Capítulo 2
Na manhã seguinte, Astrid acordou super tarde, só pra descobrir que ainda tava sozinha no quarto. Sandra não tinha voltado pra casa ainda.
Já que a primeira aula dela do dia era às nove e meia da manhã e ela tinha mais ou menos uma hora até lá, ela decidiu relaxar na cama e provavelmente ler uns livros até a hora das aulas.
Mas, os planos dela foram por água abaixo quando o celular dela começou a tocar de onde ela tinha deixado.
Ela pegou e atendeu, só pra ver que era a mãe dela ligando. Sem pensar duas vezes, ela aceitou a chamada e botou o telefone no viva-voz, ainda deitada na cama.
"Astrid." Veio a voz alegre e animada do outro lado,
"Bom dia, mãe." Ela cumprimentou,
"Bom dia, querida, como vai a escola?" A voz perguntou e ela suspirou,
"A escola tá de boa. Tudo indo bem, melhor do que eu esperava."
"Okay. Seu pai e eu queríamos saber de você, já faz um tempão." A mulher falou pra ela,
"É, eu tenho estado ocupada com as paradas da escola e..." Ela fez uma pausa, depois que uma segunda ideia surgiu na cabeça dela.
Ela não tinha contado pra eles que tava fazendo um bico.
Eles iam mandar ela largar o trampo e focar nos estudos. Mesmo que eles tivessem numa situação financeira apertada, eles não deixavam ela fazer nenhum trabalho, enquanto estudava, mas aí, ela sabia que ia ter que fazer.
A irmã mais nova dela, Ava, ainda tava no ensino médio e, claro, eles iam precisar de grana pra pagar as mensalidades dela também. Eles iam ter que pagar impostos, seguro e, claro, outras despesas da casa. Ia ser muito egoísta e sem noção da parte dela, se ela impusesse todas as despesas dela pra eles também. Então, ela ia ter que arranjar o trampo e, por mais de dois meses, ela tinha se saído bem em esconder o trampo dela deles. Apesar de que ela sabia que ia ter que contar em algum momento, mas por agora, ela não podia se dar ao luxo de pisar na bola agora.
"E o quê, querida?" A mãe dela perguntou pra ela. Ela podia ouvir a voz do pai dela no fundo, perguntando pra mãe dela qual era o problema e ela sacou na hora, a expressão dela tinha mudado.
"Bom dia, pai." Ela cumprimentou ele, ignorando a pergunta da mãe dela.
"Bom dia, filhinha. Como você tá?" O cara perguntou pra ela,
"Tô de boa, pai. A escola tá indo bem e tô fazendo novos amigos também." Ela respondeu pro cara, chutando o cobertor pra longe e pegando o telefone da cama dela.
"Essa é uma ótima notícia, filhinha. Vou deixar você e sua mãe conversando agora, ela já tá me fuzilando com o olhar." Ele implicou brincando e Astrid riu,
"Okay, pai, manda um beijo pra Ava por mim." Ela murmurou pra ele,
"Vou." Ele gritou, antes de entregar o telefone pra esposa dele.
"Astrid, querida, como vai sua colega de quarto?
Espero que ela não esteja em nenhuma encrenca?" A mulher perguntou, a voz cheia de preocupação,
"Mãe, Sandra tá de boa e ela não tá em nenhuma encrenca. Ela é uma pessoa muito legal e os amigos dela também." Ela explicou pra mulher, segurando a risada.
"Okay, se cuida, foca nos seus estudos e não se esqueça de ficar longe de problemas."
"Vou, mãe."
"Eu confio em você também. Tchau." Ela mandou um beijo barulhento do telefone, que Astrid pegou no peito, sorrindo.
Elas desligaram e deram o assunto por encerrado.
A mãe dela pode ser muito super protetora às vezes.
Ela tinha falado pra ela, depois da primeira vez que ela tinha visto Sandra, que ela não gostava dela.
"Mãe, você acabou de conhecer ela faz uns cinco minutos." Ela tinha reclamado com um suspiro exasperado, enquanto elas saíam do quarto dela.
"Isso é tempo demais pra avaliar uma pessoa.
Eu não gosto nem um pouco dela, então você tem que tomar cuidado com ela. Me promete que vai." Ela tinha feito ela prometer e ela tinha, exceto que essas promessas quase nunca são cumpridas.
Depois da ligação, ela deixou o celular na mesa dela e foi pro banheiro pra se arrumar.
Ela saiu um tempo depois, enrolada na toalha e outra enrolada na cabeça, ela foi pro guarda-roupa dela pra escolher a roupa do dia. Ela demorou uns minutos pra se vestir e quando terminou, ela pegou emprestado o secador de cabelo da Sandra e secou o cabelo dela com ele.
Ela não viu Sandra de novo naquela manhã.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, Robin DeMarco tava no escritório dele com o amigo dele, Cole Valdez e, pela expressão deles, tava óbvio que alguma coisa ruim tinha acontecido.
"Isso é ruim, Rob. O que você vai fazer sobre isso?" Um Cole preocupado perguntou pro Robin,
"Como você vai explicar isso pra sua família e pra todo mundo?" Ele questionou mais, mas Robin não falou nada.
Ele tava tão pasmo que nem conseguia falar.
Como ela tinha feito isso com ele?
Ele amava ela e tinha tratado ela bem. Eles tinham planos, eles tinham feito planos juntos. Então, como ela tinha feito uma palhaçada dessas?
"Tenta ligar pra ela de novo." Ele conseguiu falar pro amigo dele, mas Cole nem se deu ao trabalho de ligar pra ela.
Ele nunca tinha gostado dela antes. Julie Martinez ou seja lá o que ela se chamava. Ele nunca tinha gostado dela, nem um pouco.
Ela era muito exigente e controladora, sempre querendo dizer pro Robin o que fazer e o que não fazer. Ela se achava a Queen B, querendo que os outros caíssem aos pés dela, adorando ela.
Várias vezes, ele tinha se perguntado o que o Robin tinha visto nela, que tinha deixado ele apaixonado por ela.
Claro, Julie é linda e de alta classe com ótimo gosto em tudo, desde moda até pessoas, mas quando chegava no interior, ela não passava de uma maçã podre.
Ele nunca tinha gostado dela e o sentimento era mútuo.
"Liga pra ela de novo." Robin falou de novo e dessa vez, Cole tirou o celular, discou o número dela e botou no viva-voz pra o Robin ouvir.
Eles receberam a mesma resposta que estavam recebendo desde a noite anterior. O número dela tava fora de área.
"Porra!" Robin grunhiu com raiva e frustração, jogando tudo na mesa dele pra longe. Todos os planos e papéis, incluindo o porta-caneta de vidro, caíram no chão e se estilhaçaram em pedaços menores contra ele.
Cole pulou da cadeira e correu pra onde ele tava fumegando de raiva,
"Robin, você tem que se acalmar." Ele falou pra ele, empurrando a cadeira dele pra longe da mesa, antes que ele pudesse causar mais danos.
"Isso não vai resolver o problema agora. Temos que encontrar uma solução melhor." Ele aconselhou ele, dando tapinhas no ombro dele devagar.
"O casamento foi anunciado pro mundo inteiro e não tem como cancelar. Quebrar as coisas não vai trazer a Julie de volta, então não serve pra nada pra gente." Ele persuadiu ele, ainda dando tapinhas no ombro dele.
"Temos que pensar em alguma coisa. Algo que possa salvar a situação em que a Julie nos colocou."
"Ela me quebrou..."
"Para com isso, mano," Cole repreendeu ele,
"Parece que você esqueceu quem você é. Você é um DeMarco. Robin DeMarco, CEO da DeMarco and Sons. Um dos bilionários mais jovens da cidade." Ele lembrou ele, como se ele tivesse esquecido quem ele era.
"Você sabe quantas mulheres morreriam por essa posição que a Julie perdeu? Sabe?
Você sabe quantas mulheres gostariam de ser sua noiva, mesmo que fosse só por um dia?" Ele perguntou pra ele,
"Eu quero a Julie. Eu preciso da Julie Martinez..."
"Foda-se ela, mano. Foda-se ela." Cole xingou com nojo,
"Ela foi embora e, pelo que eu vi, ela não vai voltar.
Você vai se matar por isso? Porra, não!" Ele fez ele virar pra ele e suspirou, tirando o lenço pra enxugar os olhos brilhantes dele.
"Você não vai derramar uma única lágrima por ela, mano. Ela não vale a pena.
Ela é que deveria estar em lágrimas agora, chorando pela perda dela." Ele afirmou como um fato.
"Como eu disse antes, deveríamos estar procurando uma solução..." Ele foi interrompido pelo celular do Robin tocando, na mesa dele,
"Deixa eu atender." Ele se ofereceu, deixando ele ir atender o telefone.
"É sua mãe ligando, Rob." Ele anunciou pra ele, levando o telefone pra ele.
"Eu não consigo atender..."
"Você vai atender. Se prepara e finja que nada aconteceu." Ele persuadiu ele,
"Você vai atender essa ligação e agir como se tudo estivesse indo bem. Não podemos decepcionar ela, agora não.
Agora, atende." Ele aceitou a ligação e enfiou na mão dele.
"Olá, Robby." Veio a voz feminina animada do outro lado e Robin suspirou,
"Bom dia, mãe."
"Meu filho precioso, como você está?" Ela perguntou pra ele,
"Tô de boa, mãe. Como você e o pai estão?"
"Seu pai tá bem, mas eu, tô morrendo de ansiedade já. Mal posso esperar pra conhecer sua noiva." Ela falou pra ele, tentando o máximo possível esconder o nível de animação dela.
Robin desviou o olhar pra Cole, que fez um sinal pra ele continuar.
"Convidei meus amigos do nosso clube do livro e também os do clube de golfe...Eu mal posso esperar pra finalmente conhecer a garota que conquistou o coração do meu filho. Eu mal posso esperar."
A ansiedade e a animação dela estavam matando o Robin, ele quase engasgou com as lágrimas.
"Você tá bem, Robby?" Ela perguntou de repente e ele suspirou, fingindo um sorriso,
"Sim, mãe. Tô no meio de uma reunião." Ele mentiu,
"Ah. Me desculpa por interromper sua reunião. Só queria saber de você. Okay, vou desligar agora, pra você poder se concentrar no trabalho." Ela concordou,
"Te amo, filho, e lembre-se do que eu te falei.
Eu quero que o casamento seja em Palm Springs. Eu vou fazer todos os preparativos necessários, tudo o que você tem que fazer é estar em casa uma semana antes da data do casamento."
"Sim, mãe, vou fazer isso." Ele garantiu,
"Okay, querido, tchau e minhas lembranças pra..."
"Mãe, vou mandar suas lembranças pra ela. Tchau." Ele cortou ela e se despediu, desligando a ligação imediatamente.
"Ela quer o casamento em Palm Springs."
"Então, um casamento em Palm Springs vai ser, só que não vai ser entre você e a Julie."
"Como assim?" Robin perguntou confuso,
"Vamos conseguir uma noiva substituta pra você." Ele anunciou e Robin ficou de queixo caído.