Capítulo 18: Onde está o anel?
Hotel Guest Tree,
Delhi.
O relógio bateu meia-noite em ponto e o Advaith tava sentado no sofá, trampando num projeto no laptop, mas a cabeça dele tava em outro lugar.
Ele olhou pra onde a Aarohi tava dormindo na cama, que mais uma vez se contorceu no sono. Nos últimos dez minutos, a Aarohi tava se virando na cama de vez em quando, e depois fazia uma careta, antes de voltar a dormir.
Finalmente, não aguentando mais, ele salvou o trabalho e desligou o laptop antes de pegar o celular da mesa de centro e sair pra sala na suíte deles.
Sentado numa poltrona gigante reclinável, ele desbloqueou o celular antes de procurar online por remédios pra cólicas menstruais.
"Eu quero um analgésico e também uma bolsa de água quente.", depois de procurar por quase quinze minutos, ele finalmente conectou a ligação com a recepção do hotel através do interfone e pediu os itens necessários, pedindo pra entregarem o mais rápido possível.
Uns dez minutos depois, teve uma batidinha na porta da suíte deles, já que o Advaith tinha pedido pra não tocarem a campainha, pra não acordar a Aarohi.
Pegando todas as coisas que ele pediu do mensageiro, o Advaith agradeceu e depois trancou a porta direito, antes de voltar pro quarto, onde a Aarohi ainda tava dormindo, sofrendo.
Indo com cuidado pro lado dela, o Advaith se abaixou na altura da Aarohi e olhou fixamente pra cara dela, que tava brilhando sob a luz fraca do luar.
Inconscientemente, a mão esquerda dele se levantou enquanto ele acariciava as rugas na testa dela, e por reflexo a Aarohi relaxou um pouco sob o toque dele.
Os dedos dele desceram pra bochecha direita dela antes de ele acariciá-la com cuidado. A mão dele se recusava a sair do contato com a pele macia e brilhante dela, que era tão macia quanto algodão, e então, de repente, o canto dos lábios dele se curvou um pouco num sorriso, quando ele sentiu que a Aarohi, no sono, tava se encostando mais no toque dele.
\ Num instante, os olhos dele se voltaram pros lábios dela quando ele ouviu ela fazer uma careta de novo de dor, e inconscientemente o dedo dele da bochecha dela foi pros lábios dela, parecidos com pétalas rosas, antes de ele acariciá-los bem de leve.
Quando os dedos ásperos dele tocaram os lábios macios dela, ele sentiu algo profundo se mexer dentro do coração dele. Nenhuma garota nunca tinha afetado ele do jeito que a Aarohi e a beleza dela estavam afetando.
Nem a Aamira!
As rugas repentinas na testa da Aarohi quebraram o transe de admiração do Advaith e ele lembrou o porquê de ele estar ali.
Abaixando com cuidado o cobertor do corpo da Aarohi, ele levantou devagar a camisa de seda do pijama dela, revelando a pele branca como leite.
Uma corrente elétrica passou pela espinha dele quando a mão dele acidentalmente tocou a pele macia e delicada dela na barriga, e ele não conseguiu resistir a acariciá-la ali.
A Aarohi fez careta de novo e, por reflexo, ele massageou suavemente a barriga dela pra aliviar a dor, o que realmente ajudou. As rugas na testa da Aarohi desapareceram devagar e ele entendeu que era o momento de tirar a mão.
Pegando a bolsa de água quente da mesa de cabeceira, ele primeiro verificou a temperatura antes de colocá-la devagar na barriga da Aarohi, fazendo ela se contorcer com o calor repentino.
"Shh! Tá tudo bem.", o Advaith imediatamente alcançou a mão direita dele pra acariciar o cabelo dela, pra trazê-la de volta ao sono, e logo a Aarohi tava dormindo de novo.
Ajustando com cuidado a bolsa de água quente na barriga dela e depois abaixando a camisa do pijama dela de volta ao lugar, ele cobriu ela com o cobertor.
Certificando-se de que ela não tava mais com dor, o Advaith foi pro lado dele da cama antes de entrar no próprio cobertor.
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Era por volta das três da manhã quando a Aarohi acordou com uma dor repentina. Ela tentou se levantar, mas algo duro tava prendendo ela na cama.
Ela acendeu as luzes fracas e levantou o cobertor pra olhar embaixo dele.
Lá, embaixo do cobertor, a mão esquerda dele tava enrolada na cintura dela, por cima da camisa do pijama, segurando a bolsa de água quente direito no lugar.
Ela sentiu algo pesado na barriga e levantou com cuidado a mão dele de cima dela, quando sentiu algo escorrendo por dentro da camisa.
Tirando o cobertor de lado, ela sentou e olhou pro lado pra ver a bolsa de água quente.
Uma bolsa de água quente?
Ela franziu a testa sem lembrar quando usou a bolsa de água quente antes de dormir!
Mas logo as rugas sumiram e os olhos dela se arregalaram quando ela olhou pra pessoa dormindo calmamente do lado dela, de frente pra ela.
Será que... será que ele só...
Uma cor avermelhada subiu nas bochechas dela quando ela imaginou como ele tinha colocado aquela bolsa de água quente na barriga dela, por baixo da camisa do pijama, mas a mesma cor avermelhada logo foi substituída por rugas quando ela lembrou as palavras dele do dia anterior no hospital.
"O que você tá fazendo, Advaith?!" A Aarohi não conseguiu evitar murmurar inconscientemente, enquanto continuava olhando pra figura dele dormindo.
Em um momento, ele mostra que se importa com ela e, quando um pouco de esperança floresce no coração dela, ele mesmo vem e corta todas as raízes que levam a essa esperança, deixando ela de novo chorando pelo destino dela.
Cobriu ele direito com o cobertor dele, que ele tinha chutado pra fora no sono, ela saiu devagar da cama, agarrando a barriga doendo e foi pra varanda que tinha ali.
De pé na varanda, ela deixou a brisa gelada acariciar o rosto bonito dela enquanto ela olhava pras estrelas brilhantes no céu.
"Você vai pegar um resfriado.", a Aarohi pulou no lugar dela quando de repente o Advaith comentou por trás, e logo ela sentiu o Advaith envolvendo um xale fino nos ombros dela por trás, que ela por reflexo imediatamente segurou na frente.
Ela não teve coragem de olhar pra ele quando ele veio e ficou do lado dela, em vez disso, ela manteve os olhos fixos na cidade escura na frente dela, mas -- ela tava ciente do olhar dele sobre ela.
"Ainda sentindo dor?" Sabendo que alguém tinha que começar a conversa, o Advaith perguntou olhando direto pra ela.
"Por que você tá fazendo tudo isso?" A Aarohi perguntou, ainda sem olhar pra ele.
"Aarohi, eu concordo que não tô feliz com esse casamento e é por isso que me comporto mal com você, porque tudo isso é muito frustrante pra mim, mas eu não sou uma pessoa má. Sei que dói muito pra vocês meninas nessa época, então -- você sabe, pode me dizer se precisar de alguma coisa. Posso pegar pra você", foi a primeira vez que o Advaith tinha conversado de boa com ela e tinha mostrado outro lado dele que ainda tava escondido dela.
Advaith esperou ela listar as coisas que precisava pra evitar essa dor, mas quando ela não respondeu, ele assentiu entendendo e se virou pra ir, até que --
"Sorvete.", Advaith parou no lugar dele, mas não se virou quando ouviu a Aarohi respondendo à pergunta dele anterior.
"Sorvete! Mais alguma coisa?" Advaith perguntou, virando de novo pra ela, que ao mesmo tempo se virou pra olhar pra ele.
"E chocolates.", a Aarohi disse fofa com uma cara inocente, fazendo ele balançar a cabeça devagar, quando ele disse, "Sorvete e chocolates! Mais alguma coisa?"
"E bolos e doces também!" A Aarohi respondeu de novo, dessa vez olhando direto nos olhos dele com inocência.
"Tudo bem, vou pedir pra equipe do hotel entregar amanhã de manhã. Se quiser mais alguma coisa, pode me falar que eu peço.", o Advaith disse com um pequeno sorriso nos lábios.
O sorriso dele era quase irreconhecível, mas ela viu claramente sob o luar, que era a única fonte de luz naquela noite escura.
"Não fique aqui muito tempo ou vai pegar um resfriado." Essa foi a última coisa que ele disse antes de se virar e voltar pro quarto.
E com isso, tanto o sorriso quanto o lado carinhoso dele também foram embora com ele!
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Na manhã seguinte, quando a Aarohi acordou, o Advaith já tinha ido pro escritório, mas o que chamou a atenção dela foi o café da manhã que o Advaith tinha pedido pra ela antes de sair, e que agora tava coberto direito na mesa de centro perto do sofá no quarto deles.
Saindo da cama e indo pro sofá, ela abriu a tampa e sorriu um pouco olhando pro café da manhã bengali perfeito, com o café coado favorito dela, tudo fresquinho ali.
Ela não conseguiu evitar sorrir mais ao ver o cuidado dele com ela pela primeira vez. Mas de novo, ela também sabia que esse lado carinhoso dele com ela era só porque ela não tava bem e que ele só tava cumprindo a responsabilidade dele, como ele tinha dito no outro dia no hospital, mas ela não conseguiu controlar o coração inocente dela que queria segurar a linha dessa pouca esperança que ele tava dando pra ela.
Ela olhou de novo pro café da manhã e viu que tinha um pequeno bilhete rosa embaixo do prato. Pegando o bilhete debaixo do prato, ela abriu e olhou, que dizia ~ "Tome seu café da manhã e descanse um pouco. Seus remédios estão na primeira gaveta da mesa do lado direito. Seu sorvete, chocolates, doces e alguns doces estão guardados na geladeira na cozinha e você pode comer quando quiser. Também se quiser mais alguma coisa, peça na recepção."
A Aarohi pressionou o lábio inferior sob os dentes pra não sorrir alto, enquanto ela acariciava delicadamente a escrita curva dele naquele bilhete.
Tirando as roupas da bolsa, ela entrou no banheiro pra se refrescar antes de saborear o café da manhã, que o marido dela tinha pedido pra ela pela primeira vez desde o casamento deles.
Ela escovou os dentes e tava prestes a entrar no box, quando algo chamou a atenção dela.
Ela olhou pra mão direita dela no espelho enorme e, no momento seguinte, os olhos dela se arregalaram.
Cadê o anel dela?!
O anel tradicional da família que a Priya tinha dado pra ela no outro dia, tinha sido passado pela avó do Advaith pra Priya, que agora tinha dado pra Aarohi com muita responsabilidade, mas agora ele tava faltando no dedo anelar dela e ela nem sabia disso.
\ACulpa e o medo encheram o coração dela antes que ela corresse pra achar o anel em toda a suíte, mas não conseguiu achar em lugar nenhum.
Lágrimas queimaram os olhos dela quando ela sentou na cama deles com um baque, com medo de pensar em como vai explicar isso pro Advaith, pra Priya e pras outras pessoas.