Capítulo 22 Decisão Importante!
Quarto do Aarohi-Advaith:-
Os olhos do Advaith seguiram a esposa dele, que tava ocupada arrumando a cama pra noite. Vendo a cara dela, ele sacou na hora que ela tava bem chateada dessa vez.
Bem, não era nada novo pro Aarohi ter esperanças com ele, antes delas irem pro chão, tipo quando o coração dela era esmagado toda santa vez.
Mas o jeito suave dele com ela desde que voltaram de Deli deu uma esperançazinha pro Aarohi, que talvez, só talvez, dessa vez ele ia cumprir o que fala.
Até que—
Ela voltou pra casa com o Abhoy e viu o Advaith de boa, trabalhando no laptop no quarto deles, esquecendo que ele prometeu buscar ela na casa dela à noite.
Ela quis peitar ele e perguntar que graça ele achava em machucar ela toda hora, mas aí ela não tinha motivo pra brigar com ele, sabendo que o casamento deles não passava de uma prisão pra ele e que ele achava que a culpa era dela.
Enquanto o Advaith queria ir buscar ela na casa dela, a briga com a Aamira tava acabando com ele, e ele sabia que se visse o Aarohi naquele momento, podia acabar machucando ela de novo com as palavras e atitudes dele, porque, no fundo, no coração dele, o Aarohi era a única culpada de toda a desgraça que tava rolando no relacionamento perfeito dele com a Aamira.
Ele ignorou as ligações dela e foi direto pra casa, porque naquele momento só o trabalho conseguia distrair ele de todos os pensamentos e da raiva que tava crescendo.
Até que—
Ele viu ela entrando no quarto deles, e assim que os olhos dele encontraram os dela, ele conseguiu ver todas as expressões, da decepção à mágoa, nos olhos dela. Tinha uma pergunta naqueles olhos expressivos, perguntando pra ele: ‘Por que ele tá fazendo isso com ela? Por que ele tá brincando com os sentimentos dela?’.
—E a resposta ele também não sabia.
Ele sabia que podia se arrepender de novo de machucar ela. Mas naquele momento, ele não queria ninguém no meio da história de amor dele com a Aamira, nem a ESPOSA FORÇADA dele.
Ele suspirou quando pensou em como prometeu pra ela não machucar mais, mas com um olhar pra Aamira, ele só conseguia culpar o Aarohi por tudo que tava acontecendo na vida deles.
Ele não pode fazer isso!
Ele não consegue ser legal com ela, esquecendo que tudo que tá rolando é por causa dos problemas pessoais dela, onde o Advaith não tem nada a ver, mas tá se ferrando no meio!
Os pensamentos dele foram interrompidos quando ele não viu ela no quarto. Talvez ele estivesse muito ocupado lidando com a bagunça dele pra notar que ela já tinha saído do quarto.
Suspirando, ele levantou e foi pra varanda tomar um ar, mas em vez disso encontrou ela no jardim, passeando sem fazer nada.
Ela tava com um salwar branco e um kameez preto, com um xale fino nos ombros, e tava andando descalça na grama molhada. A cara dela tava brilhando sob a luz do luar, e o Advaith conseguia ver todos os traços dela direitinho, mesmo da varanda do quarto deles no primeiro andar.
Ele tentou, mas não conseguiu tirar os olhos dela, tão frágil e perfeita. As sobrancelhas franzidas dela eram bem visíveis, enquanto ela andava distraída, com mil pensamentos passando pela cabeça.
Os pensamentos dele foram interrompidos pelo toque do celular, e ele voltou pro quarto depois de atender, mas não sem antes dar uma olhada nela pela última vez.
Jardim:-
Ela olhou pro céu lindo, cheio de estrelas, que agora tava escuro com as nuvens escondendo a lua, e uma risada escapou dela, com os lábios curvando do canto esquerdo em um sorriso triste, antes que as lágrimas traidoras escapassem dos olhos lindos dela, em formato de corça.
Ela conseguia ligar a noite de hoje com a própria vida. Como a vida dela era linda, tipo o céu cheio de luzes piscando das estrelas e da lua, até os momentos em que as nuvens escuras da tristeza cobriam o céu, trazendo a escuridão junto.
Os olhos dela foram parar na varanda do quarto deles, e ela viu o marido dela em pé ali, apoiado na grade, enquanto conversava com alguém no telefone.
Ela sacou na hora pela expressão dele que ele tava tentando convencer alguém do outro lado da ligação.
Uns instantes depois, os olhos dele focaram nos dela, e ela viu ele olhando pra ela com atenção por um segundo, antes de voltarem ao vazio e ele desviar o olhar na hora, quebrando aquele contato visual lindo.
'Bhabhi (cunhada), o que você tá fazendo aqui sozinha?", o Aarohi se assustou um pouco, mas se acalmou na hora quando viu que a intrusa era a Aashi.
Ela olhou de novo pra varanda, mas o Advaith já tinha voltado pro quarto deles, e suspirou antes de se virar pra Aashi com um sorriso pequeno, e respondeu: 'Nada. Só tava dando uma volta'.
A Aashi concordou com a cabeça, e sentou do lado do Aarohi, mexendo nos dedos, talvez pensando em como começar o assunto.
'Aashi, você quer dizer alguma coisa?", o Aarohi, nesses dias, começou a entender a família do marido, menos o Advaith, e ela concluiu que a Aashi sempre mexe nos dedos quando tá nervosa pra falar ou compartilhar alguma coisa com alguém.
'Bhabhi (cunhada), na verdade—eu queria perguntar se o bhai (irmão) tava com você na sua casa?", a Aashi perguntou, respirando fundo, e viu o Aarohi franzindo a testa com a pergunta.
'Ele foi embora depois de me deixar na minha casa. Por quê? O que aconteceu?", o Aarohi respondeu, confusa.
'Na verdade, eu vi o Bhai (irmão) e a Aamira no café em frente à minha faculdade. Eles tavam discutindo, acho, porque eu vi a Aamira saindo do café na correria, com o Bhai (irmão) atrás dela", a Aashi contou, e ficou de olho na reação do Aarohi.
A Aashi franziu a testa quando viu o Aarohi suspirando, como se já soubesse disso.
'Bhabhi (cunhada), você não quer dizer nada? Tipo, eu sei que as coisas entre você e o Bhai (irmão) não tavam boas antes de vocês irem pra Deli, mas hoje de manhã, do jeito que o Bhai (irmão) mesmo se ofereceu pra te levar em casa, eu pensei que as coisas tavam melhorando entre vocês", a Aashi perguntou, porque ela realmente achou que o Advaith tava começando a se dar bem com o Aarohi depois do jeito gentil dele com ela de manhã.
'Sabe, Aashi, seu Bhai (irmão) é um quebra-cabeça que eu talvez nunca consiga resolver, pelo menos nessa vida. Eu não consigo entender essa mudança de humor dele em questão de segundos. Ele é todo legal e atencioso em um momento, mas completamente grosso e ignorante no minuto seguinte, tipo duas personalidades diferentes em um corpo só", o Aarohi suspirou, porque tava cada vez mais sufocante pra ela sobreviver nesse casamento, que talvez não tenha futuro.
'Eu entendo você, Bhabhi (cunhada). Dá pra entender o que tá passando na cabeça do Bhai (irmão) nesse momento. Às vezes, nem eu e o pai entendemos os humores dele. Só a mãe consegue entender ele sem ele dizer nada. É por isso que ele é mais ligado à mãe do que a mim e ao pai. Mas confia em mim, mesmo por trás dessa grosseria, tem cuidado. Tipo, você lembra do dia do seu muh-dikhaai, quando aquela tia comentou sobre seu casamento quebrado e como o Bhai (irmão) te defendeu na hora. Ele pode não mostrar, mas de alguma forma você tá nos pensamentos dele, e ele pode ser grosso com você às vezes, mas ao mesmo tempo ele não vai deixar ninguém te machucar", a Aashi disse, com um sorriso pequeno nos lábios.
O Aarohi franziu a testa, tentando entender o que a Aashi disse, e ela conseguiu ligar as coisas de alguma forma.
Ela lembrou de como ele ficou desesperado quando viu ela desmaiada por causa do enjoo da viagem, mas ele disfarçou, pra não mostrar o lado sensível dela. Ela também lembrou de como ele pediu os chocolates e sorvete favoritos dela, junto com um café da manhã bengali depois que ela teve alta do hospital.
Mas, com tudo isso, ela não consegue esquecer que ele machucou ela o dobro do carinho que ele mostrou.
'Em que mundo você tá, bhabhi (cunhada)?", a voz da Aashi trouxe o Aarohi de volta dos pensamentos, e ela negou com a cabeça, sussurrando ‘nada’.
'A propósito, o que você achou da oferta do pai de entrar pra Khurana Industries?", a Aashi perguntou, porque ela lembrou de repente que o pai dela tinha perguntado pro Aarohi se ela queria trabalhar de novo.
'Eu não sei. Tipo, tô confusa. Eu já tô com problemas com o Advaith—', o Aarohi começou, sem saber como botar pra fora os mil pensamentos na cabeça dela, só pra ser interrompida pela Aashi, que disse animada: 'Sim, então é bom você entrar no escritório, né? Desse jeito você vai ficar mais perto do Bhai (irmão) e vai ter mais tempo com ele. Você vai ter uma boa chance de melhorar a relação de vocês'.
'Sim, mas---', o Aarohi começou, mas foi interrompida de novo pela Aashi: 'Pensa direitinho, Bhabhi (cunhada). Você quer que esse casamento dê certo ou não? Eu não tô dizendo isso porque quero que você salve o Bhai (irmão) da Aamira. Tô dizendo isso porque sei que nenhuma outra garota, além de você, pode ser a parceira perfeita pro Bhai (irmão). Você se importa com ele mesmo quando ele é sempre grosso com você, então eu fico imaginando o quanto você vai se importar com ele quando vocês estiverem juntos e apaixonados, com os corações ligados pra sempre'.
Sabendo que o Aarohi precisava de um tempo sozinha pra pensar, a Aashi decidiu dar um espaço pra ela.
'A propósito, o jantar tá pronto e eu vou entrar. Você também vem logo", a Aashi disse, antes de entrar na mansão.
Enquanto o Aarohi continuou ali, sentada, pensando nas palavras da Aashi.
'Mesmo se ela não entrar no escritório pra melhorar o relacionamento dela com o Advaith, ela pode pelo menos seguir em frente na vida dela com essa nova oportunidade. Se ele não tá nem aí pra ela e pra esse casamento, então por que ela deveria se prender a esse casamento à força e deixar passar a oportunidade de crescer na carreira!?'~ o Aarohi pensou, com uma nova determinação na cabeça.
Uns dez minutos depois, o Aarohi levantou pra voltar pra mansão, mas na hora se virou franzindo a testa, porque sentiu o olhar intenso de alguém nela, mas não viu ninguém. Dando de ombros, ela voltou pra mansão.
E ao mesmo tempo, uma sombra saiu de trás da árvore, com o rosto da pessoa coberto por um capuz.
Os olhos dele foram ficando vermelhos aos poucos, enquanto encarava o nome de Khurana Mansion gravado em letras grandes no topo da entrada da mansão, antes de cobrir o rosto de novo e simplesmente sair de lá.
Tava todo mundo jantando quando a Priya viu o Aarohi em outro mundo, e na hora perguntou: 'Aarohi, o que aconteceu? Você tá meio perturbada. Nem tá comendo direito'.
'Uhh—na verdade, eu queria te contar uma coisa", o Aarohi disse, antes de olhar pra Aashi, que deu uma piscadinha incentivadora, com um sorriso enorme.
'Na verdade, eu tava pensando em voltar a trabalhar—', o Aarohi começou, só pra ser interrompida pela Priya, que disse: 'Que bom! Então por que você não trabalha na Khurana Industries também?'.
'Eu tava pensando a mesma coisa", o Aarohi disse, olhando meio nervosa pro Abhiraj, que concordou com a cabeça, com um sorriso, dizendo: 'Que ótimo. Você é sempre bem-vinda, beta. Faz uma coisa, amanhã de manhã você vem comigo e com o Advaith no nosso escritório e a gente conversa sobre o resto do processo lá'.
O Aarohi concordou com a cabeça, com um sorriso pequeno, e olhou pro Advaith, que tava comendo, sem dar bola pra conversa que tava rolando em volta dele.
Quarto do Advaith-Aarohi:-
Assim que ela entrou no quarto, ela fez um 'sshiiii' e fechou os olhos com força de dor quando a cabeça dela bateu na parede atrás, porque o Advaith a pegou de qualquer jeito, segurando com força pelos ombros dos dois lados e prensando ela na parede, com o corpo dele grudado no dela.
'No que você tava pensando quando anunciou que ia entrar na minha empresa, hein?", o Advaith rangeu os dentes de raiva, enquanto se jogava mais contra ela, assustando a coitada.
'Você.tá—me machucando, por favor!", o Aarohi sussurrou, enquanto tentava sair daquele aperto de ferro do Advaith em volta dos ombros dela, que ia deixar marca, com certeza.
'E.Você.Tá.Me.Machucando!! Não foi o bastante você ter entrado na minha vida sem avisar que agora você também quer entrar na minha empresa. O que você tá tentando fazer, hein? Quais são as suas intenções?", a raiva do Advaith tinha chegado no nível sete depois de ouvir sobre ela entrar no negócio.
Ele não consegue aguentar ela em casa, e agora ela vai ficar por perto dele no escritório também.~ A ideia já tava deixando ele maluco.
'Me.Larga!!", o Aarohi declarou de repente, olhando pra ele com os olhos vazios, de certeza pegando o Advaith de surpresa.
'Quê?", o Advaith perguntou, franzindo a testa, porque não conseguia acreditar que a garota que tava tão assustada dele um segundo atrás tava agora olhando direto nos olhos dele, sem nenhum pingo de medo.
'Eu disse, me larga, Advaith, ou você vai ver o pior de mim", o Aarohi disse, enquanto sacudia o Advaith pra longe dela, forçando ele a dar uns passos pra trás.
Ele ficou olhando pra figura dela recuando, que, sem dizer nada, entrou no banheiro, deixando ele ainda em choque.
Enquanto isso, dentro do banheiro, assim que a água caiu em cascata sobre ela, que tava cansada, ela caiu no chão, deixando as lágrimas se misturarem com a água.
Ninguém nunca tinha pegado nela daquele jeito. Ela sempre foi uma garota calma, alegre e sensata, que todo mundo gostava, e ninguém nunca tinha nem levantado a voz pra ela.
No momento em que ela respondeu pro Advaith, ela também teve medo, e se ele levantasse a mão pra ela e batesse!? Ou se ele fizesse alguma coisa proibida com ela, causando dor pra vida toda!?
Só de pensar nisso, ela tremia tanto que agora tinha medo até de respirar o mesmo ar que ele.
Depois de um banho demorado e de chorar até não poder mais, o Aarohi foi pro closet pra trocar de roupa.
Voltando pro quarto, ela procurou o Advaith, que não tava em lugar nenhum, e ela suspirou de alívio. Indo pro lado dela, ela se jogou na cama, cansada de tudo que tava acontecendo, até que o sono a consumiu.
Umas meia hora depois, o Advaith entrou no quarto, depois de se acalmar e botar toda a raiva pra fora no saco de pancadas da academia.
Ele viu o Aarohi dormindo tranquilamente deitada, depois de infernizar a vida dele, e a raiva começou a subir de novo,
Até que—
Os olhos dele foram parar nos ombros dela, onde a vermelhidão das marcas dos dedos dele tava brilhando sob a luz fraca, e os olhos dele amoleceram.
A culpa de repente superou a raiva, e ele suspirou antes de ir pra penteadeira pegar uma pomada pra ela.
Sentando quietinho do lado dela, ele tocou de leve onde tavam as marcas, ganhando um ‘sshiiii’ dela, e ele tirou os dedos na hora. Ele pegou uma pequena quantidade de pomada no dedo e passou com cuidado dos dois lados, tomando cuidado pra ela não sentir dor.
Cobriu ela direito com o cobertor, deixou a pomada na mesa de cabeceira e foi pro lado dele pegar os travesseiros e o cobertor dele, antes de ir pro sofá e se jogar ali, até que o sono o consumiu.