Capítulo 104: Eu sou tua mãe adotiva
Naquela hora, Gu Sheng tava cheia de coisas na cabeça, tipo, sei lá por onde começar.
Se o pai tivesse metido a mão, não teria mandado o Mo Zhe pra um lugar tão longe.
Ela tava quase desistindo de procurar o Mo Zhe ali, quando de repente uma imagem veio tipo voando na frente dela.
Do lado de fora de um pátio, tinha um monte de trepadeira, sabe? O Mo Zhe tava chorando num quarto. Do lado de fora, tinha um cachorro e dois guardas tomando conta.
Ela quis investigar a fundo, mas a imagem sumiu da mente dela, sem deixar rastros. Ela olhou pros lados rapidinho pra ver onde tinha muros cheios de trepadeiras. Olhou, olhou e não achou nenhuma perto dos muros.
Sem pensar duas vezes, ela foi correndo falar com uma tia que tava dando comida pras galinhas: “Moça, posso perguntar uma coisa?”
A tia olhou pra cima e viu a Gu Sheng: “O que você quer saber?”
Ela falou rapidinho o que queria saber: “Queria saber se tem um pátio cheio de trepadeira por aqui?”
A tia, sem pensar, olhou pros lados, pensou um pouco e apontou pra uma direção: “Se você for por ali, vai ver um rio. Não muito longe tem a casa dos ricos da vila. Talvez você ache lá.”
Os olhos da Gu Sheng brilharam na hora, agradeceu a tia e saiu correndo.
Ela montou no cavalo e foi devagarzinho.
Um Chai Fu carregando lenha veio na direção dela. A Gu Sheng perguntou na hora: “Irmão mais velho, sabe se tem muros cheios de trepadeira por aqui?”
O Chai Fu olhou pra cima e viu a Gu Sheng. Ele estendeu a mão e apontou pra uma direção: “Aquela é a casa do fazendeiro. Vai reto por ali que você acha rapidinho.”
A Gu Sheng olhou pra mão do Chai Fu. Tipo, a mão dele não tinha rugas, mas tinha uns calos em tudo quanto é lugar. Só que a mão que tava ali na frente dela, a pele era lisa e delicada, tipo, não parecia que trabalhava no campo o ano inteiro.
Ela ficou esperta, disfarçou, agradeceu o Chai Fu e aproveitou que tava na esquina pra pegar o Cavalo Branco e sair correndo pra outra direção.
Ela foi tão rápida que o Chai Fu não conseguiu alcançar, nem se quisesse.
Logo, ela viu o pátio cheio de trepadeiras, igualzinho ao muro que ela tinha visto na mente dela.
A Gu Sheng chegou perto da cerca com cuidado. Quando ela se aproximou, ouviu uma criança chorando.
Era o Mo Zhe!
O coração dela disparou na hora, olhou pro Cavalo Branco, estendeu a mão e fez carinho na cabeça do cavalo: “É com você agora. Preciso que você vá pra porta dos fundos e faça barulho, pra todo mundo prestar atenção e me dar uma chance de salvar ele!”
O Cavalo Branco pareceu entender o que a Gu Sheng falou. Assim que ele pulou, saiu correndo rapidinho.
Os olhos da Gu Sheng tavam grudados nos dois guardas que tavam tomando conta da porta.
Vendo os dois guardas se afastarem, ela levantou na hora, aproveitou a chance e foi andando pra porta, mas ela tinha acabado de levantar, e pareceu que teve um movimento atrás dela. Antes que ela pudesse olhar, uma dor na nuca, a vista ficou preta, e o corpo dela caiu pra trás.
Quando ela acordou, tava tudo escuro, como se alguma coisa tivesse encostada nela, e depois veio uma onda de soluços.
Ela falou sem pensar: “Mo Zhe?”
Uma mão macia envolveu o pescoço dela, a Gu Sheng olhou pra cima e deu uma olhada em volta. No momento que ela olhou pra cima, uma vela no quarto acendeu na hora, e a brisa balançava e a luz da vela ficava tremendo.
Naquela hora, a Gu Sheng tava amarrada. Ela puxou a mão um pouquinho e se soltou da corda. Em três ou quatro vezes, ela soltou todas as cordas do corpo dela.
Ela estendeu a mão e abraçou o Mo Zhe, estudando o Mo Zhe com cuidado na frente dela.
O Mo Zhe tava olhando pra Gu Sheng com aqueles olhões marejados abertos. A roupa dele tava rasgada com vários buracos. Ele tava todo sujo e as bochechas vermelhas. Acho que foram as duas palmadas que deixaram ele vermelho. Além disso, o Mo Zhe tava bem e não tinha nenhum machucado.
Pelo menos a criança não sofreu muito enquanto ficou ali, e a Gu Sheng sossegou o coração.
“Quem é você?”
O Mo Zhe tava meio assustado, e a voz dele, que ainda era de criança, tava soluçando.
A Gu Sheng soltou todas as cordas do Mo Zhe e abraçou ele com força: “Eu sou sua mãe adotiva, vou te levar pra casa.”
O Mo Zhe fez bico e começou a chorar: “Quero ver minha mãe e meu pai!”
A Gu Sheng tapou a boca do Mo Zhe: “Quando a mãe adotiva te levar pra casa, você vai poder ver sua mãe e seu pai. Não tem problema se você chorar. Afinal, você ainda é pequeno, mas agora não pode chorar. Tem gente lá fora. Se ouvirem choro, vão nos achar e não vão deixar a gente ir pra casa.”
O Mo Zhe balançou a cabeça e parou de chorar.
A Gu Sheng só colocou o Mo Zhe no chão e começou a observar o que tava em volta.
O pátio não é grande, e tem umas pessoas patrulhando no pátio. Naquela hora, já tava tudo escuro. Quando ela saiu, já era noite. O Mo Shangqian ia perceber que ela tinha sumido, e ia ficar preocupado. Talvez já estivesse procurando ela por todos os lados.
Ela viu várias pessoas vindo na direção da casa dela. Um deles se surpreendeu, “Como pode ter luz de vela na casa?”
A Gu Sheng apagou a vela rapidinho, pegou o Mo Zhe no colo e fez um sinal de silêncio.
Mesmo sendo pequeno, o Mo Zhe também é filho do Príncipe Ningde. Ele é esperto e entende as coisas. Ele balançou a cabeça e não ousou fazer nenhum barulho.
Vários membros da patrulha levantaram os olhos na hora e olharam pra dentro da casa: “Onde tá a luz da vela? Tá muito escuro aqui. Deve ser seus olhos que já não enxergam mais, velho.”
“Estranho, não tem luz mesmo. Será que eu vi coisas?” Os olhos do homem arregalaram e ele começou a se perguntar se tava errado.
Os passos das várias pessoas foram embora, e a Gu Sheng se levantou e continuou olhando em volta.
Tem muita gente patrulhando lá fora. Se ela fugir sozinha, ainda pode ter uma chance, mas ela ainda tem o Mo Zhe no colo.
Não é fácil passar por tanta gente com o Mo Zhe.
O Mo Zhe confiava na Gu Sheng e dormiu no colo dela. Nos últimos dois dias, ele dormiu pouco e chorou direto. Agora, finalmente conseguiu dormir bem.
Olhando pro céu lá fora, a Gu Sheng mordeu o lábio com força, fez uma escolha, abraçou o Mo Zhe com força, contornou a multidão e correu pra fora da casa.
Logo, a Gu Sheng chegou num muro. Ela usou a energia do corpo dela e pulou na ponta dos pés. Ela conseguiu voar metade do caminho. A pessoa toda caiu direto no chão. Mesmo caindo no chão, ela ainda segurou o Mo Zhe no colo e não ousou soltar.
“E aí?!”
Ela olhou pro Mo Zhe rapidinho e perguntou sobre o Mo Zhe.
A boca do Mo Zhe fez um biquinho e os olhos dele se encheram de lágrimas. Ele tava muito magoado e apontou pra testa dele: “Tá doendo!”
A cabeça dele bateu no muro sem querer e já ficou vermelha e inchada.
A Gu Sheng começou a se culpar. Nos últimos dois dias, o Mo Zhe sofreu. Ela falou que ia levar o Mo Zhe embora, e assim que chegou, fez a cabeça dele ficar com um galo desse tamanho.
Passos apressados vieram de trás, assustando a Gu Sheng pra caramba, ela segurou o Mo Zhe com força e correu direto pra porta dos fundos!
A porta dos fundos tava trancada. Ela puxou a fechadura com força, mas a fechadura não se mexeu.
Ela se afastou rapidinho e gritou: “Abre!”
A fechadura não se mexe.
“Pega! Não deixa o povo fugir!”
Teve um grito atrás dela, e os passos tavam cada vez mais perto dela. A Gu Sheng ficou vermelha e chutou a fechadura: “Abre pra mim logo!”