Capítulo 42 Eu não me lembro
“Ai, ai! Rápido, pro hospital!”
Willie segurou Jenny e correu dois passos, jorrando sangue da boca.
Ma Siyu foi pra frente, em pânico e preocupada: “Willie, como você está? Tá tudo bem?”
“De boa, bora, entra no busão!”
No hospital, vendo Jenny, que tava toda ensanguentada, ser levada pra sala de cirurgia. Willie insistiu em ir atrás, mesmo com a galera da equipe médica tentando impedir.
Song Yi suspirou. “Deixa pra lá, Sr. Chen, prepara uma roupa esterilizada pra ele entrar.”
Na mesa de operação, depois de examinar Jenny, Sr. Chen falou pra Song Yi: “Já estamos preparados pra cirurgia no cérebro, mas o olho esquerdo dela…”
Willie perguntou rápido: “O que aconteceu com o olho esquerdo dela?”
“O olho esquerdo dela foi arranhado por estilhaços de vidro. Pelo exame preliminar, a córnea foi ferida. Depois da operação, o olho esquerdo dela vai ficar cego.”
“Cego?” Willie ficou um tempão sem conseguir falar nada.
Song Yi franziu a testa e disse: “Onde consegue a córnea pra trocar?”
“Trocar a córnea até que é de boa, mas o problema é que não tem córnea sobrando, saca? Não é só em Haishi, é no país inteiro. Não é fácil achar a córnea na hora. Tem que esperar.”
Song Yi, tipo, apressada: “Então eu vou entrar em contato agora mesmo…”
“Não, usa a minha.”
“Willie, você tá louco!”
Willie passou a mão no rosto de Jenny pra tirar o sangue, olhou pra cima e encarou Song Yi com firmeza.
Três dias depois, Jenny, deitada na cama do hospital, sentiu as pálpebras pesadas. Ela abriu os olhos com dificuldade. Um raio de sol entrou nos olhos dela. Ela achou meio forte e fechou um pouco. Depois de se acostumar, abriu os olhos devagar.
“Irmã!”
“Ran Ran!”
“Como você tá se sentindo?”
Jenny olhou pros lados, vendo um monte de rostos estranhos, e hesitou: “Quem são vocês?”
“Ah, irmãzinha, qual é, não lembra da gente?”
Jenny arregalou os olhos e recuou instintivamente.
“Mas você não nos reconhece?”
Song Yi e Willie falaram juntos.
Jenny puxou o cobertor e balançou a cabeça.
“Você sabe quem você é?”
“Quem eu sou?” Jenny perguntou. Ela abriu os olhos e pensou um pouco. “Não lembro.”
Vendo o medo do desconhecido nos olhos de Jenny, Song Yi fez um sinal pra galera sair do quarto.
Lá fora do quarto...
“Nossa, parece que ela teve amnésia. Nem sabe quem ela é. Que que a gente faz?”
“Parece que tudo que eu tava com medo aconteceu.” Song Yi falou, mó ansiosa.
Willie ficou na porta olhando pra dentro, de lado.
Pensando no que tinha acontecido antes, ele não sabia se a amnésia de Jenny era bom ou ruim no momento.
“E agora, o que a gente faz?” Ma Siyu viu Willie em silêncio e franziu a testa. “Ela esqueceu de você. Por que você não tá desesperado?”
Willie olhou pra trás e falou devagar: “Esquecer é uma coisa boa.”
“Como assim?” Ma Siyu não entendeu.
Song Yi olhou pra Willie e perguntou: “Fala o que você tá pensando.”
“Eu acho…”
“Não!” Depois de ouvir o que Willie falou, Ma Siyu repetiu: “Não pode ser!”
“Por que não pode, a criança não é minha.” Willie olhou pra Song Yi, abaixou a cabeça e disse com um sorriso amargo: “Ela perdeu a memória de novo agora, e mesmo que a gente... tá ligado?”
“O que aconteceu, o que você fez por ela…”
“Não fala, eu não sou a pessoa certa pra cuidar dela agora. Song Yi, leva ela embora, não conta pra ela sobre a Mãe, deixa ela feliz com as crianças dela. Se um dia, ela lembrar…” Falando nisso, Willie fez um gesto com a mão, “espera até esse dia, a gente conversa.”