Capítulo Dois
Gabrielle.
Algo tá estranho e eu tô sentindo.
A real é que, desde que eu soube da prisão da Gabriella, eu não tô tranquila e não me entenda mal, não é por me sentir culpada nem nada do tipo. É só aquela sensação que você tem quando sabe que algo não tá certo, mas não consegue botar o dedo em cima.
"Você tem certeza que tá bem, Elle?" A Mia pergunta, preocupada.
"Sinceramente, Mia, acho que não tô," respondo pra ela, sendo sincera, e ela faz uma careta.
"Okay, vaca, desembucha! O que você fez? Espera, um segundo, não me diz que você tá assim por causa do que os tabloides estão falando? Desde quando você se importa com aquela sua irmã?" Ela pergunta e eu assovio.
"Que porra, Mia? Meu humor não tem nada a ver com ela, pelo menos não da forma que você tá insinuando," eu falo pra ela rápido, sem esconder minha irritação. O fato do nome da Elle estar em todos os tabloides não me chateia, na verdade, é ótimo saber que a reputação dela tá sendo prejudicada aos poucos e, mesmo que ela consiga sair dessa, as pessoas nunca mais vão olhar pra ela da mesma forma. Eu só odeio o fato do nome dela estar associado ao meu, mas acho que não tem como evitar.
"Então, o que é? O que exatamente tá rolando com você e por que você tá parecendo tão preocupada?" Ela pergunta, insistindo.
"Sinceramente, Mia, não consigo dizer com certeza o que tá me incomodando, mas tô com uma sensação muito ruim sobre algo e sinto que tô perdendo algo muito importante e, se eu não descobrir o que é, vai me custar caro," expliquei pra ela e ela me encara de volta com uma expressão ainda mais confusa.
"É sua consciência te fazendo sentir cética? Você tá sentindo algum tipo de culpa e talvez seja por isso que você fica pensando que algo pode dar errado e se virar contra você," ela sugere e, sinceramente, duvido que isso tenha algo a ver com o que eu tô sentindo no momento.
"Culpa? Ah, acho que não. Na verdade, não me sinto culpada por nada do que tá acontecendo agora porque, no fim das contas, tô fazendo tudo isso por uma causa maior e, se minha irmã tiver que passar por esse tipo de humilhação pra eu conseguir o que eu realmente quero, então que seja. Não é como se ela não merecesse de qualquer jeito. Vadiazinha sempre age como se fosse a pessoa mais perfeita do mundo e essa atitude dela me irrita até a alma," eu assovio, com desprezo óbvio.
"Sabe, às vezes, você realmente me assusta, Elle, mas eu concordo com você sobre aquela idiota estúpida. Ela sempre age como se fosse tudo isso. Acredita que eu e o Fabian estamos tendo problemas por causa dela? Aquele idiota não para de falar o quanto ele se preocupa com ela e o quão mal as pessoas tratam ela, sendo que ela é uma das pessoas mais legais que ele já conheceu. A audácia, sabe!" ela assovia, respondendo, e eu já conseguia sentir a inveja.
"Parece que você tá se sentindo bem insegura sobre o relacionamento dela com o Fabian. Você talvez ache que ela tem algum interesse nele?" eu pergunto.
"Ah, acho que não, porque pelo que eu sei, ela tá ficando com o chefe dela e o Fabian não para de falar como ela é loucamente apaixonada por aquele Liam," ela responde e eu não consegui esconder o quanto me irritei ouvindo isso diretamente de outra pessoa.
"Qual foi essa cara? Por que você pareceu tão chateada? Espera, não me diz que você ainda tá vivendo naquela fase?" Ela pergunta e eu franzo a testa.
"Que fase você tá falando?" eu pergunto, confusa.
"Bem, a fase em que você tem aquela vontade idiota de pegar tudo que deixa sua irmã feliz. Quer dizer, eu entendo que todas nós odiamos ela e tal, mas tenho que admitir que sempre achei sua atitude em relação a qualquer relacionamento que ela tenha muito estranha. Você literalmente nos fez passar por todos os meios necessários só pra ter certeza que ela nunca arrumaria um namorado decente no ensino médio e, sinceramente, sempre achei sua obsessão alarmante," ela fala e uma parte de mim se sentiu insultada.
"Então, o que você tá querendo dizer? Que eu sou obcecada pela minha irmã?" eu retruco, irritada, e ela balança a cabeça para os lados com uma expressão desaprovadora no rosto.
"Você que disse, querida, mas esse não foi o meu ponto. Meu ponto é, espero que essa cabeça não esteja aprontando algo de novo, porque eu não confio em você quando se trata de botar os olhos nos homens da sua irmã," ela respondeu e eu revirei os olhos mentalmente.
"Bem, surpresa, surpresa, eu quero ele," eu respondo, simplesmente, e a mandíbula dela cai.
"Você não pode estar falando sério agora ou tá?" ela questiona imediatamente, com uma expressão surpresa no rosto.
"Eu pareço estar a fim de brincar? Eu gosto do Liam e quero ele pra mim," eu falo pra ela diretamente e imediatamente ela bate na própria testa.
"Você tá falando sério agora? Que porra, Gabrielle! Qual é a sua de se apaixonar por homens que já estão comprometidos e que gostam da sua irmã? Não é tipo o quarto cara já?" ela solta, parecendo obviamente descontente.
"É o quinto, mas eu não tô nem aí pra quantos são. Se eu gosto deles, eu tenho que tê-los e o Liam tem que ser meu, porque alguém tão importante e influente como ele não pode e não deve acabar com a minha irmã estúpida, especialmente se eu quero ela fora do mundo da moda pra sempre," eu digo pra ela, me sentindo furiosa só de pensar em ter que lidar com a Gabriella no topo da liga na indústria da moda.
Eu pretendo manchar a reputação dela o máximo que eu puder, pra ela nunca mais subir nessa indústria e, se eu conseguir roubar um cara perfeito como o Liam dela, eu literalmente ia acabar tirando a única esperança dela de subir na vida nessa indústria.
"Então é por isso que você gosta do cara? Simplesmente porque ele é influente?" Ela retruca.
"Ah, qual é, Mia, o que você quer que eu diga? Que eu tô apaixonada por ele? É claro que não. Eu gosto dele, mas não só porque ele é influente. Ele é bonito, parece ser do tipo que se importa de verdade e já consigo dizer que ele ia ser muito, muito bom na cama também," eu respondo pra ela e ela franze a testa.
"Você é tão estranha, Elle. Então, o que você vai fazer? Seducir ele? Lembre-se que isso não é ensino médio, onde você podia facilmente controlar e manipular tudo e todos. Se ele for realmente um cara tão bom quanto eu ouço falar, então nada nesse mundo vai fazer ele olhar pra você," ela me diz, duramente, e a última parte realmente me atingiu em cheio.
"Por que sinto que você tá tentando me desencorajar e, ao mesmo tempo, me insultar?" eu assovio de volta pra ela.
"Não tô te desencorajando, tô te falando fatos na lata. Você e eu sabemos até onde você foi no passado e eu só tô tentando te lembrar do quão embaraçoso foi quando você tentou afastar o Martin da Gabriella. E se você tentar a mesma coisa com esse Liam e ele acabar te rejeitando também?" ela insinua e eu dou uma risada.
"Pára de viver no passado, Mia? Para de ficar lembrando daquela época. Não é como se eu fosse fazer algo tão burro como ficar nua na frente dele só pra fazer com que ele goste de mim e sim, eu tô bem ciente de que tenho quase zero por cento de chance com esse cara, mas não é isso que torna as coisas mais interessantes? Eu ia me sentir tola se eu realmente me apaixonasse por um cara fácil," eu respondi pra ela, confiante.
"Você é oficialmente a melhor amiga mais estranha do mundo. Enfim, deixando isso de lado, como você planeja manter a Gabriella lá dentro? Sabe, além das evidências circunstanciais, a polícia não tem realmente nada sobre ela e eles não podem mantê-la lá, mesmo que sua mãe pague eles pra isso," ela me lembra e meu humor piora.
Suspirando, "Confia em mim, Mia, eu tô bem ciente disso, mas duvido que tenha algo que eu possa fazer, além de esperar e ver como as coisas acontecem. O fato do Martin ainda estar vivo nem me deixa tranquila, porque ele pode recuperar as memórias dele a qualquer momento e isso imediatamente livraria a Gabriella de todas as acusações e aquele idiota definitivamente vai suspeitar de mim e me acusar de ser a verdadeira culpada," eu assovio, irritada.
"É exatamente nisso que eu tô pensando, garota. Por que você não acabou com aquele idiota? Você teria feito um favor enorme ao mundo," ela diz.
"Se dependesse de mim, ele estaria morto com certeza, mas eu nunca vou entender por que a mãe achou que seria melhor se a gente o deixasse vivo. Eu ia adorar ver ele morto e ido, porque tô preocupada que ele melhore e então eu vou ter que começar a pensar em diferentes formas de calá-lo, mas infelizmente, eu não posso tocar nele," eu lamento.
"Bem, você podia só encontrar um jeito de incapacitá-lo por muito tempo. Você podia subornar um médico ou, melhor ainda, a gente espera até ele sair do hospital e ficar sozinho e então a gente começa a envenená-lo aos poucos. Eu ouvi falar que tem injeções ou drogas que paralisam e decapitam as pessoas aos poucos, então a gente podia encontrar um jeito de dar pra ele ou algo assim e, aos poucos, ele vai começar a morrer e a gente nem pode ser culpada, porque todos vão achar que é por causas naturais," ela responde e eu fico chocada.
Eu sempre soube que a Mia era louca, mas pensar que ela acabou de planejar um assassinato na cabeça dela em menos de um minuto realmente me deixa perplexa.
"Mia, querida, eu te amo, mas isso foi assustador pra caramba. Nunca soube que tinha tanta loucura em você," eu digo pra ela, brincando, e ela dá uma risada.
"Bem, ultimamente, sua irmã gêmea tá me fazendo assistir séries de assassinato pra eu pensar em formas de matar ela, pra o nome dela parar de aparecer no meu relacionamento e também, tem aquela outra vadia que trabalha com o Fabian e eu juro por Deus, tanto sua irmã quanto aquela vagabunda me irritam. As palavras não conseguem explicar o quanto eu odeio elas," ela responde, eu rio.
"É bom saber que você consegue, pelo menos, se identificar com o que eu sinto. Se a Gabriella nunca existisse, eu nunca teria que ir tão longe. Tudo teria sido meu desde o começo," eu aponto e ela concorda.
"Por isso que precisamos nos livrar dela, pra você finalmente viver a sua vida como você quiser, sem ter que se preocupar com aquela sósia estúpida tomando o seu lugar e estragando tudo pra você. Agora que eu tô pensando nisso, acho que sei o que podemos fazer pra finalmente tirar ela do seu caminho," a Mia fala, ganhando minha curiosidade.
"Continua," eu digo pra ela.
"Que tal plantarmos drogas na casa dela e acusarmos ela de ser traficante?" ela fala e eu não consigo conter a gargalhada alta que escapa dos meus lábios.
"Você tá falando sério, Mia?" eu pergunto, ainda rindo.
"Bem, pra mim soa como uma ideia bombástica," ela responde e nós duas rimos da ideia bem boba dela, embora não fosse uma má ideia tentar.