela não vai querer que o dia de hoje chegue, pelo que eu vou fazer ele sentir hoje.
“Já estou aqui, mas só parado do lado de fora pra dar uma olhada nos alunos que vamos aceitar nessa turma”, eu disse, calmo.
“Guarde essa explicação pra você, Drake! Eu só quero que você tenha isso em mente: é a minha imagem que você está pisando, e eu não vou levar na boa se ela for manchada, principalmente por você!”, ele gritou de novo.
“Então venha fazer você mesmo se é o caso!”, eu gritei de volta, mas não ousei falar, só na minha cabeça, onde ele não pode ouvir nem sentir.
“Tudo bem, senhor”, respondi, depois de respirar fundo pra manter a calma.
“Só entre agora e faça o que é necessário, não vou tolerar você aprontando, a eleição está chegando e espero que você saiba disso”, ele disse, antes de desligar.
Ele nem esperou eu responder.
Colocando a palma da mão na testa, comecei a massagear com os dedos, porque tava quente. Aí meu celular começou a vibrar de novo.
Vendo quem tava ligando, descobri que era a mãe que tava ligando.
“Você também foi informada, né?”, perguntei assim que atendi.
“Só faça o que é necessário, ele não pediu muita coisa”, ouvi minha mãe dizer, com a voz fraca.
Eu queria xingar ela, pra ela acordar, mas isso só ia piorar a saúde dela.
Mesmo morrendo, ela ainda fica do lado dele. Deus, pensei, soltando o ar pela boca.
“Tudo bem, mãe, se cuida”, e com isso, desliguei antes que ela falasse alguma coisa sobre ele que me fizesse explodir.
Se não fosse por ela, eu sei o que eu ia fazer com aquele homem egoísta, que parece só se importar com a carreira dele. Ele nem se importa se os outros estão felizes ou não.
Espero que ela fique bem um dia, pensei, piscando com a visão embaçada, antes de acenar pros funcionários e ir pro lugar da prova.
Chutando a porta com raiva, vi ele tremendo assim que me viu, e eu dei um sorriso malicioso pra ele, tentando esconder o celular atrás dele, mas já era tarde, eu já tinha visto.
Pode começar a correr pra salvar sua vida antes que eu te pegue, pensei, olhando pra ele com raiva estampada na cara. Não consigo imaginar a dor que ele vai sentir hoje, já que todo mundo me irrita… Continua