Capítulo 12
A galera explode em aplausos e gritos quando a luta começa. Tamo tudo sentados no chão, tipo um círculo, lá fora. A gente saiu daqui faz uns minutos, depois da aula de história e do almoço. Aprender sobre as batalhas do passado e os líderes deixou meus nervos em frangalhos, mas agora que enchi a pança, meu lado ativo tá bombando.
"Ele é forte", fala o Hen Yu, se debruçando no meu ombro. "Quem você vai desafiar?", ele pergunta baixinho, pra garantir que o Mestre Ling não ouça.
"Quem você acha?", dou um sorrisinho, com os olhos grudados nos nossos colegas, que tão mostrando suas habilidades de luta.
"Cheng Lie."
"Nããão!", balanço a cabeça pro lado e pro outro, tipo 'não'.
"E então?", a voz dele sai um pouco mais alta, de tão empolgado. Viro pra direita, encaro ele e coloco o dedo indicador nos lábios. "Abaixa a voz", resmungo baixinho, porque não quero ser punida por me comportar mal durante as aulas. E também, simplesmente não quero mais essa punição, sabe? É melhor controlar as ações.
"Desculpa", a voz dele sai baixa, como um sussurro, o que me faz abrir um sorriso.
Ele pode ser tão fofo às vezes que eu penso que, se fosse menina, com certeza ia sair com ele, porque ele é obediente demais.
Tsc... Quase esqueci que eu sou menina.
"Quem?", ele pergunta curioso.
"Fang Lei."
"Quê?", ele rosna baixinho. "Ele é bom nas artes marciais", ele exclama.
Virando pra direita, encaro ele com aquela cara de 'você-tá-me-subestimando'.
"Só ouvi uns colegas dizendo que ninguém ia desafiá-lo", explico.
"E daí?"
"Então, só quero tentar", dou de ombros.
"É difícil te entender às vezes, Keke, mas você tá virando minha ídola dia após dia", ele sorri, mostrando os dentes brancos. Rindo do comportamento dele, desvio o olhar dele e olho pro centro do círculo que a gente formou.
"Hen Yu", o Mestre Ling chama, depois que a luta acaba. Não é bem uma luta feroz, sabe? É tipo a gente precisar saber se defender melhor, se não, pode levar um tapa se a pessoa não parar com as ações.
"Vai. Vai. Vai", eu empurro ele pra frente quando ele se levanta.
"Quem quer desafiá-lo?", o Mestre Ling anda pelo círculo com as mãos atrás das costas.
A maioria dos colegas levanta a mão e o Cheng Lie é um deles.
"Cheng Lie", o Mestre manda ele ir em frente. Levantando do chão, ele anda pro centro.
Sorrio pro YuYu, que tá me olhando. Levanto as mãos na frente, com os polegares pra cima. "Você consegue!", falo baixinho e ele sorri lendo meus lábios.
Desviando o olhar do Cheng Lie, que tá com os olhos grudados em mim, com um sorriso no rosto, olho pro Hen Yu. Resmungando, ele se levanta, apoiando as mãos no chão. Esfregando as palmas das mãos, ele volta e senta do meu lado.
"Tá tudo bem, você foi bem", eu animo, cutucando a barriga dele com o cotovelo. "Nunca pensei que suas artes marciais fossem melhores do que eu imaginava."
"É mesmo?", ele coça a nuca com um sorriso sem jeito.
"Fang Lei", o Mestre chama em voz alta, chamando minha atenção.
Todo mundo desafiou um ao outro, menos eu e o Brother Lei. Eu até pensei em desafiá-lo, mesmo que fosse a segunda rodada, mas parece que estamos destinados a ser oponentes hoje.
"Quem está disposto a desafiá-lo?", o Mestre Ling pergunta em voz alta, mas o ambiente está em silêncio e ninguém se atreveu a levantar a mão.
Vamos ver o que ele tem que a maioria tem medo de desafiá-lo.
"Eu vou", levanto e vou pro centro com um sorriso.
A gente se encara por um tempo antes de começar e eu tomo a iniciativa, já que ele não toma. Depois de tantas tentativas, a gente não consegue ser derrotado um pelo outro, e pra ser sincera, o Brother Lei é mais forte e esperto que eu, mas eu tentei o meu melhor pra me defender de todas as ações. Dando um passo pra trás, coloco meu pé direito no chão, entre as pernas dele, pra chutar uma perna dele, mas antes que eu pudesse fazer isso, meu pé é chutado, o que me faz perder o equilíbrio e cair pra trás no pé esquerdo, mas eu trago meu corpo pra equilibrar em uma fração de segundo, porque ninguém esperava.
Meus olhos se arregalam quando sinto o toque dele no tecido sobre meu peito. Desviando o olhar dele, olho pra baixo e vejo a mão dele agarrando a gola. Ele me puxa pra frente, o que faz com que a palma da mão dele caia sobre meu peito. Sem minha intenção, ou pensando duas vezes, meu corpo reage a isso, dando um soco na bochecha direita dele, o que faz a galera respirar fundo e ele resmunga baixinho, segurando a mandíbula.
"Oh... Desculpa... Desculpa", eu peço desculpas, cobrindo a boca de espanto. Sei que ele fez isso pra me ajudar a não cair, mas minhas mãos agiram antes do meu cérebro funcionar.
"Desculpa", eu me curvo pra pedir desculpas sinceramente.
"Wan Ke",
"Sim, Mestre", virando, olho pro mestre. "Boa jogada, leve-o pra enfermaria", ele instrui.
Boa jogada?
Só eu sei que o que eu fiz foi completamente sem querer e só eu sei o motivo de eu ter feito isso.
"Ok, Mestre",
Segurando o braço dele, eu o empurro com o ombro, gesticulando pra ele se mover, e o caminho todo pra enfermaria eu continuei pedindo desculpas e ele se afasta dizendo que não importa.
'Mostra aí", pegando o creme do pote, fico na frente do Brother Lei, que está sentado na beira da cama. Dando um passo pra frente, eu me abaixo e seguro o queixo dele. 'Desculpa", sussurro, aplicando a pomada no lado direito dos lábios dele, que ficou vermelho com uma tonalidade roxa.
Ele me encara profundamente enquanto eu aplico a pomada. "Ouvi muitas garotas te chamando de bonito", ele diz, sem tirar os olhos de mim. Parando minhas ações, eu me inclino pra frente. 'O que você acha?", dando um sorriso, pisco pra ele.
'Quando te olho tão de perto", ele responde em voz baixa, mas ainda sim seca. 'Acho que você é bonita."
Dando um passo pra trás imediatamente, eu viro, colocando o pote na cômoda de madeira. As palavras dele repetindo na minha mente. Tento me convencer a não ser afetada pelas palavras dele, mas me faz sentir feliz, porque nunca me disseram que eu sou bonita e, sendo menina, eu gostei muito disso.