Capítulo 6: A História de Ethan (Extra)
A História do Ethan (Extra)
A Kat tava lá, toda arrebentada e sangrando.
Eu fiquei encarando, tipo chocado, tentando entender como eu não tinha conseguido salvá-la. Daí, a verdade mais fudida veio na minha cara: eu tava sempre fazendo ela esperar.
No nosso relacionamento todo zoado, eu não tinha feito nada por ela. Antes da Emily voltar, eu tava jogando com meus sentimentos ainda por ela e enrolando a Kat.
E quando a Emily voltou, eu só... troquei. Tipo uma porra de interruptor.
Eu faltei no encontro com os pais da Kat porque a Emily tinha cortado o dedo com papel. Um cortezinho de papel.
Eu fui me enfiar na cama da Emily, abraçando ela, só porque ela pediu.
Eu até gritei com a Kat, defendendo a Emily.
Eu sabia o que eu tava fazendo? Claro que sim.
Eu só achava que a Kat e eu estávamos juntos há tanto tempo. Eu era viciado nela, e achava que ela era viciada em mim também.
Eu achava que ela que tinha que descobrir o que tava fazendo de errado.
Quando aquela Menina me pediu pra comprar flores pra Emily, uma parte de mim ficou feliz.
Mas aí minha consciência, ou sei lá o que, veio na parada. Eu neguei, olhando pra Kat.
Só que ela não tava me olhando com amor nem nada. Os olhos dela tavam cheios de... desprezo.
Era como se ela pudesse ver através de mim, como se ela soubesse de todos os pensamentos fudidos na minha cabeça.
O Irmão da Kat não deixou eu entrar pra ver ela.
Eu continuava me falando que a Kat me amava. Ela não ia simplesmente me largar por uma coisa tão pequena.
Tudo o que eu precisava era de uma chance pra explicar.
Eu só tava tentando estar lá pra Emily. Ela tava sozinha, sofrendo. Ela tinha depressão, porra.
A Kat era uma boa pessoa. Ela ia entender.
Mas dois dias se passaram, e a Kat ainda tava desacordada. Eles até emitiram um aviso de condição crítica.
Foi aí que o pânico pegou de verdade. Ela tava machucada, feio.
E se ela não me perdoasse?
Eu implorei pra ver ela, dia e noite, mas a Kat nem me olhava.
Aí a Emily me contou que tinha sido expulsa da casa dela, que nem deixavam ela ficar mais no quarto do hospital.
Então, eu levei ela pro único lugar que eu consegui pensar: o apartamento que a Kat e eu dividíamos.
Mas eu tinha esquecido um detalhe: a Kat era dona do lugar.
Surpresa, surpresa, a Emily e eu fomos chutados pra fora.
E eu ainda tive a cara de pau de culpar a Kat, de acusá-la de ser sem coração. Eu até comecei a me perguntar se ela tava fazendo tudo isso porque ainda me amava.
Fala sério, que viagem.
Depois, um vídeo meu com a Emily foi postado online. Virou viral, do dia pra noite.
Mas de alguma forma, a história foi distorcida. As pessoas tavam dizendo que a Kat era a outra.
Eu não falei nada. Uma parte sombria de mim achou que se a reputação da Kat fosse destruída, ela ia ter que voltar pra mim.
Que eu seria o único que ia querer ela.
Mas eu esqueci o quanto a Kat era esperta, e quem eram as amigas dela.
Em pouco tempo, a internet descobriu tudo sobre mim e a Emily.
Todo mundo se virou contra a gente. Perdemos os empregos. Éramos párias sociais.
Eu fui ver a Kat. E ela me disse que eu era só um substituto, um tampão.
Por que ela tinha que me dizer isso, justo quando eu tava percebendo que talvez eu estivesse apaixonado por ela?
Todas aquelas vezes que ela cozinhou pra mim, me confortou, foram todas falsas?
Mas ela tava com ciúmes da Emily, eu vi.
Daí a Emily apareceu, dizendo que tava grávida. Do meu filho.
A Mãe desabou, soluçando sem parar.
Ela me encarou, com a voz cheia de veneno. "Você é igual ao seu Pai. Eu nunca deveria ter deixado esse gene ser passado!"
Daí, ela deu um tapa na Emily. Foi a primeira vez que eu vi ela sendo outra coisa que não gentil com ela.
"Sua vagabunda! Grávida? Eu não vou ter essa criança bastarda na família!"
"Você não ia ser toda pura e inocente? O que aconteceu com essa palhaçada? Ah, certo, você só tava esperando por ele! E a sua mãe, ela não era vítima de violência doméstica? Divorciada por causa disso? E agora você tá aí, sendo a outra?"
Eu sabia que a Emily tava me olhando, provavelmente com os olhos cheios de lágrimas, a donzela em perigo.
Mas eu nem olhei pra ela. Ela era tão falsa.
"Bem, nós dois juntos, faz sentido, não faz? Você até queria que a gente ficasse junto antes, lembra?" disse a Emily, com a voz cheia de falsidade.
"Ele tá solteiro agora. Esse bebê não é 'bastardo'. Podemos casar. Nosso filho vai ser legítimo, nascido dentro do casamento!"
A Mãe agarrou a cadeira, lutando pra respirar, com o rosto vermelho.
"Saiam daqui! Quem quer ficar com vocês, demônios? Por que vocês não conseguiram viver uma vida normal? Por que vocês tiveram que se casar, entrar em relacionamentos, quando vocês tinham seus 'verdadeiros amores'?"
"Seus 'verdadeiros amores' são putas? Só ficam com gente que já tá comprometida?"
Eu corri pra ajudar a minha Mãe, dando água pra ela.
Mas ela me olhou como se eu fosse o pior inimigo dela.
"Ethan! Você arruinou minha vida, e agora tá arruinando a sua? Ser um babaca faz parte do seu DNA?"
"Frank Ford! Você arruinou minha vida, e vai me assombrar mesmo depois de morto?"
Eu abaixei a cabeça, deixando ela me bater, gritar comigo. Talvez fosse a única forma de sentir alguma coisa de verdade.
Daí, um estrondo.
Um copo quebrou. Eu olhei pra cima.
A Emily tava lá, parada, como um robô. Não tinha um pingo de vida nos olhos dela.
Ela me olhou, e eu senti um frio, uma sensação de vazio total. Mas eu já tava morto por dentro.
Por que eu deveria me importar com alguém que me via como um plano B?
O bebê dela provavelmente nem era meu. Ela provavelmente tava transando com todo mundo.
Ela provavelmente só tava aqui agora porque não tinha pra onde ir, nem dinheiro, nem emprego. Eu era só um porto seguro.
Eu debochiei e saí correndo, indo pra baixo pra fumar.
Mas daí, num golpe do destino, no momento em que eu pisei fora, a Emily pulou da janela de cima. Ela caiu em cima de mim.
Tudo o que eu senti foi uma dor absurda, e depois... escuridão.
Eu tava morto.
A Emily tinha me derrubado com ela com sucesso.
Eu morri uma morte sem sentido.
Quando eu fui atingido, tive um flash, uma lembrança da Kat concordando em ser minha namorada.
Ela tava usando um vestido azul, cheirando a jasmim.
Ela tava sorrindo, me incentivando, sempre dando, sempre presente, fazendo tudo por mim.
E no final, eu deixei ela deitada numa poça do próprio sangue.
Tudo o que eu disse foi,
"Me espere."
Mas quem vai me esperar agora?
Você vai me esperar na próxima vida?
Kat?
Eu prometo que não vou ser mais tão indeciso.