Capítulo 4
Robin tava ansioso e agitado o tempo todo no caminho pra casa e até quando eles chegaram em casa.
"Ah, qual é, cara, para com essa neura. Ela vai ligar de volta." Cole garantiu.
"E se ela não ligar?" Ele perguntou preocupado,
"A gente só tem duas semanas.... nem duas semanas mais.
Porra! Tô fudido." Ele grunhiu em frustração extrema, saindo pra longe do Cole.
Ele foi andando pra o mini bar e puxou um dos bancos.
"E se ela não estiver interessada na minha proposta? E se ela vazar no último minuto, tipo a Julie fez?" Ele perguntou, pegando a garrafa de Hendricks meio cheia e uma taça de shot.
Cole foi até ele e puxou o segundo banco ao lado.
Ele pegou a taça de shot dele e se serviu um pouco de Hendricks também.
"Você tá muito pessimista e eu não curto isso." Ele repreendeu depois de tomar um gole de gim,
"Nenhuma garota em sã consciência rejeitaria sua oferta.
Você vai pagar uma grana pra ela e é só por uns dois, três meses. Não é nada difícil." Cole garantiu,
"Ela só tem que fingir ser sua noiva por uma semana, depois sua noiva por no máximo três meses, qual a dificuldade nisso?" Ele perguntou retoricamente,
"Nenhuma que eu veja." Ele respondeu pra si mesmo, suspirando depois.
Robin virou o próprio shot e bateu a taça com força no balcão.
"Grrrr." Ele grunhiu alto, pigarreando e o Cole riu, dando um tapinha no ombro dele.
"Se ela não ligar hoje, a gente volta no restaurante amanhã e fala com ela pessoalmente." Ele sugeriu,
"Se ela não estiver interessada, a gente procura outra pessoa.
Mas eu sei de uma coisa, nenhuma garota em sã consciência rejeitaria uma oferta dessas a menos que ela esteja num relacionamento sério.
Aquela garçonete parece muito nova pra estar num relacionamento sério." Ele garantiu,
"Tem mais de mil garotas nessa cidade, Rob, a gente pode escolher qualquer uma delas.
Não precisa ser só ela."
"Beleza." Robin suspirou, se servindo outro shot de Hendricks.
"Ah, qual é, mano, vamo fazer outra coisa.
Tá muito cedo pra ficar deprê no domingo." Cole falou, empurrando a taça de shot vazia e levantando do banco,
"Vem pra sala de jogos quando você se recuperar." Ele falou pro Robin e saiu na direção da escada.
Vendo que o amigo tinha ido embora, ele pegou a garrafa de Hendrick e a taça de shot e foi atrás do Cole.
Astrid voltou pro apartamento mais cedo do que o normal, depois de trabalhar mais de dez horas no Queens.
Sandra e Tasha, uma das gêmeas, estavam no quarto quando ela entrou, parecendo exausta.
"Garota, você parece que foi atropelada por um trem." Tasha comentou, ganhando uma risada da Sandra. Astrid só suspirou, indo em direção à cama dela.
"Você parecia bem acabada. Já comeu alguma coisa?" Sandra perguntou preocupada, levantando da cama pra ir até ela na dela.
"Já. Já comi, só preciso tomar um banho e dormir pra essa fadiga ir embora."
"Beleza. Vamo te dar um pouco de privacidade.
Você precisa dessa noite de sono mais do que qualquer pessoa." Ela ofereceu e então se virou pra amiga, fazendo sinal pra ela levantar da cama,
"Valeu, Sandy." Astrid falou cansada e a garota assentiu.
"Antes de agradecer, vamo te tirar dessa cama pro chuveiro e aí, você pode me agradecer o quanto quiser." Ela ofereceu e começou a puxá-la da cama.
Astrid tomou a iniciativa e levantou, então foi pro banheiro.
Do banheiro, ela ouviu a porta fechar e ela imaginou que a Sandra e a amiga dela já tinham ido embora.
No entanto, tirando a roupa, algo caiu do bolso da saia dela. Pegando o papel, ela lembrou o que era e imediatamente abriu pra ler o conteúdo.
"Bom dia, senhorita.
Sinto muito por essa abordagem grosseira, mas não tive escolha.
Tenho uma proposta pra você. Aqui está meu cartão. Me ligue se estiver interessada."
Ela desviou o olhar da nota pro cartão do homem.
ROBIN DEMARCO, CEO DA DEMARCO AND SONS INC.
O número do celular, telegrama e endereço do escritório dele também estavam inscritos no cartão.
Ela virou o cartão e a inscrição D.S.Inc. estava elegantemente gravada ali também.
Ela deveria ligar pro número ou não?
O que um homem como Robin DeMarco ia querer de alguém como ela?
A proposta que ele tinha mencionado; que tipo de proposta seria essa?
Ela não conseguia se lembrar de ter dito a ninguém que precisava de um emprego ou algo do tipo.
Talvez ele tivesse confundido a identidade dela ou, a Stacey não sabia pra quem era a nota.
Uma dessas duas coisas, mas definitivamente, essa nota não é pra ela.
Ela dobrou de volta e guardou na pia, anotando mentalmente pra devolver pra Stacey no dia seguinte.
Ela não gosta de guardar coisas que sabe que não são dela.
No dia seguinte, Astrid tava terminando o turno da noite, quando o Manny, outro colega dela, veio até ela, pra dizer que um homem tava esperando por ela lá fora.
"Eu?" Ela perguntou pro cara, pra ter certeza.
"Sim. Ele tá com outro cara e a descrição que deram, só serve pra você. Exceto, tem outra garota loira de olhos azuis claros que tá trabalhando aqui que eu não conheço. Tem?" Ele perguntou e Astrid, ainda confusa, balançou a cabeça.
"Então, é você que ele tá procurando.
Eu sugiro que você vá ver ele e saber por que ele tá te procurando. Ele não parece que vai sair tão cedo." Ele informou antes de deixá-la decidir se ia ou não ver os visitantes.
Ela suspirou e deixou o que tava fazendo pra ir ver quem era lá fora. A intuição dela disse que podia ser o Robin DeMarco, mas ela não queria ter muita esperança.
O que um CEO bilionário como Robin DeMarco ia querer de uma garçonete comum como ela?
Absolutamente, nada.
Ela abriu a porta e tinha dois homens lá fora, a atenção deles totalmente voltada pra ela.
Astrid escondeu o desconforto e o nervosismo muito bem, indo em direção aos homens.
Um tinha cabelo preto, enquanto o outro, cabelo castanho encaracolado. Eles eram quase da mesma altura, exceto que um parecia mais forte que o outro. Ambos usavam uma calça jeans preta cada um, enquanto o mais forte, com cabelo preto, usava uma camiseta branca, o outro usava uma camisa azul xadrez de manga curta.
"Boa noite, senhor." ela cumprimentou os homens,
"Boa noite, senhorita," o da camiseta branca respondeu,
"Oi, senhorita?" O outro perguntou e ela assentiu.
"Ehm...Eu fui quem enviou a nota ontem." O homem da camiseta branca disse pra ela, dando um passo mais perto dela.
"Eu sou o Robin DeMarco e este," ele se virou pro cara ao lado dele, "este é meu melhor amigo, Cole Valdez." Ele se apresentou pra ela,
"Eu sou Astrid Jones." Ela respondeu pra eles.
"Nome legal, Astrid."
"Valeu, senhor DeMarco..."
"Só me chame de Robin."
"E você, madame, pode me chamar de Cole."
"Beleza." Ela suspirou, olhando pra longe, constrangida pelas palavras deles.
"Como eu disse antes, eu enviei a nota ontem.
Eu... você vê, eu tenho uma proposta e eu tava esperando que você estivesse interessada nela." Tudo que Astrid conseguiu dizer depois que ele terminou foi,
"Beleza." E isso meio que frustrou o Robin.
Beleza como em o quê? Beleza como em tô interessada ou beleza como em continua. Qual deles?
"A gente pode ir pra um lugar mais privado?" Ele perguntou em vez disso, olhando nervoso ao redor do local. Não que estivesse barulhento ou perigoso, mas ele não se sentia confortável falando sobre algo tão pessoal num espaço tão aberto.
"Eu conheço um bar não muito longe daqui, a gente podia ir lá." Ele ofereceu, mas como ele esperava, ela se recusou a ir com eles.
"Eu não conheço vocês, além de que tá bem tarde e eu não fico fora até tão tarde." Ela afirmou como um fato, rejeitando a oferta deles.
"Beleza... Sinto muito por ter feito essas sugestões.
Provavelmente, a gente podia marcar uma reunião amanhã de manhã..."
"Eu tenho aulas pra assistir." Ela o interrompeu gentilmente,
"Beleza. Quando você tiver tempo, a gente podia marcar uma reunião e conversar sobre isso no brunch ou jantar, o que for mais conveniente pra você." Ele explicou pra ela.
"Beleza." Ela falou, evitando o olhar dele.
"Você tem meus contatos pessoais e profissionais e eles estão sempre disponíveis vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana." Ele garantiu, soando tão convincente quanto sempre. Astrid só assentiu, falando outro beleza pra eles.
"Você já terminou seu turno? A gente podia te deixar no seu lugar, se você não se importar." Cole ofereceu de onde ele tava, mas ela recusou quase que imediatamente.
"Valeu pela oferta, mas eu não terminei e minha casa é logo ali na esquina. Eu consigo ir a pé."
"Tem certeza? A gente podia esperar você terminar..."
"Não!" Ela quase gritou,
"Quer dizer não, eu consigo ir a pé. Não é tão longe assim." Ela garantiu, sorrindo nervosa.
"Beleza, se você diz." Ele recuou,
"A gente já vai indo agora." Robin falou pra ela,
"Não esquece do que a gente conversou." Ele lembrou e ela assentiu, mostrando um sorriso falso.
Ela viu eles entrarem no carro depois de dar tchau pra ela. Imediatamente o carro saiu de vista, ela correu pra dentro do restaurante.
Ela não confia nesses homens ricos nem um pouco.
Poderiam estar esperando ela sair, pra sequestrá-la e levá-la pra algum lugar desconhecido.
Ela nunca ia ser presa nas artimanhas deles.