Capítulo 137 Tempo de Crise
“A situação fora da faculdade não tá muito boa, galera. A maré de Warcraft tá chegando. Agora, todo mundo que tem condição de agir, tem que ir lá fora e lutar lado a lado com os professores.”
Essa frase foi tipo uma pedra jogada na água parada, saca? Mandou umas ondas pra todo lado. A sala de aula virou uma loucura na hora, e teve gente até vibrando com essa chance de batalha.
“Mas a gente ainda tá em prova. Tipo… foda-se?”
Um aluno chegou na frente e fez a pergunta que todo mundo queria fazer.
“Foda-se nada. A gente fala da prova na volta. Agora, me segue.”
Terminou de falar, ele saiu pela porta, e o resto dos professores levantou e foi junto. A galera, vendo os professores indo, se olhou e foi atrás, tipo, em silêncio.
Uns preocupados, outros mega animados, outros com uma cara de paisagem, e uns bem sérios. Mas o lance era que todo mundo tava comentando sobre isso.
Chegou um ponto que até fora da faculdade tava um barulhão. Os professores perceberam que a situação tava pior do que imaginavam. Era magia pra todo lado, e umas paradas que eles, mesmo sendo professores, nunca tinham visto.
Como tinha tanta coisa assim? E como chegou tão rápido na faculdade? Ele franziu a testa, pegou o celular e começou a se defender.
“Prestem atenção na defesa, galera, não sejam impulsivos! Se puderem lutar, lutem, mas se tiver que correr, CORRAM!”
Nem terminou de falar, uns alunos já foram pra cima com os celulares, atacando um Warcraft fraco. A maioria nem reagiu, e já tinha eliminado o Warcraft.
A cena começou a sair do controle por causa disso.
Muitos alunos perderam o medo, saíram do cerco dos professores, e foram pra cima dos bichos encantados, o que deixou tudo uma zona.
A parada já não tava no controle dos professores, e os que restavam se olharam e, no fim das contas, entraram na luta contra os Warcraft.
A maioria dos alunos nunca tinha ido pra batalha, e alguns nem tinham encostado num Warcraft. A experiência mais sinistra era ter detonado um Warcraft fraco. Essa cena toda, inédita, deixou a galera toda pilhada.
Uns lutando sozinhos, outros com os amigos, e todo tipo de magia rolando. Por um tempo, eles até que mataram um monte de Warcraft.
Mas a empolgação foi só por um tempo. A cena era cruel, no fim das contas, e perder a guarda era perder a vida.
“Ah! Me ajuda! Socorro!”
“Meu celular! Vou morrer!”
“Mãe! Pai!”
Implorar, pedir socorro, e uns gritos de animação, um atrás do outro no campo de batalha. Mas o que mais tinha era gente gritando depois de se machucar.
Sorte que essa galera não era de ficar parada. Mesmo sem experiência de verdade, eles acharam a posição deles rapidinho, e uns até se juntaram em grupos, por conta própria.
“Cara, seu ataque é muito forte! Me protege que eu te curo!”
“Meu amigo, meu escudo é mais forte! Eu te protejo, e você luta contra os Warcraft.”
O campo de batalha cruel fez eles amadurecerem rápido. Todo mundo achou sua posição e seus parceiros, e foram avançando aos poucos. Os Warcraft mais fortes foram pro pau com os professores, e os fracos com os alunos, e a parceria entre professores e alunos finalmente fez a galera sobreviver.
Quando todos os Warcraft foram destruídos, a maioria tava exausta de magia, e não conseguia usar mais nada mágico. Uns até perderam partes do corpo, e outros nunca mais iam abrir os olhos.
No começo, as pessoas que tavam sorrindo pra você não iam mais ser vistas, e algumas nem tinham mais ossos. Depois de limpar o campo de batalha e ter certeza que não tinha mais nenhum Warcraft, uns começaram a chorar, finalmente.
Não tinha um lugar no chão que estivesse inteiro, tinha gente destruída por magia, corpos por todo lado, Warcraft, humanos, e uns que nem dava pra reconhecer.
O cheiro de sangue tomou conta de tudo, e umas alunas vomitaram, no fim.
Vendo essa cena, até os professores que já tavam acostumados com batalha, quase choraram. Seguraram a emoção porque sabiam que tinha mais coisa pra fazer.
“Todo mundo junto! Contar as pessoas!”
Procurando pela voz do Professor, os alunos que sobreviveram foram na direção dos professores, pra ver se todo mundo tava ali, e então contaram.
Só metade tava viva, uns machucados feio, metade com uns arranhões, e só uns poucos sem nada.
Essa perda não foi pequena. O Professor franziu a testa, e no fim só conseguiu suspirar.
“Galera, vamos aguentar firme. A gente vai voltar pra tratar, se ajudar, e voltar pra faculdade agora.”
Um cara com os olhos vermelhos abriu caminho na galera e perguntou, com a voz rouca: “E os mortos?”
“Desculpa, mas com os mortos só podemos lidar depois que voltarmos. Temos que garantir a segurança dos vivos.”
O Professor abaixou a cabeça pra pedir desculpas, mas a voz dele foi firme.
Vendo os alunos se ajudando pra voltar pra faculdade, só uns poucos professores voltaram com eles, mas a maioria continuou no campo de batalha, todo mundo sério.
Eles ficaram juntos, sei lá, sem olhar pra ninguém, sem falar nada, sem fazer nada demais, só parados em silêncio.
Depois de um tempo de silêncio, um Professor tomou a frente pra quebrar essa atmosfera.
“Vamos falar sobre isso. Acho que cada um tem sua ideia.”
Os professores que estavam com a cabeça baixa levantaram, trocaram uns olhares, e começaram a falar suas opiniões.
“Isso não foi por acaso. A maré de Warcraft tá vindo com frequência, tipo a maré do mar. Alguém deve ter aprontado alguma coisa.”
“É, nossa faculdade foi muito prejudicada dessa vez.”
“Parece que não vai ter nada de bom nos próximos dias, e talvez algo grande aconteça.”
Assim que ele terminou de falar, todo mundo olhou pra ele. O Professor sabia que não tinha falado nada bom. Ele esticou a mão e bateu na boca, falando: “Não falei nada, falei besteira.”
Ouvindo isso, uma das professoras sorriu amargamente. Ela sorriu pra ele e falou: “Acho que você falou a verdade. Agora todo mundo tá com um aperto no coração.”
Terminou de falar, todo mundo voltou a ficar em silêncio, mas dessa vez, acho que não dava mais pra sorrir com ironia.