Capítulo 5
POV da Ingrid
"Ingrid!" Quase perdi o equilíbrio quando alguém veio me abraçar. Meus lábios instantaneamente se abriram quando vi Chora, a melhor amiga do Índigo que parecia ainda mais infantil na aparência.
Pensei que ia conseguir sair em paz, mas agora é impossível.
"Meu Deus! É verdade mesmo que você tá aqui! Você tá ainda mais linda! Sério, nem poros você tem, é abençoada demais!" ela disse com um sorriso enorme no rosto. Fiquei meio sem graça por causa disso.
"Que vergonha, isso vindo de você mesmo? Quando você é essa beleza toda", falei, porque quando a vejo nas revistas, admiro muito a beleza dela. Era como se, com o tempo, ela ficasse cada vez mais nova e linda.
"Sério, agora você sabe mesmo como falar mentiras." Ela riu de mim, então não consegui evitar fazer beicinho. Mas não tô mentindo, ué?
"Bora, vem com a gente. Vamo comer! Faz tempo que não te vejo, e você não tá ativa no Facebook!" ela falou, franzindo a testa para mim. Troquei minha conta do Facebook. Também não uso muito, dependendo se preciso atualizar alguns pais. Tô mais atualizada no insta só pra manter contato.
"Não, tenho que ir pra casa também." Não quero ir, porque só vou ver o Índigo e a Andra.
"Aham, você sempre é assim, Ingrid! A gente acabou de se ver! Por quê? Alguém vai ficar bravo?" Andra me perguntou, que estava parada do lado do Índigo agora. Ela não tava mais segurando ele. Ela também sorriu amplamente para mim.
"Só preciso ir pra casa mais cedo hoje", falei.
"Por quê? Tem alguém esperando?" Índigo perguntou, com uma sobrancelha ainda levantada para mim.
"Sim." Sua filha. Bem, elas ainda tão no caminho, mas também não quero que me esperem.
Consigo ver como ele me olha por causa do que eu disse.
"Só um minutinho, não acho que a pessoa vai ficar impaciente pra te esperar", Chora me disse. Ele também não me impediu até que eu concordasse. A Raya não é uma pessoa impaciente, porque essa sabe muito bem como se divertir. Ela herdou isso do pai.
"Vou ficar com vocês por meia hora então", falei, então Chora sorriu imediatamente. Ela imediatamente tentou colocar as mãos no meu ombro.
"Não que eu não queira você aqui, mas por que você veio aqui?" Perguntei para Chora quando estávamos no estacionamento. Minha testa se franziu quando ela sorriu e se virou para o Índigo antes de rir.
"Ah, passei na filial do salão aqui, então também passei pra visitar o Índigo e a Andra", ela disse com um sorriso malicioso. Pensei que ela dirigia seu carro, mas parece que ela só vai dar uma carona com o Índigo e a Andra.
Não consegui evitar de encarar os dois enquanto eles riam quando a Andra sentou no banco da frente. Não sei por que ainda tô olhando pra eles, quando já tô machucada. Vi o Índigo me olhar no espelho retrovisor, e por alguma razão desconhecida, desviei os olhos imediatamente. Tá na cara, Ingrid.
A Chora só conversava comigo, tentei focar minha atenção nas histórias dela, mas também não consegui evitar de me distrair por causa do Índigo e da Andra que estavam conversando docemente. Paramos quando ouvimos o toque alto do meu celular. Fechei os olhos por causa disso. Não deixei no silencioso. A ligação da minha filha também tá virando um alarme pra mim.
Atendi quando vi o nome da Jolie.
"Mamãe!" A voz da minha filha saiu imediatamente.
"Oi, Baby?" Apenas abaixei a voz quando atendi a ligação dela.
"Mamãe, estamos perto de Manila! Quando eu te ver, vou te dar cem beijos! Mal posso esperar para te abraçar, Mamãe!" ela disse, então não consegui parar o sorriso nos meus lábios. A energia dela tá alta de novo. Até ri baixinho quando ouvi o som dos beijos dela.
"Mal posso esperar pra te ver também, vou te dar cem beijos também. Só garante que sejam cem, hein? Se cuida, meu amor", falei. Ligamos rapidamente porque elas também estavam na viagem.
O sorriso apenas desapareceu dos meus lábios quando percebi que os três estavam em silêncio enquanto me olhavam. Fiquei ainda mais quieta quando desliguei o celular. Mesmo a Andra e o Índigo, que estavam rindo antes, agora estão quietos. Fiz beicinho e fiquei um pouco nervosa porque eles podem ter ouvido a voz da minha filha. O telefone não tá no viva-voz, então é impossível que eles tenham ouvido.
"É por isso que você tá radiante", Chora falou, então eu olhei pra ela.
"Hã?" Perguntei curiosa.
"Você parece em paz e parece que tá vivendo a melhor vida", ela me disse.
"Tô", falei, ainda imaginando o rosto da minha filha. Mal posso esperar pra abraçá-la. Chora só ficou me encarando, então eu olhei pra ela surpresa. Logo ela apenas sorriu pra mim.
"Fico feliz por você", ela disse.
Logo chegamos no restaurante também. Parei imediatamente quando vejo onde estamos. A filial principal da Ing&Ind, a empresa que começamos. Parece que ele já fez sucesso.
"Vamo", Chora me convidou. Fiquei magnetizada no assento. Nem sei como sair do carro pra ir lá. Imediatamente senti meu peito apertar quando saímos do carro. A Andra e o Índigo foram imediatamente cumprimentados pelo guarda deles. Obviamente, eles são conhecidos aqui.
"Boa noite", eles cumprimentaram Chora e eu. Eu os cumprimentei ansiosamente.
Quando entramos, fiquei ainda mais quieta. A loja deles parece tão grande. Tudo que eu e o Índigo sonhamos em fazer aqui, a loja não tem. Provavelmente é o conceito da Andra. Também aumentamos o número de doces que costumávamos vender anos atrás, mas as coisas que costumava assar ainda estão aqui.
"Vamos sentar aqui, Ingrid", Chora me disse com um sorriso. Apenas sorri também quando me aproximei dela. Chora é falante, então não me senti deslocada com a Andra e o Índigo conversando.
Só fiquei olhando pra eles, eles realmente parecem bons juntos. A Andra parece conhecer muito bem o Índigo. Claro, eles ficaram juntos por quantos anos agora, até mais do que nosso relacionamento com o Índigo na época. Eu só observava secretamente. Ok, se machuca ainda mais, Ingrid.
"Ei, só vai comer isso?" Chora me perguntou.
"Você tá de dieta?" ela me perguntou, então eu imediatamente balancei a cabeça.
"Devia comer mais, alguém vai ficar bravo." Ela riu. Não sei se tô sendo provocada ou o quê. Continuei comendo.
"Posso ir pra casa agora?" Pergunto. Ela me encarou por causa disso. Ela apenas sorriu e assentiu.
"Só leva pra viagem então, você só comeu um pouquinho", ela me disse antes de sinalizar para um garçom vir na nossa mesa.
Olhei para o Índigo e a Andra. Eles estavam tão ocupados conversando que nem me notaram até que a Andra me viu em pé.
"Você vai pra casa?" ela me perguntou. Eu assenti e sorri.
"Ainda é cedo! Alguém vive pedindo pra você ir pra casa agora? Sério?" ela perguntou, então eu franzi a testa.
"Ah, não, sou eu que quero ir pra casa", falei com um sorriso. Ela assentiu e ainda pude ver o sorriso dela.
"Vamos, eu te levo", Índigo falou, mas imediatamente balancei a cabeça. Não quero, porque tô segurando as lágrimas agora.
"Vou pegar um táxi, obrigada." Sorri docemente de novo antes de me afastar deles. Imediatamente chamei um táxi quando saí. Apenas disse pra onde ia.
Quando entrei no táxi, só fiquei olhando pra sacola de doces do Índigo e da Andra. Doces que nós dois começamos. Fiquei feliz e machucada ao mesmo tempo. Fico feliz porque ele ainda conseguiu continuar o negócio entre nós dois agora e dói porque eu não tô mais lá. Eu não sou mais a pessoa com ele pra realizar nosso sonho.
Ele já era feliz e bem-sucedido com ela, então como posso dizer que temos uma filha? Que ele tem uma filha? Não quero machucá-lo. Não quero estragar a vida que ele tá aproveitando agora, porque sei que ele merece tudo isso.
Eu já não estava ciente de que estava chorando silenciosamente. Sem som. Apenas pura dor.
"Senhorita, lenço", Manong falou, então eu apenas sorri. Tô mentalmente cansada. Em vez de ir direto pra casa, apenas chamei um táxi bem longe.
Quando desci, só chorei na calçada. Com o coração pesado. Não quero que minha filha me veja assim, então apenas enxuguei silenciosamente minhas lágrimas. Até vi uma ligação da minha filha, então apenas enxuguei as lágrimas dos meus olhos.
"Oi, Baby?" Sinto por ele.
"Mamãe, estamos aqui! Onde você tá?" ela me perguntou na outra linha. Me contive de soluçar ou qualquer sinal de que estava chorando agora.
"Tô indo pra casa também, meu amor", falei na outra linha.
"Ok, até logo!" Apenas sorri por causa disso.
Apenas enxuguei as lágrimas e consegui até me olhar no espelho. Sua filha não pode te ver chorando, Ingrid. Se arrume.
Quando finalmente consegui me arrumar, fui pro apartamento de novo.
Fui imediatamente recebida com um abraço apertado pela minha filha. Não consegui parar meu coração de bater forte. Realmente preciso disso agora. Ela também me beija, então não consigo evitar sorrir.
"São cem beijos? Não parece." Eu ri.
"Vou te dar os 50 beijos mais tarde quando formos dormir", ela disse, então sorri antes de levantá-la para dentro.
"Sentiu saudade da Mamãe?" Perguntei pra ela, esfregando a bochecha dela.
"Sim, muito!" Ela disse com um sorriso enorme no rosto.
"Mamãe! Tem tanta planta que eu comprei! Nosso jardim tá cheio agora!" ela disse, ainda rindo. Sorri quando a coloquei no sofá.
"O vovô comprou tantas plantas pra você de novo?" Perguntei pra ela. Ela imediatamente balançou a cabeça.
"Não, porque o Tito e a Tita me provocaram e então disseram que eu não deveria te contar", ela disse, então eu imediatamente me virei para a Jolie que estava apenas ocupada consertando as pálpebras dela.
"Vamos levar de volta, você contou pra Irmã Mais Velha!" A razão pela qual minha filha fez beicinho.
"Hehe, é só uma brincadeira, Mamãe. Eles não me provocaram nem um pouco", Raya disse, então eu ri baixinho.
"Eles ficaram te provocando enquanto eu estava fora?" Perguntei pra ela. Ela balançou a cabeça pra mim por causa disso.
"A gente não provocou ela, Ate. Se ela chorar, ninguém vai acalmá-la", Jolie disse, então não consegui evitar de balançar a cabeça. Eles sabiam que eu não estava lá, então cuidariam dela caso ela chorasse.
"Sandro era quem provocava com frequência, então ele compra plantas pra ela", Jolie disse com uma risada. Não consegui evitar de rir por causa disso. Imagino a reação do Sandro.
"Sabe, Mamãe, plantamos no ano passado, não foi? Tá crescendo tão bem agora!" ela disse, contando histórias pra mim agora. Sorri porque ela estava se divertindo enquanto me contava a história.
"Aí ontem, plantamos quase todas as sementes que trouxemos", Raya disse com um sorriso.
O sorriso desapareceu dos meus lábios quando olhei para o sorriso largo dela. Não quero que esse sorriso desapareça. Talvez seja certo não contar pro Índigo mesmo. Não quero perder o sorriso dos dois. Eles são felizes na vida com a ideia de que não há presença um do outro, então por que eu deveria destruir isso, certo?