CAPÍTULO 31
"Eu te odeio, eu te odeio!" Eu disse pro Aiden repetidamente assim que entrei em casa.
Sabe, o Aiden decidiu me irritar insistindo em me contar quem era a Gossip Garota. Tipo, se eu quisesse saber, eu teria assistido, ué.
"Sério, você não quer MESMO saber quem é? Começa com 'hmpf-'" Na hora eu enfiei na boca dele a primeira coisa que vi, alface.
"Olha, cara, se eu estivesse tão afim, eu teria me dado ao trabalho de assistir. Então, por favor, cala a boca, tá?" Eu avisei.
"Que nojo, Lorraine, por que você colocou isso na minha boca?" Ele fez uma cara de nojo, cuspindo a alface.
"Ah, Adrian, no meu chão não. Agora pega isso aí." A Lexis o repreendeu assim que ele entrou na cozinha.
"Pela última vez, cara, é Aiden, Ai-den!" O Aiden pronunciou, ficando irritado, mas isso não parou a insistente Lexis.
"Tanto faz", ele deu de ombros, de boa.
"Vou vazar daqui, até mais, Lorraine, e antes que eu esqueça, o nome eu-" Na hora eu dei um tapa na cabeça dele e empurrei ele pra fora da porta. Idiota persistente.
"É, até mais, Adrian!" A Lexis gritou pela janela, fazendo o Aiden mostrar o dedo do meio pra ele.
"Por que você gosta de zoar o Aiden?" Eu perguntei antes de pegar o suco de laranja que tava por ali.
"Porque-" ele disse e quando eu ia dar um golão, a Lexis bateu no suco pra baixo, fazendo o conteúdo cair todo em mim.
"Você tá louco, é?" Eu olhei pra minha camisa toda encharcada.
Ele mandou um sorriso de canto e saiu andando. A cara de pau desse cara!
****
Depois de tentar tirar o cheiro de suco de laranja do meu corpo e planejar minha vingança contra a Lexis, eu finalmente saí do banheiro pra me preparar pra um domingo de preguiça na minha cama.
Fui rudemente interrompida pela idiota da Lexis que não parece entender o significado de privacidade.
Ele entrou no quarto e se jogou na minha cama como se fosse dele, sem nenhuma preocupação no mundo e, posso acrescentar? Sem camisa. Eu tive vontade de jogar uma camisa nele, mas, honestamente, eu curti a vista. Não que eu vá contar pra ele.
Eu mordo minhas bochechas pra não ficar encarando a pele dele toda definida e os gominhos perfeitos. Jesus, que merda eu tô pensando?
"Eu sei como isso te atrai, mas você devia maneirar, tá ficando demais pra aguentar", A Lexis fez um sorriso de canto, todo orgulhoso. E depois me perguntam por que eu odeio ele.
"E-e-e-e-eu, sai daqui!" Eu resmungo, batendo nele com um travesseiro. Ugh, por que eu sempre escolho me humilhar na frente desse babaca?
"Você não precisa ficar na defensiva, amor, eu sei que é só uma fraqueza, mas-" Ele disse num tom baixo, andando na minha direção, mas depois parou.
Confusa com o que fez ele travar as palavras, eu franzi a testa pra ele, esperando que ele continuasse, quando percebi a proximidade em que estávamos, quase nariz com nariz. Comecei a procurar palavras pra dizer pra ele, pra liberar o ar frio que tava causando arrepios nas minhas mãos, mas fiquei encarando os olhos dele.
Eu olho pra ele de perto, fixo nos seus olhos castanho-esverdeados que tinham um olhar escuro e uma outra coisa que eu não conseguia colocar o dedo. O cabelo dele, perfeitamente escovado, e seus lábios. Meu Deus.
"Você tem olhos lindos", eu solto. Que merda.
Ao ouvir o que eu disse, a expressão dele mudou pra divertimento "Na verdade, já me falaram isso várias vezes". Em momentos como esses, eu queria entrar num buraco.
Tentando agir naturalmente, eu digo "Bom pra você, porque eu não falei sério", Só que era uma grande mentira.
"Diz pra você mesma o que você quiser", ele sorriu.
Eu olhei pra ele com raiva por ele estar certo, porque, não importa o que eu diga, aqueles olhos são lindos pra caramba.
"Você devia colocar uma roupa, eu tô tentando ser paciente aqui", ele rosnou no meu ouvido e, naquele momento, eu virei um tomate de verdade.
Eu fechei meus olhos com força e coloquei as mãos nas minhas bochechas de vergonha enquanto ele ria, achando graça de mim.
Eu olhei pra ele com raiva assim que ele se virou pra sair e falei: "Eu te odeio, caramba!"
Ele só se virou e respondeu "Ah, eu não", depois ele piscou e foi embora, me deixando extremamente e totalmente confusa.
****
Depois do encontro infeliz com a Lexis, eu decidi clarear a mente indo fazer compras no mercado. Sim, eu amo fazer compras de comida.
Eu disse comida? Besteira, né.
Eu peguei três caixas grandes de Toblerone pra colocar no carrinho e, quando olhei pra cima, meus olhos encontraram um rosto que eu não podia perder. O mesmo cara que não parava de me seguir no caminho pra ver a Connie.
Sinceramente, eu não curto estranhos começando, e isso tava saindo do controle. Eu precisava confrontá-lo, mas não tão cedo, eu sou esperta demais pra isso. Eu escolhi fingir que não tava vendo os olhares dele pra atraí-lo pra um lugar mais aberto, porque, pode confiar, eu nunca ia ser pega com o agente do diabo escondido.
Eu continuei empurrando meu carrinho, comprando minhas necessidades de sempre, mas sempre de olho no cara estranho que não parava de me seguir.
Finalmente, eu tive uma chance de falar com ele e perguntar por que cargas d'água ele tava me seguindo.
Eu me virei pra encarar ele e ele imediatamente virou o rosto, como se não estivesse me encarando.
Eu não percebi o que tava fazendo até que entrei em contato com algo ou, perdão, alguém.
"Eu sinto-" eu comecei a dizer, mas minhas palavras secaram quando eu vi a Lexis, muito feliz, radiante. Em que esse cara tá se transformando?
"Você tá me perseguindo?" Eu tive que perguntar.
"Queria você, princesa. Agora vamos reformular isso; você tá me seguindo?" Ele pergunta com um sorriso que me deixa com as pernas bambas.
Eu me pego admirando ele mais uma vez, o que causa uma sensação de paz em mim.
"Você devia tirar uma foto, princesa", ele ri de mim e eu dou um tapa de leve nele.
"Você adora esbarrar em mim, né?" Ele continua.
Eu dou uma bufada "Como se. A gente mora junto, seu burro". Aí eu lembrei do cara estranho, mas, quando olhei pra cima, ele tinha sumido. Estranho.
Eu deixei o pensamento pra lá quando a Lexis estalou os dedos na minha cara "Quê?" Eu perguntei.
"Eu disse que você vem comigo", ele disse, sem rodeios, e eu encarei ele.
"Hum, você não ia perguntar ou-" antes que eu pudesse continuar, ele me puxou de leve junto com ele.
Eu queria gritar e discutir, mas eu curti muito o momento.
"Você me fez perder meu tempo de compras", eu bufei enquanto entravamos no carro. Ah, tipo, ele me empurrou pro carro por causa da minha teimosia.
"Faz isso outra hora, e, além disso, besteira não é o que eu chamo de mercado", ele respondeu antes de voltar a atenção pra estrada.
****
Depois do que pareceu horas, chegamos num prédio abandonado enorme, que devia ser de alguma empresa ou algo assim.
"Ok, eu sei o quanto você me odeia e tals, mas você realmente devia ter me deixado dizer tchau"
Ele riu "Não seja boba, princesa"
"Então, exatamente o que estamos fazendo aqui?" Me chama de burra, mas eu realmente não quero morrer.
"Só-" ele parou "Me segue", ele sinalizou, desligando o motor.
"Tá bom". Eu só concordei porque não tava pronta pra me virar nessa cidade meio estranha.
Então, eu só segui ele enquanto começamos a subir as escadas, mas eu parei porque não aguentava a quantidade de degraus.
"Tô-tô-tô sem condições, n-não consigo mais", eu arfei, limpando as gotas de suor da minha cabeça.
"Sua folgada. É só o quinto andar", ele revirou os olhos e ficou parado, de boa, como se não tivesse feito a mesma coisa que eu.
"E daí? Quantos degraus faltam, por favor?" Eu implorei.
"Cinquenta e cinco", ele respondeu, sem graça.
"Da próxima vez, me leva pra academia", eu bufei e ele sorriu e veio na minha direção, o que me fez andar pra trás também.
Quando eu tava quase batendo na parede, fui levantada do chão por ninguém menos que a Lexis.
Eu lutei contra a vontade de sair do colo dele, mas não consegui, porque eu tava me sentindo... bem.
"Ok, chega de pensar e corar, princesa, chegamos", ele sorriu docemente antes de me colocar de volta no chão.
Tudo era enorme, era simples, mas bom, as paredes eram creme e parecia que alguém morava ali. Tirando isso, não era muito fantástico.
"Começando a me arrepender de vir com você aqui", eu falei.
"Eu fiz a maior parte do trabalho aqui, e não foi pra isso que eu te trouxe", ele foi pra janela, abriu ela e sentou no chão.
Instintivamente, eu fiz o mesmo, e como eu fiquei impressionada com a vista na minha frente. O pôr do sol tava tão lindo, quando a luz da noite começou a se formar. Durante o tempo que não havia dor nem pressão, a beleza pura das cores que se espalhavam pelo céu me deixava hipnotizada. Eu tava cheia de esperança, alegria, amor. Eu me senti abençoada e tocada. O tempo parou, enquanto eu absorvia a energia do lugar, a visão do sol desaparecendo, a magia de tudo. O sol moribundo provou o contrário de seu estado, me dando uma nova vida.
"Gostou?" A Lexis finalmente falou.
"Eu diria que amei." Ele riu e continuou "Então é aqui que o infame Lexis passa o tempo dele, fazendo o que ele faz de tão indigno"
Ele balançou a cabeça "Você realmente me considera uma pessoa ruim, hein?"
"Ah, nem tanto. Eu sei que você é um banana total"
"Banana? Não, e não me julga ainda, eu não sou exatamente o tipo mau, nem tenho um passado ruim, sabe, só às vezes. Impossível.
"Conta mais", eu concordo, e nós dois caímos na risada.
"Você realmente é alguma coisa, princesa", ele continua.
"Como?" Eu pergunto, confusa.
"Aqui eu pensei que era muito difícil lidar comigo, mas, até te conhecer, eu preciso dizer, você é uma pessoa e tanto. Você engarrafa suas emoções demais, você se importa muito com os outros, quando você sabe quanta dor você sente e, claro, você é incrivelmente burra"
Temos um observador aqui.
Ele continua "E eu sei o quanto você tá sofrendo por causa do Leon, o quanto você quer ver ele, seus pesadelos, a escola mental, tudo isso"
Eu só fico encarando a Lexis, chocada com a confissão dele. Não acredito que ele sabia sobre isso e nunca me perguntou.
"Eu sempre soube que você era secretamente fã", eu brinquei. Por mais que eu quisesse botar pra fora meus sentimentos pra Lexis, eu tenho que me impedir de parecer uma idiota.
"Começa a se expressar. Você só vai continuar sofrendo se não fizer isso", ele disse baixinho.
Enquanto meus olhos encontravam os dele, eu senti paz e uma espécie de calmaria em mim, mas eu sabia que, não importa o quanto eu quisesse abrir meu coração, eu tava com medo da nova emoção crescendo em mim.
Eu tava começando a me apaixonar pelo Alexander. Muito mais do que eu devia.