Trio
“Se a gente não tivesse vindo, você podia ter ido com aquela pessoa pra Terra dos Sonhos e ficado presa na armadilha dele.” Escuro falou do meu lado. “Tipo, o Sombra te salvou antes, mas eu também tô aqui, fala a real.” Ele adicionou. Eu só balancei a cabeça. Antes a gente tava andando, procurando um lugar pra passar a noite em segurança.
Enquanto a gente andava, o Escuro tava falando, o que me fez rir porque o Sombra tava claramente puto.
Liderando o Sombra quando a gente anda, eles não se dão bem com o Escuro e toda vez que o Escuro fala o nome do Sombra, ele fica irritado.
“Sabe, só uma opinião de amigo, qual é, Lua. Cê pode tentar prender o cabelo? Não tá sentindo calor por causa do cabelo?” Escuro me perguntou, eu ri e revirei os olhos pra ele.
“Você parou. O Sombra já tá irritado.” Eu sussurrei. Ele também riu e chegou perto de mim, depois sussurrou.
“Deixa ele pra lá, ele não pode fazer nada pra me calar.” Ele sussurrou, então eu balancei a cabeça.
“Cê não é mimada pela Saliva Lua?” Escuro me perguntou.
“Claro que não.” Eu respondi.
“E aí, Sombra? Cê não falou antes, parece um cano, porque não fala. Engoliu a língua?” Escuro perguntou pro Sombra, mas eu sabia que ele tava zoando o Sombra.
O Sombra ficou sem palavras.
“Bom, ele pode ficar quieto, qual é? Se fosse eu, podia ter morrido quieto antes.” Escuro perguntou.
A gente parou de andar quando o Sombra parou na nossa frente. Ele virou pro Escuro, a aura dele tava ruim, então eu escolhi mediar entre os dois porque podia dar merda.
“Cê não vai calar a boca mesmo?” Sombra perguntou, bravo.
“Não, enquanto eu quiser falar, cê não pode fazer nada.” Escuro provocou.
Eu fiquei imediatamente alarmada com o olhar do Sombra pra faca do Escuro.
“Se você não calar a boca, é melhor eu enfiar a língua. Cê não pensa? Cê faz muito barulho, quando o inimigo ou o monstro escutar a gente, provavelmente a gente vai tá morto.” O Sombra, irritado, falou pro Escuro, eu peguei a faca do Sombra, então ele olhou pra mim.
“Já chega, não briguem mais, a gente não tem tempo pra vocês brigarem mais. Essa não é a hora pra isso. Tá ficando escuro, a gente precisa de um lugar pra ficar.” Eu falei, então o Sombra encarou o Escuro, que só sorriu.
“Por que ele tá com a gente?” Sombra me perguntou, bravo.
“Porque Trio é o tema do jogo.” Escuro respondeu.
“Cê não é com quem eu tô falando? Cê tá me deixando muito puto, não tá?” Sombra falou, bravo, pro Escuro e empurrou ele. Eu puxei imediatamente o Sombra pra longe do Escuro antes que ele pudesse dar um soco.
“Posso, por vocês, crianças.” Eu falei, irritada, então o Sombra se endireitou.
“Se vocês não se ajeitarem, eu vou arranjar outro parceiro.” Eu ameacei, então o Sombra me olhou.
“Escuro, para de zoar, e você, Sombra. Seja paciente, não seja esquentado.” Eu falei e encarei eles. Era como se eu tivesse duas crianças me repreendendo pelo que elas tavam fazendo.
“Agora, tudo que a gente tem que fazer é achar um lugar pra ficar. Antes que escureça, bora.” Eu falei e tomei a frente. Porra, com toda essa dinâmica, eu posso fazer de vocês um trio, eles são mesmo…
Não vai dar cinco minutos pra eles não brigarem.
“Lua.” Eu parei de andar e encarei eles, a mão do Escuro apontando pra esquerda, então eu olhei pra lá.
De onde eu tava, eu notei uma estrada levando pra uma casa feita de doce.
“Casa feita de doce?” Eu perguntei.
“É só João e Maria?” Falou o Escuro, que já tava do meu lado.
Eu virei pro Sombra, que também tava olhando pra casa.
“A gente pode passar a noite lá.” Falou o Sombra.
“Sabe que tem uma bruxa quando a gente dorme lá, quando a gente acorda, a gente é só alma e não tem mais cabeça.” Escuro falou, então eu encarei ele. Ele só sorriu pra mim.
“Checa se tem alguém lá dentro.” Sombra ordenou pro Escuro, que fez uma cara de deboche e riu.
“Por que eu? Cê não tá mais perto.” Escuro falou, eu tava tão chateada. Parece que eles vão brigar de novo.
“É hora de eu dar uma espiada.” Eu falei e tava pronta pra andar quando o Escuro me parou.
“Deixa eu ir.” Ele falou, mas o Sombra de repente foi andando.
“Não, eu vou.” Sombra falou.
“Não é você mais.” Escuro sussurrou. Eu revirei os olhos. A gente assistiu o Sombra se aproximar da casa, ele deu uma espiada pela janela, depois foi até a porta e abriu. O Sombra olhou pro nosso comportamento por mais alguns minutos.
“Ninguém, seguro.” Sombra falou.
“Bora.” Eu falei, mas o Escuro me parou, então eu olhei pra ele.
“Cê não tá se perguntando por que não tem ninguém lá, se é possível ter alguém comigo.” Escuro falou, franzindo a testa pra mim. Ele me olhou e riu.
“Claro que cê não entende, cê é lenta.” Ele falou, depois pegou uma pedra e mirou na parte de dentro da casa.
“Aí, Sombra, sai da frente.” Escuro falou e depois jogou a pedra que ele tava segurando dentro da Casa, quase acertando o Sombra, mas como ele foi rápido, ele conseguiu desviar.
“Se abaixem!” Sombra gritou, então a gente imediatamente deitou e em um momento a casa de repente explodiu.
Eu me senti assustada enquanto encarava a casa dilapidada.
“Cê tá bem, Lua?” Sombra perguntou enquanto se aproximava da gente. Eu balancei a cabeça e olhei pro Escuro.
“Nada, sou só eu. Eu sei que sou esperto, não me diga mais.” Ele falou, então o Sombra se virou e eu ri.
“Bora, a gente precisa achar um lugar pra ficar de novo.” Falou o Sombra.
“Um que não exploda.” Eu adicionei, então eles riram. Sombra andou primeiro, enquanto o Escuro e eu estávamos atrás dele. De repente, o Escuro parou de andar e me puxou, então a minha testa ficou enrugada. Eu olhei pro Sombra, que só continuou andando.
“Por quê?” Eu perguntei, Escuro me olhou.
“Ele é o impostor da gente.” Escuro falou enquanto olhava pro Sombra.