Capítulo 46
A COISA ATRÁS DA AMARGURA
O tempo tava voando, mas a Tina não tava nem um pouco a fim de ir pra escola. A única coisa que ela queria no momento era sumir com a brisa, o que era tão absurdo quanto parecia. Ela andava pela calçada, perdida nos pensamentos deprimentes dela. Por dentro, ela sentia a amargura subir, lembrando de cada memória do passado que vinha na cabeça, enquanto lutava pra não chorar. Ela tava muito chateada consigo mesma e com tudo o que tava rolando na vida dela.
'Eles foram a principal razão de ela estar assim, mas parece que não entendem'; A voz dela ecoava por dentro. Só de pensar nisso, o estômago dela revirava de ódio.
Depois de uma caminhada que parecia não ter fim, ela finalmente chegou no ponto de ônibus. Sentou em um dos bancos, embaixo da sombra, olhando pros pés. Não demorou muito, o primeiro ônibus passou, mas ela não tava nem um pouco interessada em entrar. Ficou ali, grudada no banco, afogando a tristeza dela – a sensação de dormência tomou conta do corpo dela, e ela se sentia destruída por dentro.
Naquele momento, uma pessoa parou do lado dela, a poucos centímetros de distância, mas ela tava tão perdida em si mesma que nem percebeu. O rapaz de altura mediana, que parecia ser um ano mais velho que a Tina, olhou pra garota deprimida sentada na frente dele e se esticou nas pontas dos pés – puxando as alças da mochila, como se estivesse se espreguiçando, enquanto olhava pra frente com um sorriso revigorante no rosto.
'A vida é irônica demais pra gente entender direito, né?' Ele disse, desviando o olhar pra Tina.
A última, instintivamente, levantou os olhos pro som que chamou a atenção dela, só pra encontrar o sorriso mais doce que ela já tinha visto; a franja preta dele cobrindo um pouco o rosto. Ela olhou pros olhos verdes, arregalados, com uma cara de interrogação – sem saber se conhecia ele ou não, mas aí o uniforme que ele usava chamou a atenção dela. Eles eram da mesma escola, mas ele não parecia alguém que ela já tinha visto antes.
'Você não acha?' Ele continuou, agora com toda a atenção da Tina. Ele conseguia ver nos olhos dela quanta dor ela tava guardando lá no fundo. 'Sabe,' Ele fez uma pausa de um segundo. 'Precisa de tristeza pra saber o que é felicidade. Barulho pra valorizar o silêncio e ausência pra valorizar a presença.' Ele continuou, esperando mandar um pouco de esperança pra ela, mas ela só ficou olhando pra ele, sem entender o que ele tava falando ou, melhor, sem se importar.
Ela estudou ele por um tempo, pra ver se sacava alguma coisa, mas os olhos dele eram impenetráveis e o rosto indecifrável não entregavam nada. Ela franziu a testa, confusa, e continuou olhando pra ele com a mesma cara de interrogação; o trauma e a amargura dela tinham sumido de repente. O intruso percebeu a atitude hostil dela, mas, como se fosse um impulso, esticou a mão pra ela.
'Ethen,' Ele disse, parado na frente dela com um sorriso no rosto, em silêncio – esperando ela pegar a mão dele e se apresentar também. Mas, em vez disso, a Tina debochou~ revirando os olhos enquanto olhava pro espaço e depois pro Ethen. Analisando ele, ela se levantou de uma vez, com as emoções à flor da pele.
Fazendo um gelo, ela ajeitou a mochila nos ombros, jogou um olhar severo pra ele e fez sinal pro táxi que tava chegando parar. Ethen viu ela entrar e o carro sair em disparada. Instintivamente, ele deixou o olhar voltar pra mão esticada dele e deu de ombros, abaixando o braço e fazendo um sorriso discreto. Aí, o segundo ônibus passou e ele entrou.
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A Phidel saiu de casa mais cedo que o normal, sem que a Isla soubesse direito o que ela tava aprontando. 'Ela disse que tinha aula de manhã cedo e queria evitar se atrasar.' Foi só isso que a primeira conseguiu ouvir da mãe dela, mas, então, como é que ela não sabe de nada? Ela pensou.
Analisando as irmãs, ela percebeu que elas eram totalmente diferentes. Uma era reservada e gostava de pensar nas coisas, enquanto a outra era o tipo durona, que não deixava as coisas passarem batidas. Sem falar da personalidade intimidadora dela.
A Isla tinha procurado a Phidel na escola toda, mas ela parecia não estar em lugar nenhum. Ela perguntou pra várias amigas dela, mas ninguém sabia onde ela tava – nem a Claire, que parecia ser a stalker dela.
Ela queria procurar mais, mas o sinal da manhã não deixou outra opção a não ser ir pra aula do primeiro período. Apesar de estar sentada na sala, fingindo estar concentrada na aula, a cabeça dela não tava em paz – principalmente sem saber onde a prima dela tava ou o que ela tava aprontando. Um suspiro escapou dos lábios dela, intuitivamente, enquanto ela apoiava o cotovelo na mesa – sustentando a cabeça com a palma da mão, enquanto os olhos dela estavam grudados no quadro, anotando algumas coisas.
O Rowan, por outro lado, não tava diferente da Isla. Já fazia 30 minutos que as aulas tinham começado, mas, pra surpresa dele, nem a Tina nem a Phidelia (Phidel) estavam lá. Os olhos dele percorreram a sala, que parecia estar com todo mundo, exceto as duas – até a Roxy e a Bella estavam lá.
'Onde essas duas podem estar?' Ele resmungou pra si mesmo, mas estremeceu com a ideia delas estarem juntas em algum lugar. Com certeza ia dar faísca se elas realmente estivessem. Um suspiro de exaustão escapou dos lábios dele, de repente, ficando impaciente, enquanto esperava que a aula terminasse logo.
Enquanto isso, a Phidelia e a Phidel estavam escondidas em algum lugar no corredor que leva pra sala de controle, a poucos metros de distância, esperando a chance de entrar escondidas. 'Tem certeza disso?' A Phidelia sussurrou, por cima do ombro da irmã, enquanto espreitava por trás, no espaço aberto de onde elas se escondiam.