Capítulo 129 Song Mu ficou atordoado
Pela atitude de Chen, a parada deu uma aliviada. No olhar, tinha um quê de expectativa. Ele encarou bem nos olhos de Song Mu e viu a cara de quem tá ganhando, tipo: “tô ligado que vou vencer”. Parecia que ele tava decidido a vencer, que Song Mu tinha que concordar com o pedido dele dessa vez.
“Quê? Pra eu ser seu mestre? Tá de sacanagem? Você é um ‘gênio do xadrez’ e me pede pra te ensinar, uma ninguém como eu?”
Song Mu ficou chocada, olhando com uns olhos arregalados e incrédulos para Yichen, pensando que ele devia ter dado um tilt no cérebro pra falar uma maluquice dessas.
“Acha que tô de brincadeira? Tá na cara que eu tô falando sério!”
Segundo a manhã, deu uma leve franzida na testa, apertou os olhos igual a lua crescente, deu uma pigarrada de propósito, olhou pra Song Mu com uma cara séria, pensando no seu lado mais valentão pra Song Mu “ter que” concordar com o pedido dele.
“Tipo assim, eu sou só uma novata no xadrez, você é um mestre experiente, tá ligado? Talvez tenha sido só um golpe de sorte ter te vencido dessa vez…”
Song Mu não tava com medo, nem um pouco. Pra ela, ele era só um “tigre de papel”.
Mas recusar na lata não era muito o estilo dela, e gente como Yichen, que tá sempre no topo da parada, deve ter uma resistência psicológica meio fraca, então usar umas meias palavras e ser modesta era o que importava.
“Nossa, como eu penso nos outros”, Song Mu quase se gabou por dentro, e as sobrancelhas não paravam de subir.
“Não tô nem aí. De qualquer jeito, se você não prometer hoje, não sai daqui por nada nesse mundo.”
Vendo que Song Mu tava quase saindo fora, segundo a manhã deu um passão pra frente dela, abriu os braços pra trancar o caminho, olhando pra Song Mu de cima, tipo uma muralha.
“Aí, aí, qual é a sua? Agora a gente vive numa cidade civilizada, vou te dizer…”
Bem na hora que Song Mu ia levantar a mão pra empurrar Yichen de uma vez, Nanbai, que tava ali por perto, não aguentou mais. Ele foi pra frente rapidinho e partiu pra cima antes de Song Mu, dando um tapa naquele cara que parecia forte, mas era de porcelana.
Os olhos escuros ficaram indecifráveis, cheios de um olhar assassino que dava calafrios, a aura toda do corpo caiu no extremo, tava tão tenso que dava pra sentir a falta de ar.
“Por favor, respeite nossa mocinha e não tente encostar nela.”
Os olhos de águia de South White estavam grudados em Yichen, a cara escura parecia que ia soltar tinta, a frieza no temperamento, o tom indiferente, era um robô de gelo, sem sentimento.
“Vou mandar alguém te levar pro hospital mais tarde, eu pago a passagem e os remédios... Ainda tenho umas coisas urgentes pra resolver aqui, então vou indo. A gente se vê.”
Song Mu se escondeu atrás de Nanbai e viu que tava livre, foi ligeiro e puxou um “tchau” no final da frase de Nanbai, e falou sem respirar. Daí, logo de cara, puxou Nanbai uns dois ou três passos pra longe e já pulou no carro.
“Motorista, corre, pisa fundo no acelerador, e o cara ali atrás ainda não reagiu!”
Song Mu botou a cabeça pra fora, na fresta do lado do motorista. A pessoa desesperada que não sabia de nada ia pensar que era alguma parada sinistra, sei lá, pra ir pra reencarnação ou fugir da morte.
“Whoosh-”
O motorista ouviu Song Mu direitinho. Sem falar nada, pisou no acelerador com tudo. Viu um vulto passar pelos olhos, e não deu pra saber que bicho era, tipo uma flecha, veio com tudo e surpreendeu geral.
Song Mu tava de olho na situação atrás do carro pelo retrovisor. Pela cara dela, que não piscava, dava pra sentir a tensão. Ela tava com medo de que um carro que ela não queria ver aparecesse de repente no retrovisor.
Depois de ficar olhando por uns segundinhos, o retrovisor ficou tranquilo, e não apareceu nada. Song Mo respirou aliviada e caiu no banco de trás, feliz por ter tomado uma decisão esperta.
“Senhorita, tem um carro seguindo a gente. Parece que é o carro que tava na discussão com a gente antes.”
Na hora que Song Mu tava quase chegando no Pavilhão Pingnan, o motorista deu uma olhada de relance no retrovisor e viu o “veículo do acidente” seguindo de perto. Achou familiar, mas não tinha certeza, então não falou nada.
“Quê! Mentira, como esse cara pode ser tão insistente? Já falei que não dá. Que mais ele quer?”
Song Mu ficou com uma pontada, levantou do banco e olhou pra trás com tudo. Viu a sombra do carro familiar, o coração cheio de ódio e raiva. A cara que foi escurecendo ia explicando tudo.
Vendo que já estávamos chegando no Pavilhão Pingnan, a situação era de “encruzilhada”.
Se virasse agora e fosse embora, com certeza não ia chegar no tempo que Gu Jingxiu pediu. Se a pessoa atrás não existisse e ela fosse direto, a relação dela com o Terceiro Irmão e a Família Aaron podia ser descoberta na hora.
Song Mu ficou ali, dividida. Por um tempão, ela nunca tinha pensado em ficar tão enrolada como hoje.
“Mocinha, é hora de descer.”
A voz grave e respeitosa de South White tocou nos ouvidos dela. Song Mumeng de repente voltou pra realidade. Quem diria que ela tinha ficado só pensando e já tinha chegado na porta de casa?
“Deixa pra lá, vamos devagar, como você quiser.”
Song Mu balançou a cabeça, pulou do carro, relaxou as sobrancelhas e fez uma cara tranquila, e foi andando em direção ao portão da mansão com passos ousados e sem frescura.
“Terceiro irmão, cheguei.”
Ao mesmo tempo, olhou pro relógio que tava na parede, e o ponteiro dos minutos parou em doze, não tinha passado nem um minuto, nem menos de um minuto. Que sorte encontrar uma parada dessas.
Nessa hora, Gu Jingxiu não tava em lugar nenhum, tava sentado no sofá no meio da sala, com as mãos cruzadas no peito, e a cara sem expressão, esperando que a porta na frente dele fosse aberta no tempo certo.
Exatamente nove horas… Essa menina é boa pra caramba em chegar na hora. Eu, hein, não sou tão preciso quanto ela. Essa ideia foi usada de forma torta.
Gu Jingxiu balançou a cabeça, sem jeito. Não importa o quanto as crianças dele aprontassem, o que importava, é que dessa vez elas tavam sendo obedientes, então não tinha motivo pra brigar.
“Aí, vem cá.”
Gu Jingxiu bateu no lugar vazio do lado dele e fez sinal pra Song Mu chegar perto.
A suavidade da face condensou no fundo do olho, a voz magnética soltou um sexy, os cantos da boca soltaram um sorrisinho malvado, olhando de cima a baixo pra Song Mu, indecifrável, escondendo sentimentos perigosos que ninguém entende.
O coração de Song Mu de repente começou a bater, tipo, tum tum, sem parar, um impacto violento, confusão, parada ali parecendo perdida, ir não dava, ficar também não dava.