Capítulo 50
“Não precisas defendê-lo, Gêmeos.”
“Na boa, a culpa nem foi dele, sabes? Ele mandou uns guardas atrás de mim, mas eu disse para não me acompanharem.” Layton virou-se para Valentine, ainda chateado, mas não teve alternativa, teve de o perdoar.
“Sabes quem fez isto?” Layton tentou baixar a voz. A enfermeira entrou com papéis e uma pasta.
“Bem, ela tem muita sorte por ter sobrevivido ao tiro, mas infelizmente perdeu o bebé.” O ambiente ficou em choque, tanto por parte dos homens. Layton sentiu uma dor aguda no coração. Olhou para Gêmeos com deceção.
“Nunca me disseste que estavas grávida.” Gêmeos olhou para o chão.
“Não queria deixar-te mais preocupado. Estavas tão focado em me proteger que pensei que se soubesses que estava grávida terias mais com que te preocupar. Desculpa.” Layton esfregou a testa com o braço e suspirou.
“Sabes quem fez isto?!” Layton gritou.
“Não sei mesmo, desmaiei antes de conseguir ver quem era.” Recuperou um pouco as forças.
“Ela recuperou rapidamente, num tempo surpreendentemente curto.” A enfermeira acrescentou, mas isso não o surpreendeu. Beijou a testa de Gêmeos e depois foi para o gabinete do médico com Strider. Jr entrou e sentou-se em frente ao médico.
“Deve ser familiar da Sra. Burn?” Layton assentiu, sabia o quão importante era manter o segredo da relação dele e de Gêmeos.
“Bem, ela tem muita sorte por ter sobrevivido.” O médico entregou a Layton uma foto de raio-x da caixa torácica danificada.
“Os cirurgiões disseram que encontraram uma bala de prata entre as costelas dela.” Layton tremeu outra vez e olhou para Strider, que também se virou para ele. Sabia como as balas matavam e ficou mais surpreso com o facto de Gêmeos ter sobrevivido ao tiro.
“Ela terá de ficar no hospital por uns dias ou até semanas, mas estará segura.” Saíram da sala e pararam no corredor.
“Que surpresa para um lobo sobreviver a essa arma.” Strider coçou a parte de trás da cabeça. Layton demorou um pouco a pensar e de repente aconteceu.
“O que é mais estranho é o facto de a pessoa conhecer a arma exata a usar. O que significa que podemos ter um novo inimigo.”
“Ou um antigo. Talvez um dos membros da retaguarda.” Layton levantou a mão.
“Na verdade não. Um lobo não consegue lidar com prata e isso é sabido.” Strider sabia que ele tinha razão.
“Um humano talvez? Se for verdade, então estamos em sarilhos.” Layton sabia que tinha de investigar o assunto. Se fosse um humano, isso levaria à sua extinção.
“No entanto, pensei que as armas de prata estavam fora de serviço?” Strider perguntou enquanto voltavam para o quarto de Gêmeos.
“Parece que não estão.” Gêmeos estava melhor do que antes. A ideia da rápida recuperação de Gêmeos surpreendeu mais Strider, ele sabia que era quase impossível para alguém sarar de uma bala dessas.
“Como estás, afinal?” Layton perguntou a Gêmeos.
“Muito melhor do que da última vez. É estranho como o bebé também morreu.” Gêmeos sabia como os filhos de lobos podiam ser fortes, por isso foi surpreendente que o bebé tivesse morrido.
“É algo em que eu também estou a pensar, mas vamos investigar o assunto.” A mesma enfermeira entrou de novo.
“As horas de visita terminaram. Poderão visitar amanhã, obrigado.” A enfermeira esperou que os homens saíssem.
“Deixo-te descansar. Tem cuidado.” Layton abraçou-a por último antes de sair do quarto.
Gêmeos ficou sozinha no quarto. Os dias passaram e vários polícias visitaram-na, fazendo a mesma pergunta.
“Não te lembras de nada? Algo que possa encontrar o teu atacante.” Gêmeos dizia a mesma coisa vezes sem conta.
“Não me lembro de nada. De qualquer forma, não consegui ver bem, mas vou tentar lembrar-me.” O polícia suspirou e saiu do quarto. Layton sabia que a sua esposa estava a esconder algo, mas não sabia o quê.
“Isto não nos está a levar a lado nenhum.” As veias de Layton saltaram. Houve uma batida repentina na porta, Strider abriu a porta e Francis entrou.
“O que queres?!” Layton gritou.
“Ouvi dizer que Gêmeos foi atacada, por isso fui enviado para investigar o assunto.” Layton revirou os olhos e depois agitou as mãos no ar.
“Não precisamos da tua ajuda, já temos polícias a investigar o assunto.”
“Acredita em mim, eu sou a tua única esperança. O resto não vai encontrar o gajo que procuras.” Francis tirou os óculos de sol.
“Confiante, hein.” Layton riu-se.
“Estou apenas a ser honesto. Dá-me uma semana e vou encontrar essa pessoa.” Layton admirou a sua confiança e não viu nenhuma razão para o negar.
“Uma semana, então.” Francis virou-se para Gêmeos.
“Pareces muito saudável. Ouvi dizer que estavas horrível, acho que todos temos métodos de cura diferentes. Vou sair agora, afinal, este caso não vai resolver-se sozinho.”
Francis saiu. Os dias passaram e Gêmeos demorou um pouco a pensar, sabia quem era o assassino, mas nunca imaginou que as pessoas pudessem ser tão odiosas. Sentiu-se completamente fraca naquele momento, mas depois confortou-se lembrando-se das palavras de Layton e soube o que tinha de ser feito. Foi substituída por uma raiva completa e as suas sobrancelhas franziram-se.
Levantou-se, arrancando a agulha gigante do pulso. Escreveu uma carta usando o papel e a caneta restantes. Entrou furtivamente no material do hospital e conseguiu algumas roupas casuais. Saiu do hospital.