Capítulo 52
O JOGO DO SOCO
Sentada no ônibus enquanto ele passava pelas ruas familiares, Phidel não conseguia evitar a sua ansiedade – a sua mente simplesmente se recusava a ficar calma. Era como se todo o universo estivesse de repente caindo sobre ela.
'Será que me descobriram? É assim que acaba? Eu falhei em levar os assassinos da minha irmã para a justiça? Eu falhei com a justiça que ela merece?' Estas e outras perguntas se revezavam em sua mente enquanto ela permanecia inquieta. Não havia como ela desistir, não quando tinha chegado tão longe. '...Preciso fazer alguma coisa, eu definitivamente não vou recuar,' ela disse com um certo grau de certeza – pensando em um plano 'B' caso a sua antecipação se mostrasse correta.
Phidelia, por outro lado, apenas ficou ao lado dela – lançando olhares a cada minuto que passava. Parecia que ela não conhecia mais a sua irmã. Se ela pudesse desejar algo naquele momento, seria a capacidade de ler a mente da sua irmã, só para saber o que estava acontecendo lá dentro.
No entanto, a primeira também se recusou a dizer qualquer coisa a ela. Onde ela foi, sobre o que era a chamada e os seus planos – tudo permaneceu um mistério.
'Só espero que você não esteja tentando fazer nada estúpido,' Phidelia comentou – fazendo Phidel lançar um olhar para ela, mas depois, voltar o seu olhar para a estrada à frente; recusando-se a dizer alguma coisa. 'Você sabe que não pode usar violência para resolver violência, certo?' ela acrescentou.
Assim que Phidelia terminou a sua frase, o ônibus parou. Sem uma palavra, Phidel pegou a sua bolsa do seu assento – jogando-a sobre o ombro. Usando aquela mesma expressão severa – ela correu em direção à porta de vidro dobrável. Instintivamente, a primeira se endireitou e correu atrás da sua irmã.
Seguindo de perto, ambas saíram do ônibus e ele acelerou. O vento beliscou as bochechas de Phidel enquanto ela corria pela calçada, mas, então, havia muita coisa acontecendo na sua mente para prestar atenção em alguma coisa – especialmente com Phidelia a importuná-la.
Cansada da sua irmã, ela parou abruptamente; fazendo a segunda parar também.
'Você pode parar com isso já?' Phidel gritou, irritada com a conversa persistente de Phidelia sobre não combater a violência com violência. 'Você sequer sabe o que está dizendo?' ela continuou, com o olhar fixo na sua irmã – se as pessoas estivessem passando naquele momento, elas poderiam pensar que ela estava ficando louca, mas ela não se importava. Ela já tinha chegado ao limite e não ia concordar com ninguém a dizer-lhe o que fazer, especialmente não quando ela sabia o que Tina estava aprontando. '...Era exatamente assim que você era e agora olha para você? Você acha que eu estou feliz em ver você assim?' A raiva queimou através dela quando uma lágrima escapou do seu olho. 'Eu não vou apenas ficar parada,' ela disse com um certo grau de certeza – fungando a sua lágrima enquanto rapidamente enxugava os olhos e saiu correndo.
As palavras de Phidel atingiram Phidelia tão claramente quanto eram. Por alguns segundos, ela permaneceu no seu lugar – perplexa. Ela sentiu a dor e a amargura que a sua irmã guardava, mas não conseguiu ajudar de nenhuma forma. Ela não quer ver a sua irmã se tornar fria só por causa dela~ não, não era isso que ela queria.
Finalmente recuperando o controle de si mesma, ela correu atrás da sua gêmea. A essa altura, elas já tinham chegado à casa.
********
Correndo para a varanda, Phidel achou a casa surpreendentemente mais silenciosa do que o normal – especialmente para uma hora em que ela sabia que tanto Isla quanto Jade deveriam estar em casa. Empurrando a porta, ela entrou; seguida por Phidelia que estava tão confusa quanto a sua irmã.
A primeira girou a cabeça e encontrou o corredor vazio para a sua surpresa; intuitivamente, o seu coração pulou ao pensar no que esperar.
Se não fosse por nada, Tia Emma deveria estar na cozinha, preparando as coisas, mas ela não estava, o que só era perturbador.
'Espero que não seja o que estou pensando,' Phidel resmungou mentalmente para si mesma – indo em direção à escada enquanto lançava um olhar para o corredor mais uma vez antes de subir com Phidelia seguindo-a.
Entrando no corredor, ela foi para o seu quarto, apesar da inquietação da atmosfera presente naquele momento. Quando ela estava prestes a passar pela porta de Isla, uma mão de repente prendeu o seu pulso – puxando-a habilmente.
Os olhos de Phidelia se arregalaram com o evento inesperado e rapidamente a acompanharam.
Conseguindo levar Phidel despercebida, Isla fechou a porta atrás de si o mais silenciosamente possível.
'O que foi isso?' Phidel perguntou sem fôlego ao recuperar o fôlego. Isla lançou um olhar para ela, então soltou a mão dela enquanto um suspiro escapava dos seus lábios.
'Onde você esteve?' uma voz familiar raspou o seu ouvido apenas para virar e ver Jade sentado na cama de Isla com o olhar enterrado no seu telefone como sempre – jogando um videogame. '...Pode nos dizer?' ele levantou o olhar para Phidel enquanto colocava o telefone ao lado dele.
'Eu prefiro não dizer,' ela respondeu secamente, entrando no quarto enquanto estava na porta. Isla, que estava ao lado da cama, estalou a língua; não muito surpresa.
'Mas por que não?' Phidelia rapidamente comentou – ansiosa para saber também. Pelo menos o que a sua irmã tinha feito o dia todo na sua ausência; dada a sua natureza aventureira. Nada dentro do poder de um homem era impossível para ela – mesmo quando lhe fosse dada a chance de correr perigo, ela o faria com prazer~ essa era a força de vontade dela.
'Não com você aqui,' Phidel disparou com as sobrancelhas franzidas, embora ela não fosse contar nem mesmo se Phidelia não estivesse por perto. Apesar da sua resposta, a sua irmã a conhecia muito bem para isso, embora não passassem muito tempo juntas.
'Não com quem aqui?' Isla perguntou com uma testa enrugada, trazendo à mente a realidade da presença delas e o fato de ouvir o que ela acabou de dizer.
'Bem, hum... a questão é~' ela gaguejou, sem saber a melhor forma de inventar uma desculpa para se salvar.