Capítulo 19- Eu a Amo.
"Vem, bora comer." ele me chamou, botando a bandeja na cama antes de ir pras janelas grandes. Quando ele abriu as cortinas, a luz do sol entrou com tudo e a vista da cidade lá de baixo deixou tudo perfeito.
Não! Na verdade, era a presença dele que deixava tudo perfeito. Mesmo se a gente estivesse numa porão sem janelas, a presença dele ia melhorar tudo.
Mesmo sabendo que ele tá noivo e quase casando, mesmo sabendo direitinho que ele só me vê como amiga, não consegui evitar de me entregar pra ele. Me apaixonar por ele é tão fácil. Amor é a melhor coisa do mundo, mas só se for dos dois lados. Amor não correspondido é a coisa mais dolorida do mundo. Vai furar teu coração a cada segundo até ele morrer.
"Achei que você ia devorar isso em um segundo, mas parece que não tá mais afim." Alex estalou os dedos na minha frente, eu balancei a cabeça e forcei um sorriso.
"Nada a ver." Respondi, antes de esvaziar a mente e focar na bandeja na minha frente. Tinha uma bandeja com panquecas deformadas, manteiga e calda do lado, uma tigela de morangos frescos, uma xícara fumegante de café e um copo de suco de laranja. E uma rosa deitada do lado. Fiquei olhando pra bandeja por um tempão, com o coração flutuando feito doido dentro do peito.
Era o suficiente, não consegui resistir. Pegando uma faca e um garfo, ataquei aquele banquete delícia. Parecia que eu tava com fome há uns dez anos. O prato foi limpo em uns segundos.
Depois de tomar o último gole do suco, botei o copo na bandeja. MEUS olhos foram pro Alex, que tinha sido esquecido enquanto eu comia.
"D-desculpa, eu comi tudo. Nem te ofereci." Admiti, envergonhada, "Não sei por que, mas não percebi como tava com fome até sentir o cheiro das suas panquecas. Tava morrendo de saudade delas."
Ele balançou a mão antes de se inclinar pra mim e limpar a calda do canto do meu lábio inferior com o polegar.
"Te ver comendo com vontade me deixa completo."
O rubor no meu rosto era forte, enquanto sentia uma onda forte de eletricidade passando por mim. Como eu vou superar o efeito que ele tem em mim? Como?
Naquele momento, senti um par de olhos na gente. Parecia que tinha alguém na porta, mas quando olhei pro lugar, não tinha ninguém. Minha intuição diz que algo ruim vai acontecer. Parece que minha felicidade vai ser arruinada pra sempre.
"Sasha!" Alex levantou a sobrancelha com uma interrogação na cara.
"Senti que tinha alguém na porta." ele se virou pra olhar antes de segurar meu ombro e me consolar, "Não tem ninguém aqui, Sasha. Você tá alucinando. Na verdade, não tinha ninguém na rua ontem."
"Não, Alex! Ele tava lá ontem. Vi o carro dele e aqueles olhos pretos."
"Sasha! Revisei a cidade inteira e ele não tá em lugar nenhum. Talvez a chuva tenha ativado sua memória e você se lembrou do passado. Falei com o médico e ele acha a mesma coisa. Ele diz que é muito comum alucinar nesses casos."
"Mas Alex!"
"Baby." ele pegou meu rosto com as mãos e disse, "Ele tá longe de você. Entendo que você tá assustada, mas você não confia em mim?"
"Confio em você, Alex. Na verdade, só confio em você."
"Então tenha fé em mim. Nunca vou deixar ele chegar perto de você. Ok?"
Sorri pra ele. Tentando acreditar no que ele disse. Falando pra mim mesma que é só meu medo que tá na minha frente.
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Pov do Alex
"Mãe, por favor." Eu implorei, segurando a palma da mão dela, "Não consigo mais fazer isso."
"Por favor, Alex, não faça isso comigo." Minha mãe implorou, enquanto as rugas se intensificavam em volta dos olhos dela.
"Mãe, por favor, não faça isso comigo. Como sempre, dessa vez também não vou contra você, mas, por favor, tenta entender seu filho. Vou casar com Daisy por você, mas depois desse casamento, não serei mais o mesmo. Você não sabe o quanto esse noivado me afetou, entrei em dilema, tava completamente perdido e parecia que minha alma tava morta, só meu corpo tava respirando. Não consigo ver minha felicidade com a Daisy, mãe." Olhei pra ela com olhos de súplica, literalmente implorando por minha vida, "Sempre amei a Sasha, ela sempre esteve no meu coração. Ninguém pode substituir o lugar dela na minha vida."
Vi ela afastando minhas mãos e indo pra varanda, me roubando olhares. "Você realmente acha que aquela garota pode se encaixar no nosso esquema? Na nossa família?"
Soltei uma risadinha leve, enquanto meu coração se enchia de emoções ao entrar no passado, "Você se lembra de quando eu tinha 6 anos? Eu não tinha nada pra me encaixar nessa família? Eu também não pertencia a esses campos reais, a essa vida luxuosa e, especialmente, às suas mãos carinhosas, mas foi seu amor, seu abraço acolhedor que me abraçou e deu a esse órfão um título que não é menor que o de um príncipe. Você me chamou de seu filho e me treinou para me encaixar nessa família." Ela se virou pra mim, com os olhos arregalados, "Eu era só um pobre filho da sua empregada, não era? Mas, depois da trágica morte dos meus pais, você nunca me afastou, em vez disso, me abraçou, segurou minha mão e ajudou a subir na posição em que estou hoje. Você não viu meu status naquela época, mãe, então por que está sendo preconceituosa agora. Dê uma chance pra ela, mãe, tenho certeza de que, com seu amor, ela vai se adaptar ao seu mundo, mais rápido que eu, melhor que eu."
Vi lágrimas brilhando nos olhos dela. Ela pressionou os dedos nas têmporas e disse: "Samantha era mais como uma irmã pra mim. Ela estava ao meu lado quando meu próprio marido me deixou. O dia em que William me deixou só porque eu não podia dar um bebê pra ele foi o fim da minha vida. Tentei de tudo pra ter um bebê, mas os médicos disseram que eu era infértil. Eu até tentei uma barriga de aluguel, mas ele disse que, se o filho dele nascer de outra pessoa, então ele não precisa de mim. Naquele dia, perdi toda a fé no amor. As pessoas estão com você só porque precisam de alguma coisa."
Eu a abracei com força, enquanto ela soluçava no meu peito.
"Samantha me deu forças para reunir minhas emoções espalhadas e ser independente. E você trouxe felicidade para nossas vidas. Voltei para meu pai e, embora Samantha fosse uma empregada na casa de William, ela deixou o emprego por mim e veio comigo, ela sempre me apoiou."
Ela me olhou e soluçou, "Me desculpe, Alex, você perdeu sua mãe por minha causa, eu deveria estar no carro, eu deveria ir comprar remédios para o pai, mas, em vez disso, seu pai e Samantha foram, te entregando pra mim. Ela me disse pra cuidar de você até ela voltar, mas ela nunca mais voltou. Se ao menos eu tivesse..." as lágrimas dela encheram a sala enquanto eu acariciava suas costas, acalmando-a. Senti as lágrimas ameaçando meus olhos, mas me controlei.
Sim! Sempre senti falta dos meus pais, mas também sou grato à Mãe por me adotar, se ela não tivesse segurado minha mão, eu estaria apodrecendo nas ruas ou em um orfanato.
Essa é a razão pela qual sempre me apresentei a ela. Desisti dos meus amigos, da minha antiga escolinha, para que eu pudesse me encaixar na imagem dela, sempre tentei o meu melhor para corresponder às expectativas dela, para que ela não sentisse que cometeu um erro, me adotando. E sim, eu disse sim para esse noivado só por ela.