CAPÍTULO 5
POV da Elva
Minha garganta tá seca, então eu levantei da cama e saí do meu quarto com o livro na mão. Queria ir pegar um copo de água na cozinha. Tava lendo o livro enquanto ia pra cozinha...
Nem tinha percebido que tinha um banquinho na minha frente. Tropecei e caí no chão com tudo. Me agarrei na mesa pra me segurar, mas a mesa tombou em cima de mim com um baita estrondo. O vaso de flores bateu na minha cabeça... Gritei de dor...
Empurrei a mesa pra longe de mim e senti um troço afiado perfurando meu tornozelo. Gritei quando vi meu tornozelo sangrando, com um corte profundo. E a pior parte de tudo... o livro tá rasgado.
O livro favorito dele!!
Devia ter deixado no quarto, mas tava tão vidrada nele... Foi a causa da minha queda, porque tava andando lendo e nem percebi o banquinho na minha frente. E agora o livro dele tá rasgado.
Ele tinha me avisado pra não deixar rasgar.
Ele vai ficar tão puto comigo... Arrrrgh.
Ouvi passos e escondi o livro rapidinho nas minhas costas... A porta abriu e o Miguel entrou correndo.
Meu coração disparou quando ele chegou mais perto de mim.
'MEU DEUS, você tá sangrando! O que aconteceu?' Ele perguntou preocupado, se abaixando na minha frente.
'Queria pegar um copo de água na cozinha, não percebi o banquinho na minha frente, tropecei e caí... Desculpa por te preocupar, pode voltar a fazer o que tava fazendo, tô bem', eu disse, olhando pra cara de preocupação dele.
'Ah... Meu Deus... O livro dele!' Pensei, com medo.
'Não, você não tá bem. Sua bandagem tá encharcada de sangue e você também tem um corte profundo no tornozelo... Tenho que ligar pra Fleur', ele disse preocupado, levantando e indo em direção ao telefone em cima da prateleira.
'Não liga pra ela, tô bem... Ela pode estar ocupada', eu disse, mas ele me ignorou, digitando uns números no telefone.
Se ele soubesse que o livro dele tá rasgado, ia me chutar mais forte do que ligar pra Fleur vir me ajudar.
'Oi, Fleur?' Ele disse no telefone... 'A Elva tá bem machucada...'...
'Ok, seja rápida, vou levar ela pro quarto dela', ele disse antes de desligar... Voltou pra mim.
'Desculpa, sei que a dor deve ser insuportável', ele disse e estendeu a mão pra mim, querendo que eu pegasse, mas eu não podia, porque ainda tava segurando o livro rasgado com força nas costas.
'Sua mão também tá doendo?' Ele perguntou e eu balancei a cabeça rapidinho.
'Ah... Desculpa, deixa eu ver', ele disse... Eu balancei a cabeça, meus medos aumentaram... Ele pode não levar na boa.
'Hum', ele suspirou... 'Deixa eu te levar pro seu quarto então', ele disse e meus olhos arregalaram... Meu Deus!! Ele tá quase me pegando no colo... Ele vai ver o livro rasgado e gritar comigo.
'Não', eu disse com medo... Levantando a mão pra discordar, não percebi que era a mão que tava usando pra segurar o livro. Ele caiu e senti meu corpo vibrar. Ele olhou surpreso por um tempão e enterrou o rosto nas palmas das mãos, empurrando o cabelo macio.
Ele tá puto comigo!!
'Me desculpa... Prometo arrumar outra cópia pra você, por favor, sinto muito, não foi de propósito, rasgou quando tropecei no banquinho... Sinto muito', eu disse, me sentindo mal, querendo que ele olhasse pra mim.
Ele olhou e foi com um sorriso.
O quê!
Ele sorriu!
Ele não tá puto comigo!
Ele riu e disse: 'Era por isso que você não queria que eu pegasse na sua mão?'
'Sim', eu disse surpresa com o tom dele... Quer dizer, eu acabei de rasgar o livro dele... Ele era pra ficar bravo!
'Claro que não tô puto com você, não foi de propósito, sempre posso pegar outra cópia na livraria, você não precisa se sentir mal por isso, ok?' Ele disse e eu balancei a cabeça, aliviada por ele não ter gritado nem ficado bravo comigo.
'Valeu, Miguel', eu disse.
'Então, agora você pode pegar na minha mão?' Ele perguntou e eu balancei a cabeça, ele estendeu a mão pra mim e eu peguei.
Ele me puxou pra cima...
Eu gritei.
Eu tinha torcido o tornozelo na queda.
'Desculpa, Elva', ele disse e eu balancei a cabeça.
Ele passou o braço em volta do meu ombro, usando pra apoiar meu corpo, minha mão tava nas minhas costas.
Uma dor forte rasgou meu tornozelo a cada passo que eu dava e eu ficava gemendo.
Miguel de repente me pegou no colo e eu quase engasguei.
Ele me pegou como se eu não pesasse nada, nem demonstrou nenhum desconforto, mas sorriu em vez disso.
'Achei que ia ser mais fácil e rápido assim', ele disse sorrindo e eu sorri, não sabia como acabei encostando a cabeça confortavelmente no peito dele e fechando os olhos...
O peito largo dele é muito mais confortável que um travesseiro, me senti quente e segura nos braços dele... Todas as minhas dores sumiram.
Não sabia que ele tinha chegado na minha porta até que usou a perna pra chutar e abri-la, entrando no quarto em direção à minha cama.
'Oh... não, não quero ser solta dos braços dele, quero ficar lá pra sempre', eu disse pra mim mesma...
Hã!
Senti ele me colocar na cama e abri os olhos, o calor e o conforto sumiram... As dores voltaram... Ele sentou do meu lado e pegou na minha mão, me senti bem, mas não tão bem quanto quando estava nos braços dele.
Mas é melhor que nada...
A porta abriu e vimos a Fleur entrar correndo.
'O que aconteceu?' Ela perguntou preocupada, jogando a bolsa no chão.
'Ela tropeçou no banquinho e caiu', Miguel disse.
'Ohhh... Desculpa, Elva', Fleur disse.
'Valeu, Fleur'.
'Miguel, por favor, pode pegar a maleta de primeiros socorros no meu quarto? Tenho que trocar essa bandagem encharcada e também passar um antisséptico no ferimento do tornozelo dela', Fleur disse e Miguel se levantou pra ir pegar.
'Desculpa por te preocupar e interromper seu trabalho', eu disse pra Fleur.
'Não, tudo bem', ela disse.
Miguel voltou com a maleta de primeiros socorros, Fleur pegou, abriu e colocou as luvas, então afrouxou a bandagem e colocou em um nylon descartável... Limpou o
Sangue na minha cabeça e tornozelo com algodão antes de passar o antisséptico, eu me contorci com a dor que queimava.
Ela desenrolou uma bandagem limpa e enrolou na minha cabeça várias vezes antes de prendê-la.
Cortou um novo algodão, colocou no meu tornozelo e pegou um band-aid, colocou no ferimento.
'Você não vai conseguir andar direito por uns dias', ela disse... Jogou as coisas manchadas de sangue em um nylon descartável antes de tirar as luvas.
Pegou um pacote de remédios da maleta de primeiros socorros e derramou uns comprimidos coloridos em um pires pequeno.
'Miguel, por favor, um copo de água', Fleur disse... Miguel saiu do quarto pra pegar.
Ele voltou com a água e Fleur me entregou os comprimidos com água.
'Vai te fazer dormir e aliviar suas dores antes de acordar', Fleur disse e eu balancei a cabeça...
Joguei os comprimidos na minha língua e engoli com água.
Fleur colocou o travesseiro atrás da minha cabeça, certificando-se de que eu estivesse confortável.
'Valeu', eu disse.
E em poucos minutos, comecei a sentir sono, o remédio funciona bem rápido.
'Miguel, vamos deixar ela dormir, tenho umas coisas pra conversar com você', essa foi a última coisa que ouvi antes de cair em um sono profundo.
Continua...