Capítulo 4- Eu te odeio!
'Sasha." A velhota acordou ela. 'Você não quer ter alta e vazar desse hospital?"Ela acordou na hora, toda animada, e fez que sim com a cabeça.'O médico liberou você pra ir pra casa. Mas me promete uma coisa: vai sempre se cuidar, tá?"Ela deu um sorrisão pra ela e gritou: 'Ai, muito obrigada! Desculpa dizer, mas tirando sua presença, tudo aqui me sufoca. Não vejo a hora de voltar pra casa e viver como antes. E não vejo a hora de ir embora dele. A existência dele é uma tortura!"'Ai, querida! Por que você tá tão brava com o Alex? Ele é um cara tão legal! E ele se importa muito com você. Quando ele te trouxe pra cá, não saiu do seu lado até você estar estável, ele até se negou a cuidar dos próprios ferimentos." A enfermeira dela falou, e o coração dela deu um pulo de surpresa.Ela sentiu que tava alucinando, depois do que rolou entre eles meses atrás, ela nunca, nem na fantasia mais linda, imaginou ele se importando com ela. Será que esse coração de pedra sem coração também sabe consertar corações? Ela pensou.'Tá pronta?" A voz dele quebrou a sequência de pensamentos dela. Ela olhou pro dono da voz e sentiu o calor subir pelas bochechas."Uhum... Sim." Ela gaguejou, enquanto ele observava ela de propósito. Sasha não sabia que ele ainda tinha esse efeito nela, até agora. Será que ela não achava que tinha superado?Brincando com os dedos, Sasha finalmente pensou em revidar. Tirar ele da vida dela antes que ele invadisse o sistema dela, de novo."Muito obrigada pela ajuda, Alex, mas acho que já estou estável." Ela respondeu com uma cara séria, olhando direto nos olhos dele. "Vou ligar pra Shelly, ela pode me buscar. Pode ir, agora. Não vou mais te dar trabalho." Ela sussurrou a última parte, com o coração pesado. Os momentos que eles compartilharam, o tempo que passaram juntos e a mordomia que ela recebeu dele, talvez fosse um gesto de amor pra ela, mas ela tinha percebido nos últimos meses que não significava nada pra ele. Tudo começou como uma passatempo e, depois de um tempo, ela virou um peso pro Alex.'A pior sensação do mundo é ser um peso pra alguém. A sensação de que a pessoa que você ama com todo o seu coração, por quem você pularia num poço, não sente nada por você. Pra ele, você é só uma barreira entre ele e a felicidade dele.'Ela pensou, enquanto o coração dela se esmagava dentro da gaiola do peito.Ela olhou pra ele, que ainda tava encarando ela com uma emoção desconhecida saindo dos olhos dele. Piscou, afastando o desejo dos olhos dele, ele foi na direção dela com um sorriso diabólico."Não precisa ligar pra Shelly, esquilo." Ele chegou perigosamente perto dela, colocando as palmas das mãos na cama, de cada lado da figura pequena dela. "Você vai comigo. Pro meu lugar. Pra sua casa antiga."As bochechas dela ficaram vermelhas na hora, e o coração dela palpitou como um passarinho precisando de ajuda."E o que te faz pensar isso?" ela gritou. "Eu prefiro morrer a voltar pra aquela casa."Alex soltou uma risada sarcástica, e os olhos dele escureceram, indicando um aviso pra ela. Ele sempre foi um cara esquentado, e ela sempre teve medo da raiva dele."Soube que a condição do seu pai amado tá piorando dia após dia?" Ele explodiu com ela. "Você não tá trabalhando dia e noite pra juntar uma grana pra operação dele? Não se preocupa, eu vou cuidar dele."Ela olhou pra ele, perplexa. Claro, ela era a única que tinha compartilhado a condição do pai dela com ele, mas a voz dele, a aura dele e os olhos escuros dela alarmaram ela. Esse assunto sempre foi um assunto sensível pra eles, e, ao contrário de hoje, ele sempre tinha demonstrado amor e cuidado por ele."Vou garantir que ele seja operado o mais rápido possível. Uma equipe de médicos já está indo pra sua vila." ele disse, mas ela sabia que tinha algo de errado. "Vão operar ele no conforto da própria vila, no hospital mais próximo.""E por que você faria isso?" ela sussurrou, levantando uma sobrancelha. "Da última vez, você só queria a minha felicidade, então por que você mudou de ideia? Tá fazendo isso por pena? Olha, senhor, eu posso ser pobre, mas não aceito caridade. Não preciso da sua ajuda, consigo cuidar do meu pai sozinha.""Quem te falou que é por pena ou caridade? Tudo nesse mundo tem um preço, esquilo." Ele deu um sorriso e falou: "Vou fazer um favor pra sua família, e você vai me pagar por isso. Você quer dinheiro, eu quero você." Ele afirmou, entrando no quarto, olhando fixamente pra ela. "Tudo que você tem que fazer é trabalhar no meu escritório, ficar na minha casa, estar comigo 24 horas por dia, 7 dias por semana, e viver a sua vida de acordo comigo."Ela sentiu a raiva ferver nas veias dela. "Como você pode pensar nisso, Alex? Como você pode se rebaixar tanto? Eu pareço uma garota assim pra você? Minha dignidade é minha vida. Se eu quisesse ganhar dinheiro assim, eu seria mais rica que você. Não entendo, como você pode pensar em trazer outra garota, uma escrava pra sua vida, quando você já está comprometido?" Ela rosnou, com lágrimas brilhando nos olhos.Ele ficou surpreso com a explosão dela. "Cala a boca!" Ele rosnou. "Para de usar essa sua mente suja. Eu não tô pedindo pra você ser minha escrava pessoal nem nada. Tudo que eu quero é uma assistente pro meu escritório e uma amiga pra Daisy. Alguém que possa passar um tempo com ela, porque esse lugar é muito estranho pra ela. Eu tava falando de uma relação profissional, Sasha, não pessoal. Como você pode pensar nisso? Eca... Em que você se transformou?"Ela sentiu a necessidade de se esconder na hora. Sasha rezou pra a terra se abrir e puxar ela pra dentro, escondendo ela dele. Ela deu um tapa na própria cara mentalmente por ser uma pessoa tão maluca. "Seja o que for, não vou participar da sua vida de jeito nenhum. Eu te odeio, Sr. Alex.""Pensa nisso de novo, Sasha. Você me odeia mais do que ama seu pai? O homem que sacrificou a felicidade dele, que comprometeu a vida toda dele por você, que caiu na cama trabalhando por você, tá desamparado agora. Tudo que ele tem é você." Ele zombou, com a voz mais perigosa de todas. "Você tem duas opções: esquece suas emoções por um segundo e pensa na sua família, traz as cores de volta pra vida deles, dá uma nova vida pra eles, ou junta umas moedas por mês e espera o seu pai morrer, e sua mãe, que já está entrando em depressão, ficar louca. A escolha é toda sua, Srta. Sasha. E sim, prometo que não vai ter nada além de uma relação profissional entre a gente, afinal, não posso trair a Daisy."Lágrimas saíram dos olhos dela, ela sentiu que o destino literalmente tava brincando com ela. Ela não consegue aguentar ele por poucos segundos, como ela vai sobreviver com ele quando ele estiver sempre na frente dos olhos dela? Ela teria dito um grande e firme não, mas dessa vez é a família dela que tá em jogo. Ela sabia que a quantia necessária pra operação do pai dela é enorme, e se ele não for tratado logo, ele nunca vai conseguir sair da cama. Será que ela pode arriscar a vida do pai por causa do próprio conforto? Esse homem realmente sabe como jogar as cartas dele."Então, Srta. Sasha, vamos?" Com o coração pesado, ela fez que sim com a cabeça.Ela sentiu que tava presa na teia dele.Inalando uma respiração profunda, ela enxugou a bochecha manchada de lágrimas com as costas da manga. Juntando coragem suficiente pra lutar com o demônio dela, ela estava pronta pra jogar.Colocando os chinelos nos pés, que o Alex acabou de colocar na frente dela. Ela tentou ficar de pé, quando uma dor forte abalou ela, e ela caiu na cama de novo.Alex foi rápido em segurar ela. Balançando a cabeça, ele colocou um braço embaixo do pescoço dela e o outro embaixo dos joelhos dela, pegando ela nos braços. Ela sentiu o coração dela acelerar, e os braços dela se enrolaram no pescoço dele pra dar apoio.Sasha sentiu as borboletas subirem no estômago dela, dando cambalhotas, tirando o fôlego dela.'Eu... Você... Uma cadeira de rodas." Ela balbuciou, mas ele olhou pra ela, e os olhos deles se afogaram juntos. Os raios de sol beijaram o rosto dele levemente, e o toque de verde nas órbitas cinzas dela brilharam com graça. O coração dela tava batendo forte, essa sempre foi a fraqueza dela. Ela amava o jeito que os olhos dele ficavam no sol. Como se os pedaços de vidro dourado se espalhassem na íris verde dele. Uma emoção familiar de carinho, tranquilidade e... e amor refletia dos olhos dele. Mas será que era verdade? Ela sempre tinha visto essa emoção nos olhos dele antes, até aquele dia em que ele finalmente voltou pra cidade depois de um feriado longo. Ele tava completamente diferente depois disso. Será que ele ainda sente algo por ela? Ela pensou, enquanto o coração dela se enchia de amor e dor.Depois do que pareceu uma eternidade, ele tirou os olhos dela e foi com ela na direção do corredor. A enfermeira dela correu com uma cadeira de rodas, mas ele fez que não com a cabeça.Andando com ele, ele colocou ela no banco do passageiro da Lamborghini dele, que era de uma cor roxa escura. A cabeça deles bateu levemente quando ele tentou colocar ela no banco. Ele imediatamente recuou, batendo a cabeça de novo na moldura da porta. Sasha estremeceu, e, sem querer, a mão dela foi pra trás da cabeça do Alex, onde ele tinha acabado de se machucar. Os olhos deles se encontraram de novo, e eles foram pegos no momento até que Sasha percebeu o que tava fazendo. Ela puxou a mão pra trás na hora, desviando o olhar, virando pro outro lado.Ele pulou no banco do motorista e ligou o carro. A cor desse carro em si trouxe uma sequência de memórias pra Sasha."Preto? Sério, Alex?" Sasha zombou. "Que tema chato. Devia ser roxo.""Roxo? Eca." Alex franziu a testa."Sim. Imagina só: um dia, a gente vai ter aquele modelo de Lamborghini, pintado em um tom profundo de roxo. Vai ser a personificação da perfeição." Sasha sonhou, apontando pra um carro exposto em uma concessionária da Lamborghini."Nunca..." Alex comentou, enquanto eles sentavam em um banco em frente a uma concessionária da Lamborghini, lambendo os sorvetes e sonhando com o futuro deles.Ela pensou no que teria mudado a cabeça dele. Ele nunca tinha gostado da ideia de uma Lamborghini roxa, ele tava preso em uma preta. Ela percebeu como ele tinha ficado rico em poucos meses. Tão rico que ela se sentia barata pra ele agora. Ela encostou a cabeça na janela, enquanto os remédios faziam o trabalho deles, puxando ela de novo pra o buraco do sono.