Capítulo 11
Você nem sacou, mas seu coração sente tudo.
----------------------------------------------------------
Fato: Um cara gato tá me beijando.
Fato curioso: Eu nem conheço ele.
Fato estranho: Eu gostei.
Quando os lábios dele bateram nos meus, foi um momento em que eu esqueci tudo. Os lábios dele eram tão macios e uma sensação estranha de formigamento percorreu eles até a pontinha dos meus dedos.
Lentamente, ele mordiscou meu lábio inferior, fazendo meu estômago revirar.
Meu Deus, o que eu faço? Ele tá me beijando e eu nem conheço ele. Esse é meu primeiro beijo e eu tô gostando? Que porra tá rolando comigo?
Só empurra ele. Vai fazer isso?
Sim, eu preciso empurrar ele, essa é a única coisa que eu posso fazer. Levei minhas mãos pra empurrar ele, mas elas não querem fazer isso. Minhas mãos encontraram um lugar ao redor do pescoço dele e o que aconteceu em seguida você não vai acreditar, porque eu também não tô acreditando.
Eu beijei ele de volta!
Sim. Eu beijei ele de volta
É nojento. Por quê? Porque eu nem conhecia ele e beijei ele de volta.
Nós dois estávamos grudados no beijo quando alguém pigarreou e deu um tapinha no ombro do homem que eu beijei, embora ele tenha me beijado primeiro.
Ele se desculpou e foi conversar com a pessoa que nos interrompeu.
Eu estava esperando ele voltar pra mim. Eu consigo ver eles daqui, onde eles estavam conversando, mas eu tava esperando ele vir.
Vai logo!
Devo ir? Acho que preciso ir até ele antes que eu não consiga reconhecê-lo na multidão, porque, assim como eu, ele também tá usando a máscara – como todo mundo. Eu quero que ele tire a máscara. Pra eu poder ver ele.
Brigando comigo mesma, fui na direção deles, mas eles estavam envolvidos em uma conversa?
Uma Arte de trocar palavras.
Eu já sei disso, muito obrigada pela minha voz interior por me iluminar.
Ok, eles estavam envolvidos em uma conversa séria. O que eu faço? Devo ouvir a conversa deles ou devo só voltar?
Eu tô muito confusa agora, porque é contra a etiqueta ouvir a conversa dos outros, suspirei enquanto pensava comigo mesma.
Ah, que se dane a etiqueta. Só ouve por uma vez, tá?
Sim. Vou pensar neles mais tarde. Fui para a pilastra que estava mais perto deles sem fazer nenhum barulho e me escondi atrás dela.
“Eles estão aqui.” Disse quem nos interrompeu.
“Por quê?” ele perguntou com raiva enquanto socava a parede.
E deixa eu te falar uma coisa, um momento fofo me fez pular de medo.
“Eu não sei.” O cara murmurou.
“Então vamos.” Ele começou a andar para o lado oposto.
“Cole, você está bem?”
Espera! Quê? Eu ouvi direito ou isso é algum pensamento idiota meu?
“Cole, espera, eu tô indo com você.” E os dois sumiram na multidão.
Eu fiquei paralisada no lugar.
Sim.
Eu ouvi direito.
Definitivamente,
Como diabos isso significa que o Cole é aquele com quem eu dancei e, acima de tudo, beijei.
Meu primeiro beijo aconteceu com ele? Por quê? Deus, por quê?
Por que você tá fazendo isso comigo? E, acima de tudo, por que tem que ser o Cole? Por que diabos ele me beijou? E não só me beijou, ele me fez gostar e, de alguma forma, me fez beijá-lo de volta.
Isso é algum outro joguinho sujo do Cole? Então eu vou matar ele, mas aí eu pensei que talvez ele nem soubesse por causa daquela máscara estúpida.
Mas por que ele disse que me viu nos sonhos dele?
Ah, como você pode acreditar nisso? Talvez fosse o jeito dele de flertar.
Sim. Talvez! Mas eu não posso ficar aqui como se nada tivesse acontecido. Eu preciso ficar sozinha pra pensar, pra me acalmar, senão eu não sei o que vai acontecer. Eu não confio em mim, eu tenho problemas com raiva. Então, eu deveria ficar sozinha por um tempo. Suspirei e fui em direção ao banheiro. É o único lugar que consigo pensar no momento. Quando cheguei lá, usei meu tempo pra pensar sobre tudo o que aconteceu nas últimas horas. Eu não consegui entender por que tudo isso tá acontecendo. Isso é coincidência ou aconteceu intencionalmente?
Depois de passar meu tempo no banheiro. Decidi que o que eu preciso fazer é sair de lá o mais rápido possível.
A determinação tomou conta da minha mente. Saí do banheiro e comecei a andar em direção à porta de saída sem notar nada e, então, eu vi algo.
Cole tá beijando outra garota no meio da pista de dança, onde todo mundo tá olhando pra eles. Como ele pode fazer isso? Depois de me beijar, ele tá beijando outra garota. Lágrimas encheram meus olhos e eu comecei a chorar. Eu sei que pode parecer idiota, por isso eu tô chorando por isso! Que se dane. Eu nem sei por que eu tô chorando por isso. É a vida dele, ele pode beijar qualquer pessoa e fazer o que quiser na vida dele.
Eu não sei por que e quando, mas meu coração tá quase explodindo.
Que porra tá acontecendo comigo? Meu Deus, eu nunca pensei em alguém como eu tô sentindo agora! Por que eu tô chorando? Por que eu tô me comportando como se eu tivesse terminado um namoro? Por que algo tá acontecendo com o meu coração, por que eu não consigo respirar, por que eu não consigo fazer nada sobre isso?
Por quê? Que porra tá rolando comigo? Por que eu tô chorando por ele? É só um beijo, pelo amor de Deus, mas por quê?
Porque você sentiu por ele e tá com ciúmes, simples assim.
Sério, é verdade? Eu senti por ele? Então, e se eu tiver sentido?
Ele simplesmente não tá interessado em mim, eu sei disso, e ele também não tá interessado na garota que ele beijou antes, que por acaso fui eu. Sim, é por isso que ele tá fazendo isso. Ele tá beijando outra garota sem pensar que todo mundo tá olhando pra eles como uma águia observa sua comida.
***
Eu me encontrei naquela seção onde todas as bebidas eram servidas.
“Me dá uma bebida de verdade.” Eu ouvi minha voz.
Quando eu recebi a bebida, seja lá o que for, eu engoli tudo de uma vez.
O que você espera que eu faça depois de beber a bebida de verdade, que eu nem sei o que é?
Dançar como uma louca? Bem, isso eu consigo fazer sem beber.
Então, ficar com algum estranho? Eu não acho que isso vai acontecer no meu caso.
E por último, mas não menos importante. Começar a vomitar? No meio dessa festa idiota, eu não vou fazer essa coisa estúpida, muito obrigada.
Eu me movi e saí desse lugar o mais rápido que pude e comecei a chorar cada vez mais forte. Sim, parece uma merda, mas o que eu posso fazer? Eu não tô no controle das minhas lágrimas.
Eu tô me sentindo sozinha, completamente sozinha e isso é horrível.
Tirei meu celular e disquei o número da Mãe. Ela atendeu no terceiro toque.
“Alô, Amy! Por que você tá acordada a essa hora?”
“Mãe.” Sussurrei.
“Você tava chorando?” A preocupação transbordando da voz dela.
“Não.”
“Então por que você tá com essa voz? E você tá fora de casa?”
“Sim.”
“O quê? Você tá bêbada?”
“Sim. Não. Eu não sei.” Murmurei.
“Amy Parker, eu vou falar com você sobre isso mais tarde. Agora me diz onde você tá pra eu te mandar um táxi. Você entendeu?” Ela exigiu.
“Sim.”
Eu dei o endereço pra ela com uma voz sonolenta, só eu sei como eu consegui dar pra ela sem desmaiar. Um táxi chegou em menos de vinte minutos. Entrei nele e dormi, mas eu tenho a sensação de que estou esquecendo algo.
Bem, eu penso nisso mais tarde, agora tudo tá embaçado pra mim. O motorista do táxi me acordou literalmente gritando nos meus ouvidos quando eu cheguei em casa.
Depois de quase vinte tentativas, a porta da minha casa finalmente foi aberta. Suspirei.
Eu não consigo andar mais, meu corpo inteiro tá cambaleando, eu nem consigo ficar em pé sozinha. Uma coisa é boa, que eu tô na minha casa agora.
Então, tudo ficou embaçado
Embaçado