Primeira Classe
Estávamos na frente da sala de história e eu tava MUITO nervosa pra entrar, porque eu sabia que os alunos lá dentro eram os alunos que eu tinha encontrado mais cedo.
"Relaxa, eles não mordem." Chuva disse e me abraçou. Olhei pro Cloud, que tava lendo um livro, esperando a gente entrar na nossa sala de História.
"Cê tá nervosa?" perguntei pra ele, ele me olhou e fechou o livro.
"Não, tô até mais confiante." Ele disse.
"Tomara." Eu falei, olhei pro lado esquerdo do Cloud, pra ver o outro prédio.
"Onde é a sala do Zero?" perguntei.
"Por que você tá procurando a sala do filho do dono da Luar?" Cloud perguntou.
"Só curiosidade." Respondi e respirei fundo. Será que é no outro prédio? Eu só quero ser amiga.
"Se você quer ser amiga dele, não espere. Porque nobres como ele, definitivamente, não fazem amizade com gente como a gente." Ele disse. O que, na real, é a verdade.
"Bora lá." Estrela falou, quando a porta da sala de História abriu, deixei o Cloud entrar primeiro, enquanto eu olhava de novo pro Prédio na nossa frente. Sorri quando vi o Zero parado onde ele tava antes, olhando pra mim.
Dei um tchauzinho pra ele, sorrindo. Ele só sorriu pra mim e, de repente, sumiu. Ele tem o poder de sumir de repente?
"Uma colega de classe nova sua parece louca." Fiquei surpresa com o que a pessoa falou, olhei na hora pra frente e vi uma velha me olhando.
"B-Bom dia." Eu falei, de onde eu tava, dava pra ouvir as risadas dos meus colegas lá dentro.
Fiquei arrasada ao perceber que eu era a única parada do lado de fora da nossa sala de História, o Cloud já tava na cadeira. Será que ele já tinha se apresentado?
"Talvez você queira entrar?" A velha na minha frente perguntou, talvez ela seja nossa professora de história. Como ela disse, entrei na sala de história e fiquei impressionada com o tamanho dela. Tem um quadro enorme na frente, do tamanho da parede dessa sala. Cadeiras de ouro pros alunos sentarem e alguns equipamentos de ensino de História.
"Se apresente." Diz a nossa professora, então ela fechou a porta, fiquei tímida um pouco porque eu e nossa professora de história somos as únicas pessoas paradas na frente, enquanto meus colegas estavam sentados nas suas cadeiras.
"Oh, a favelada tá aqui!" Olhei pro meu colega que falou isso, os sussurros ecoaram de novo na nossa sala de aula.
"Idiota!"
"Vadia!"
"Barata!"
"Ela é só uma puta óbvia." Um papel amassado bateu no meu rosto, fazendo os alunos rirem.
"Hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha!"
Calma, Lua, não deixa nada acontecer, porque você é só uma iniciante e eles são criaturas fortes. Se posicione, Lua.
"Cala a boca! Para, se não quiser um F negativo nas suas provas!" Nossa professora de história gritou e calou eles. Sorte que eles têm medo de botar um F na prova.
"Srta. Lua, se apresente." Ela disse, por isso respirei fundo antes de encarar meus colegas de novo.
"Meu ..... nome é ..... Lua Laureen Venenosa ... Eu sou ..... Levita e eu sou uma daquelas escolhidas da RF--" Eu não consegui continuar o que eu ia falar, quando, de repente, meus colegas riram.
"Temos uma colega Levita, galera!" Um homem no fundo gritou, o que deixou meus colegas ainda mais barulhentos.
Eu só fui e me forcei a me acalmar, não quero mostrar que sou fraca como eles dizem, mas com o que eles estão fazendo comigo agora, como jogar papel em mim, minha autoestima tá ficando mais fraca.
É assim aqui? Só porque minha única habilidade é ler mentes, eu sou fraca? Só porque eu tenho uma habilidade, eles me subestimam?
Foi culpa minha nascer só com uma habilidade?
É culpa minha eu ser da tribo de Levita?
"Sente-se." Nossa professora disse e apontou pra um lugar vago no fundo, onde tinha outra vaga do lado. Eu fui andando pra lá.
Eu já tava sentada na cadeira, onde nossa professora de história tinha me ensinado, uma mulher do meu lado, de repente, se afastou da cadeira e pareceu enojada que eu pudesse estar perto dela.
Só ignorei isso e olhei pra janela perto da porta da sala de história. Ouvi que a discussão da nossa professora tinha começado, mas nada mais entrou na minha mente além dos erros dos meus colegas comigo.
Parei quando vi o Zero, que de repente parou de andar e espiou pela janela, então sorriu pra mim, olhei pros meus colegas que só estavam focados na discussão da nossa professora. Virei meu olhar pro Zero, que tava carregando um caderno e escreveu alguma coisa e, então, se virou pra mim. Primeiro olhei pros meus colegas pra ver se eles conseguiam ver a carta do Zero, mas eles só estavam focados na lição da nossa professora.
*'Não chore'* Foi o que o Zero escreveu no caderno que ele tava segurando. Franzi a testa e toquei minha bochecha, foi aí que percebi que minhas lágrimas estavam escorrendo, mas eu nem tinha notado. Limpei na hora e olhei pro Zero com outra carta.
'*Vamos pro recreio juntos.*' Foi o que ele disse, então olhei pra ele me olhando, balancei a cabeça e sorri.
"Srta. Lua, pode se levantar, por favor." Meus olhos arregalaram quando nossa professora me chamou. Levantei e olhei pra nossa professora, confusa. Todos os olhos dos meus colegas estavam em mim.
'Pode repetir o que eu disse?" Ela perguntou. Engoli seco, porque eu nem sabia o que ela tinha dito, porque eu tava olhando pro Zero.
"S-Senhorita, d-descul ---"
"Burra, hahahahahaah." Um dos meus colegas gritou, fazendo a sala de aula fazer barulho de novo.
Só ficou quieto quando a Red se levantou, de repente.
"Sim, sim, ela é burra, mas dá pra vocês ficarem quietos? A voz de vocês tá machucando meu ouvido." Ela disse, então olhou pro relógio.
"Vou responder a pergunta. A época antiga da filosofia grega aconteceu em Atenas, no século 5 a.C. Começando no auge da república romana, o pensamento cristão foi central pra filosofia, pelo menos até o Iluminismo. É isso, podemos fazer uma pausa agora..." Red disse e saiu da sala na hora. Ficamos quietos aqui, quando o sinal tocou, de repente, sinalizando o intervalo.
"Lua, bora." Chuva disse, se levantando, peguei minhas coisas e fui até nossa professora.
"Desculpa, senhora." Eu falei, então corri pra Chuva.