Capítulo 51
Gêmeos entrou num táxi e foi para a casa da mãe dela. Ela queria saber porque a mãe dela tinha a atacado naquele dia. A ideia toda a deixou meio preocupada, mas com raiva ao mesmo tempo. Ela estava a poucos minutos da casa da mãe. Seu telefone mostrou que Layton estava ligando, ela sabia que o hospital tinha avisado ele. Ela ignorou a chamada, mas o telefone tocou ainda mais e a irritou.
"Que foi?" Gêmeos disse, bem irritada.
"Onde diabos você está?!" Layton gritou no telefone, fazendo Gêmeos segurá-lo longe.
"Estou meio pra baixo, então decidi dar uma voltinha." Gêmeos brincou, mas Layton não se divertiu.
"Isso não é brincadeira, Gêmeos! É melhor você me dizer onde você está?!" Gêmeos olhou para um outdoor passando.
"Estou num táxi. Você me disse para me defender, e é exatamente isso que estou fazendo, então não me diga o contrário!" Layton sabia exatamente o que ela queria dizer.
"Você é louca! Você quase morreu e está indo lá!"
"Eu quase, mas não morri. Aquela criança merecia algo melhor, querido, e eu não posso deixar isso passar." Layton suspirou.
"Podemos fazer isso juntos, eu não quero te perder também." Uma lágrima caiu das bochechas de Gêmeos.
"Você não vai, eu sei o que estou fazendo, ok? Só quero ouvir a razão do porquê, e prometo que vou embora antes que fique feio." Layton ainda não gostou nada daquilo tudo.
"Só volta e vamos resolver isso, eu vou resolver." Gêmeos queria ouvir a razão sozinha.
"Me desculpa. Tchau." Antes que Layton pudesse falar, Gêmeos desligou a chamada.
Ela pediu ao motorista para parar na rua, pois não queria que sua mãe fosse avisada de sua chegada. Embora ela também soubesse que sua mãe não fazia ideia de que ela sabia do crime dela. Ela bateu na porta da frente e em menos de minutos sua mãe abriu a porta.
"Oh, querida, não esperava te ver." Gêmeos entrou, mas lutava para conter a raiva dentro dela.
"Pensei em fazer uma visita, ou você estava esperando ver outra pessoa?" A mãe dela riu.
"De jeito nenhum. É que você nunca me disse que ia visitar." Gêmeos olhou ao redor e avistou uma faca distante na mesa.
"Sente-se." Sua mãe disse, levando-a para a sala de estar. Ela sentou no sofá grande.
"Você está bem." Gêmeos olhou fixamente para a mulher.
"Sofri um acidente há alguns dias." A mulher engasgou com seu chá.
"Sério! Eu não sabia, foi um acidente de carro?" Gêmeos assentiu lentamente, ela se sentiu ainda mais irritada com o ato de sua mãe. A mulher caminhou em direção a Gêmeos e tentou abraçá-la. Gêmeos rapidamente pegou a faca e a prendeu no pescoço da mãe dela, enquanto sua outra mão agarrava o cabelo dela. Sua mãe olhou surpresa.
"O que você está fazendo?" Ela tentou se soltar da mãe.
"Você é patética e uma desculpa de mãe!" Gêmeos empurrou a mulher para o chão.
"Do que você está falando?" A mulher cambaleou.
"Você age como se não soubesse de nada, mas sabe mais do que todos nós!" Gêmeos apontou a faca para ela e lágrimas rolaram pelas bochechas de sua mãe.
"Eu nunca te atacaria! Você é minha filha, por que eu iria querer te matar? Você não confia em mim?!" Houve silêncio e Gêmeos sorriu.
"Mamãe, confiança não é dada, é conquistada, pelo menos foi o que me disseram, e confiar em você foi o maior erro da minha vida, além disso, eu nunca contei sobre nenhum ataque." Sua mãe congelou, então sorriu, batendo palmas.
"Parece que Layton está fazendo a parte dele. Ele te corrompeu com sucesso, parabéns."
"Ele nunca me corrompeu, na verdade ele me ajudou, sem ele eu teria morrido, mas ele me ensinou a lutar." Sua mãe se levantou.
"Deixe ele antes que seja tarde demais."
"Eu te disse que nunca o deixaria e isso é definitivo." Ela recuou e então sorriu.
"Que pena, você teria sido uma ótima lutadora." Antes que Gêmeos percebesse, sua mãe puxou uma arma, idêntica à primeira que ela havia usado.
"Vamos ver você sobreviver a esta." Gêmeos suspirou, fechando os olhos.
"Largue a faca." Sua mãe ordenou, então ela fez o que disse.
"Por que você está fazendo isso, mãe?" Ela chorou. "Tudo o que eu queria era uma família feliz e em paz." Ela continuou.
"Eles mataram seu pai e me deixaram de luto! Isso é o mínimo que posso fazer para pagar a morte do meu pai!" A mulher tentou conter as lágrimas.
"Ele era meu pai também, mãe, mas eu fiz as pazes com tudo, por que você não consegue? Você acha que o pai queria isso?" A mulher pensou.
"Ele queria que vivêssemos como um só, não que começássemos uma guerra entre nós. Se você não pode fazer isso por mim, então faça por ele e me ajude a realizar seu último desejo." A mulher sabia que sua filha estava certa. Ela olhou para um espelho distante e se viu nele. Ela chorou ao ver em que se tornou, ela estava envergonhada por estar disposta a matar sua filha. Ela jogou a arma na cadeira e caiu de joelhos chorando. Gêmeos correu para ela e a abraçou.
"Me desculpe... por favor me perdoe!!" A mulher implorou. As duas choraram.
"Eu perdoo e sempre vou perdoar." Ela enxugou as lágrimas rapidamente.