Capítulo 46: VINTE E UM
O Damião e a **Kira** tavam se evitando desde o que rolou da última vez. Enquanto o Damião tava na dele só porque não queria aceitar que tava caidinho por ela, a **Kira** tava na manha por várias razões, e a maior era que ela tava com mó vergonha porque ele tinha corrido pra outra no dia seguinte, depois do que tinha rolado entre eles. Ela tava se sentindo uma baita idiota.
"Sinceramente, não entendo mais nada de vocês e tô começando a achar que tão levando essa parada na brincadeira, o que não pode ser. Pra mim, todo mundo vai morrer um dia, então, que tal a gente ir pra cima sem pensar tanto?" o **Sebastião** rosnou.
A **Laila** estalou a língua, mó frustrada.
"Você não faz ideia do quanto você é irritante, **Sebastião**? É engraçado como você fala disso, mas numa hora tá dentro, na outra tá pensando se a gente vai pra guerra com tudo ou não. Você tem alguma intenção de ir pra frente de batalha ou vai continuar só falando?" a **Laila** perguntou, completamente de saco cheio de aturar o **Sebastião** e as reclamações dele.
"Eu..." o **Sebastião** ia começar a falar, mas a **Kira** já tinha ouvido demais.
Ela bateu a mão na mesa, com tudo.
"Já chega, vocês dois!" ela levantou a voz.
"Até quando vai essa palhaçada? É assim que a gente vai resolver alguma coisa? Vocês não estão de saco cheio de brigar e discordar a cada dois minutos? Escutem aqui, eu tô de saco cheio de vocês dois com opiniões diferentes e não conseguindo concordar em nada. Pra manter a paz, prefiro que vocês guardem as opiniões pra vocês, pra gente finalmente conseguir progredir. Ficou claro?" a **Kira** mandou, e tanto a **Laila** quanto o **Sebastião** só abaixaram a cabeça, envergonhados.
"Sobre o plano, vou pensar em algo e aviso quando minhas ideias estiverem no lugar. Espero obediência e cooperação quando chegar a hora, e também não quero discussões nem discordâncias. Estão dispensados", ela adicionou, e pelo tom dela, tava na cara que ela tava puta. Assim que ela terminou de falar, saiu da sala com uma carranca daquelas no rosto.
Tanto o **Damião** quanto o **Draco** se olharam, com um olhar de quem sabia de tudo. Era a primeira vez que eles viam a **Kira** reagir assim, e dava pra ver que ela tava num dia dos infernos e que não ia ser uma boa hora pra chegar perto dela.
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O **Natanael** usou o dorso da mão pra dar um tapa na cara da **Sheila**.
"Ingrata, inútil!" ele cuspiu, mó furioso.
"Você...", ele apontou o dedo indicador pra ela, olhando pra ela com tanta raiva e frustração que parecia que ia acabar matando ela a qualquer momento.
"Você não tem sido nada além de uma desgraça pra gente, sabia? Você só faz fracassar, fracassar e fracassar mais ainda em cada chance que te dão, e você acha que eu vou continuar te perdoando e te dando mais chances de envergonhar o nome da nossa família? Você não tem vergonha, **Sheila**? Não sente culpa por estar acabando com o trabalho duro da nossa avó? Esqueceu que esse é o último pedido dela? Sabe o que é pior ainda? É que eu nem te dei nada muito difícil e, mesmo assim, você não consegue fazer nada direito, e você que é pra ser a especial? Tão inútil quanto você é?" ele questionou, mó retórico, enquanto a voz dele ecoava por toda a sala.
"Me desculpa, irmãozão", a **Sheila** chorou, com vergonha e envergonhada por não ter parado de decepcionar o irmão.
"Sinto muito, irmãozão. Sei que tô te decepcionando, e a culpa é só minha, mas prometo, irmãozão, que vou me redimir, não importa o que aconteça. Garanto que...", ela gaguejou de medo, mas a voz furiosa do **Natanael** a interrompeu.
"Cala a boca, **Sheila**, chega dessa palhaçada! Você tá prometendo se redimir faz semanas, e, em vez disso, ou quase se entrega, ou acaba custando a vida de uma pessoa. Agora me diz, **Sheila**, é isso que você chama de se redimir? É assim que você pretende se redimir?" ele perguntou, com os dentes cerrados, enquanto a agarrava pela mandíbula com força, apertando como se fosse quebrar a cara dela.
Ela chorou de dor. "Por favor... por favor, me perdoa, **Natanael**", ela implorou, com dor, mas o **Natanael** não tava nem aí pra dor dela. Ele tava furioso com ela e só queria fazer ela sofrer por ter causado tanto prejuízo.
"Sabe de uma coisa, **Sheila**, acho que já passou da hora de você parar com isso!" ele explodiu, empurrando ela com força no chão.
"Tô de saco cheio de ter que te aturar e limpar toda a merda que você faz. Tá começando a me sufocar, **Sheila**, e, sinceramente, não aguento mais. Sabe por que eu te mantive por tanto tempo e te aturei em vez de te deixar ir? É porque eu achei que, quem sabe, quem sabe, eu ia finalmente entender por que te chamavam de a pessoa talentosa, ou melhor, a especial. Mas, até agora, só mostrou que você é inútil, **Sheila**, absolutamente inútil", o **Natanael** disse, com raiva, com um olhar cansado e frustrado no rosto.
A **Sheila** correu pro lado do irmão e se agarrou nas pernas dele desesperada.
"Por favor, irmãozão, por favor, me dá outra chance, eu pr...", o **Natanael** tirou as pernas da mão dela, mas ela correu pra se agarrar de novo.
"Larga a minha perna, sua maluca!" o **Natanael** gritou, com raiva, chutando as mãos dela com a outra perna.
A **Sheila** gemeu de dor.
"Escuta com atenção, **Sheila**, não ouse me deixar mais irritado do que eu já tô com você e não me enche o saco. Fica o mais longe que puder de mim, por enquanto, e também, diga ao **Dante** pra me avisar assim que possível. Pode parecer que a Alcateia Lua Vermelha tá mais preparada pra gente do que a Alcateia Lua Prateada, o que significa que precisamos nos livrar daquela Alfa louca o mais rápido possível. Ela é mais problema do que o **Damião**, e algo sobre ela me dá um pressentimento muito ruim", o **Natanael** reclamou.
"Irmãozão", o **Arlan**, o irmão mais novo do **Natanael**, chamou.
"O que foi, **Arlan**?" o **Natanael** rosnou, irritado, porque não gostava de ser interrompido de repente.
Ele imediatamente se lembrou de que tinha dado uma ordem pra eles acharem um membro desaparecido o mais rápido possível. Já fazia dias que o **Gaio** tinha sumido, e eles não tinham absolutamente nenhuma informação sobre o paradeiro dele.
"O **Gaio** se foi, irmão, foi pra valer", o **Arlan** informou o **Natanael**.
O **Natanael** rangeu os dentes e chutou a perna no ar. "Merda! Eu sabia que aquela mulher, a **Kira**, ia ser um problema pra gente, e, por isso, vamos ter que cuidar dela primeiro, antes que ela se torne um problema ainda maior pra nós. Conseguiram alguma informação do **Gaio**?" o **Natanael** perguntou.
"De jeito nenhum. O **Dante** disse que o **Gaio** preferiu a morte a contar qualquer coisa sobre nós, mas parece que eles já sabem que não somos amigos do sol, porque o jogaram no sol e o fizeram virar cinzas", o **Arlan** informou.
A **Sheila** engasgou.
"Bem, não é interessante? Parece que nossas vítimas favoritas finalmente estão começando a briga, e o que poderia ser mais interessante do que vê-las todas morrer enquanto tentam nos eliminar?" o **Natanael** disse, com uma risada sombria, antes de virar pra **Sheila**.
"A propósito, **Sheila**, não tá na hora de parar de viver como só uma loba? Você deveria começar a se preparar pra se tornar exatamente como nós, porque não pode ser inútil pra sempre", o **Natanael** declarou impaciente.
Os olhos da **Sheila** se arregalaram de choque. Ela sempre acreditou que era a carta na manga deles e o principal acesso aos lobos, e agora, de repente, ele quer que ela pare de fazer parte deles?
"Não podemos fazer isso agora, irmão", o **Arlan** disse rapidamente ao **Natanael**.
"Se a **Sheila** morrer agora e se tornar uma vampira, ela não poderá andar ao sol como pode agora, e, se isso acontecer, o disfarce dela vai cair e ela vai estar em perigo. Eu entendo que o relacionamento dela com o **Damião** pode não estar na melhor fase, mas tenho certeza de que ele ainda se importa com ela de alguma forma e duvido que seja certo colocá-la lá fora tão cedo", o **Arlan** adicionou.
"Eu sei de tudo isso, **Arlan**, mas ela é inútil nesse momento! Eu tenho limpado a bagunça dela faz semanas e tá até piorando. Sinceramente, não vejo nenhuma razão para continuar protegendo a identidade dela quando ela nem está fazendo nada por nós", o **Natanael** reclamou amargamente, genuinamente frustrado com o fato de a **Sheila** não estar sendo nada além de um fardo naquele momento.
Ele sabia que ela era sua irmã e não podia abandoná-la, mas também sabia que já estava na hora de ela começar a lutar por sua própria segurança, em vez de ficar se escondendo atrás dos homens em sua vida.
A **Sheila** era a meia-irmã do **Natanael**, **Arlan** e **Arkansas**. Diferente de seus meio-irmãos, a **Sheila** ainda não era vampira, e isso porque seu pai é um lobo, o que a torna uma também, e sua mãe é uma vampira.
Desde criança, seus irmãos sempre a protegeram e garantiram que ela tivesse tudo o que queria, pois sua mãe sempre lembrava a eles de seu papel vital em seus planos e, por isso, o **Natanael** tinha sacrificado vidas só para garantir que sua irmã estivesse segura.
Agora, ele não tinha mais certeza se deveria continuar a protegê-la às custas de perder mais pessoas ou se deveria finalmente deixá-la lá fora para que ela também pudesse aprender a se proteger e parar de se esconder atrás dos homens em sua vida.