Capítulo 4
Visão da Mariline
Meus olhos abriram de um jeito gigante e eu chequei a hora. Eram 4:00 da manhã.
Ah, ele era gato. Não consigo acreditar que tive um sonho desses. Sem mais sonhos quentes com o Caleb. Definitivamente vou atrás do Liveda quando o vir de novo. Ai, doeu meu coração. Onde vou vê-lo de novo? Meu rosto ficou triste quando percebi que era só um sonho, mesmo que parecesse real.
Desci as escadas pra cozinha pra pegar um pão, porque tava com fome, e quando me virei pra sair, uma sombra me assustou até a alma. Parecia misteriosa, mas quando vi um pouco melhor, tinha chifres e garras afiadas. Comecei a ofegar pesado, e rios de suor cobriram meu rosto.
"Quem tá aí?" falei. Era pra minha voz sair firme, mas pareceu um filhote com dor, em vez disso. Ah, que bom, agora como a criatura vai saber que eu não tô com medo? Essa droga de sonho Elimen tava me perturbando, mesmo que eu não aceite que sou Elimen.
"Você não pode fugir de mim, Elimen. Vou consumir sua alma até sua existência desaparecer."
Ele disse e se moveu pra frente, agora eu podia realmente ver e não só uma sombra. As presas eram pontudas e sangue venenoso escorria.
Eu ainda tô viva, então de quem seria esse sangue? Comecei a sentir tontura e rejeitei a ideia que passou pela minha cabeça. Não pode ser nenhum da minha família. O monstro chegou muito mais perto e, em vez de correr, fiquei lá, com admiração. Tinha o maxilar perfeito, olhos azuis com sobrancelhas arqueadas. Como um monstro pode ser tão bonito? Levantei minha mão e toquei a bochecha dele. Surpreendentemente, ele não me matou nem correu. Em vez disso, me puxou pra perto, envolvendo a mão na minha cintura. Tinha algo nessa criatura que parecia familiar. Aqueles olhos azuis me lembraram o Liveda.
"Devo jogar um jarro de água nela?" ouvi uma voz fraca que parecia a da Adrenia.
"Somos os bonzinhos agora, lembra?" outra voz disse, e eu tinha certeza que era o Carmalo. De repente, o monstro sumiu e eu abri meus olhos. Espera aí! Espera aí, pensei. Eu tive um sonho dentro de um sonho? Mas eu tinha acordado às quatro e ido pra cozinha...
"Já tava na hora de acordar, tava pensando na pegadinha pra fazer com você enquanto dormia. E, por favor, Mari, toda vez que tiver um sonho erótico, não deixe transparecer no seu rosto."
Olhei pra minha irmã irritante e me virei pra olhar pro Carmalo. Ele tava se engasgando de tanto rir, e isso me fez sorrir. Ele era tão fofo...
"O que você quer dizer com sonho erótico?" observei os dois e vi a troca de sorrisos.
"Você conta pra ela", disse o Carmalo enquanto olhava pra Adrenia.
"Não, você conta", ela respondeu. Eles ficaram trocando palavras e eu tava perdendo a esperança de conseguir alguma informação deles.
"Tá bom, tá bom, tá bom, eu conto pra ela. Vê, Mari, você tava soluçando no seu sonho, ok? Aí, contei", disse o Carmalo com a mão pra cima, em modo de rendição.
Lembrando do meu primeiro sonho, eu sorri.
"Eu sabia que ela tava tendo um sonho bom. Ele era gato?" perguntou Adrenia, animada. E eu balancei a cabeça, com vergonha, e fui pro banheiro. Não conseguia parar de rir enquanto olhava pro espelho e puxava meu cabelo pra trás das orelhas.
"Bobinha de mim. Quem soluça dormindo?" me repreendi antes de entrar na banheira pra tomar banho e me preparar pra escola.
Chegamos na escola e, como de costume, procurei a Marley, agarrei ela e puxei pro meu armário.
"Nossa, Mari, você é rápida. Ok, então me conta o que aconteceu", ela perguntou.
"Como assim, não aconteceu nada", ela levantou as sobrancelhas pra mim, depois relaxou, sem falar uma palavra. Chequei a programação da escola, aliviada. Ah, não, temos inglês. A Sra. Antonia vai nos punir se a gente se atrasar. Eu e a Marley corremos e entramos na sala. Sorte que ela ainda não tava lá, então suspiramos aliviadas e sentamos nas nossas carteiras. Acenei pro Roberto. Ele é o aluno novo na nossa escola. Ninguém sabe de onde exatamente ele é, mas ele é tão gato, e a Marley tá a fim dele. Ele chegou mais perto da gente e sorriu.
"Oi, Mari. Você tá incrível com essa calça jeans azul e essa blusa branca. Me lembra minha melhor amiga", nossa, que coincidência, pensei. Usei essa combinação porque tava com saudades do Liveda.
"Valeu, Berto, a Marley também tá ótima com o look dela, né?" Uma carranca cruzou a cara dele enquanto ele olhava pra ela.
Visão da Marley
Queria socar a cara da Mari. De todas as frases pra mudar de assunto, ela escolheu falar do meu look. Eu tava usando uma blusa vermelha de balada e uma calça jeans cintura alta com estampa de tigre. Tenho que admitir, tava gata, além de que eu não tava usando meus óculos hoje. Na verdade, eles meio que derreteram depois do incidente na casa da Mari. Ela queimou meus óculos enquanto tava em chamas, no seu estado inconsciente. Olhei pro Roberto e senti meus olhos inundarem de água, e uma piscada ia fazer ele me ver chorando. Por que ele me odeia tanto assim? Me controlei e impedi as lágrimas.
"Você não devia ficar olhando tanto se não gosta do que vê", me levantei pra sair, mas as palavras dele me pararam.
"Você tá de tirar o fôlego, e isso me preocupa. Você vai atrair muita atenção dos caras, e isso tá me irritando. Prefiro você com o seu look nerd. Nunca mais se vista tão provocante", ele disse, passando o olhar pelo meu corpo. Queria responder, mas não saiu nada. A Mari, por outro lado, tava com a expressão mais animada do mundo. Meu amor secreto também gosta de mim. Ele não suporta que outros caras me achem atraente. Sorri, e ele ficou perplexo, sem piscar.
"Eu não te pertenço, Berto. E deixa eu te falar uma coisa: o Michael me chamou pra sair, e eu já aceitei", eu disse, sorrindo. Que merda tá acontecendo comigo? Agora ele vai matar o Mike. A expressão dele foi de raiva, e ele virou e foi em direção ao Mike. Veio como um raio. Ele socou o Mike, e eu vi sangue nas juntas dele. Os olhos de todos os alunos arregalaram. Corri e o empurrei pra longe, enquanto ajudava o Michael a se levantar.
"Você tá bem? Tá sangrando. Deixa eu pegar uma caixa de primeiros socorros e..." antes que eu pudesse terminar a frase, ele me puxou de perto do Mike e me arrastou pra fora da sala.
"Você não tinha o direito de fazer isso. Como ousa, Roberto? Você machucou ele. Alguém que pode ser meu namorado um dia. Como pôde?" Eu tava muito brava, e ele ficou me encarando, enquanto me segurava forte.
"Me solta. Me solta, senão eu vou... mmm" eu gemi porque os lábios dele vieram esmagando os meus. Enrolei minha mão no pescoço dele e o puxei pra perto, mas aí ele se afastou imediatamente. Fiquei chocada.
"Por que você parou? Por favor, vamos fazer de novo", eu disse, tentando beijá-lo, mas ele me impediu e foi embora. Tap, tap. Senti uma mãozinha nas minhas costas. Revirando os olhos, vi a Mari sorrindo. Ri da expressão dela. Ela é talentosa com umas expressões faciais muito engraçadas, e isso deixa todo mundo feliz.
"Finalmente vai acontecer. Vou ser uma titia-avó", disse a Mari. Comecei a engasgar. Como ela pôde? Rimos muito junto com ela.
"Ele foi embora, você acha que tem algo de errado comigo?" De repente, perguntei pra ela, preocupada. Ela me olhou com preocupação e me puxou pra abraçar.
"Tem algo de errado com a grande Mari? Acho que não, miss. É a perda dele, mas sei que ele não vai desistir de você." Ah, Mari, pensei, e sorri pra ela. É por isso que ela é minha melhor amiga. Ela era a pessoa perfeita, e é por isso que ela se qualificou pra ser Elimen. Corremos de volta pra sala e, assim que terminamos, conversamos sobre o Roberto e um cara chamado Liveda até a escola acabar. O Roberto não vai pra escola há uma semana, e eu tava preocupada. A Mari garantiu que ele tava bem. Dia após dia, eu continuei desejando vê-lo.
Escritor
Ok, galera, então espero que vocês desvendem o caso sobre o Roberto e a Marley. Vocês acham que o relacionamento deles vai longe? Bem, quero que vocês leiam isso no próximo capítulo, que já já tá chegando. Se cuidem.