Capítulo 17
Tô ligado em cada ação dele, mó cuidadoso porque a atitude dele, depois de saber o que eu preciso, tá suspeita. Ele me olha de canto, devagar, e joga o pote na minha direção, num piscar de olhos. Escorrego pra esquerda, por cima do banco. Me levanto e dou um chute na barriga do cara do meu lado, pra cerâmica estourar no chão.
Saio voando da mesa, derrubando tudo, e os outros caras viram a cara pra ver a treta. Em um segundo, puxo o braço pra trás, fecho o punho, e mando um soco com a força toda. Acerto o cara com quem eu tava brincando, que vai pra trás com tudo. O baque surdo e o suspiro de ar confirmam que deixei ele sem ar.
A gritaria da galera some quando os outros vão embora. Ouvi alguém se juntando, pra ajudar, mas outro cara impediu, dizendo que eu sou o quinto príncipe. Essa conversa me pegou desprevenido, porque muita gente no estado não sabia que eu era o quinto príncipe. Eu sempre mantive um perfil discreto, pra não ter problemas.
Volto pro líder da gangue, com quem eu tava lutando agora há pouco, depois de dar uma surra nos capangas dele. Puxo a gola dele, tento levantar, mas não consigo por causa do peso. Grunhindo alto, tento manter ele sentado. Minha mente me mandando malhar, deixar minhas habilidades de lado.
Me abaixo, coloco a palma da mão no pau de madeira onde ele apoia os ombros, e a outra palma no ombro direito dele pra segurar ele no lugar.
"Cadê a carta?" pergunto, com a voz baixa, alarmado.
Ele lambe o sangue nos lábios e me encara. "Não tá comigo", ele sorri maliciosamente, me dando nos nervos.
Fecho a mão e dou um soco na bochecha dele. "Onde tá?" Minha voz sai alta, com raiva. Boto o pé na perna dele e piso com força no tornozelo que já tava machucado.
"Tá...", ele solta um grito de dor, o que me faz aliviar a pressão. "O Oficial JiangYi pegou", ele responde fraco. Dou um passo pra trás, fico em pé, sem tirar os olhos dele.
Ele mexe a perna, leva pro lado da coxa e massageia o tornozelo. Pego a minha pochete no chão e jogo nele.
Saio correndo, vou pro departamento de crimes. Meu nível de paciência tá no zero agora, a raiva tá dominando a minha mente. Me escondo dos guardas e entro pela janela do segundo andar, com sucesso. Mas não tem ninguém lá, e o lugar parece que ninguém vem aqui desde de manhã. Saio pela janela e corro pro mercado e outros lugares onde ele costuma ir, porque eu sei toda a rotina dele, depois de ficar seguindo ele por um tempão.
O sol tá indo embora, tá escurecendo. Os portões da academia vão fechar em algumas horas, e eu preciso voltar antes disso. Respiro fundo e entro na rua Shilin. É o lugar onde ele quase não vai. Eu vi ele vindo aqui só uma vez, e esse é o último lugar na minha lista.
Rezo pra que ele esteja lá. Tiro o pedaço de pano do bolso e amarro no meu rosto. Seguro o anel de aço da porta, no canto da rua, e empurro a porta, abrindo um pouco. O barulho da porta velha de madeira rangendo ecoa no corredor vazio. Espio lá dentro e lá está a pessoa que eu estou procurando.
Vejo ele segurando o envelope perto da lareira. Ele me olha e joga o papel no fogo, imediatamente, deixando queimar. Se levanta e corre na minha direção, e eu vou correndo também. A gente fica cara a cara, numa distância que daria pra uma criança engatinhar entre nós. Ele dá um passo pra frente, leva o braço pra dar um soco, mas eu me abaixo e dou um soco na barriga dele, que faz ele dar um passo pra trás, arrastando os pés.
JiangYi tá dobrado, o soco pegou ele desprevenido, e ele se xinga. Sem dar mole, mando outro soco na cabeça dele. Por instinto, ele bloqueia o soco e revida com um corte pra cima no meu pescoço, o que me faz cair, tossindo. Mordo o lábio inferior, me levanto na hora e dou um chute na barriga dele, o que faz ele se curvar pra segurar a barriga com o golpe forte. Aproveitando a posição dele, eu rolo nas costas dele e agarro o pescoço dele pra trás. Os gemidos dele enchem a sala.
Um grito sai da minha boca quando sinto a minha mão sendo segurada por alguém, e no segundo seguinte sou jogado na parede. Abro os olhos e olho pra cima, pra ver quem tá segurando meus ombros.
"Não vai acontecer nada se ele morrer", ele grunhe. Dá pra sentir ele rangendo os dentes, mesmo com o rosto meio coberto pelo material preto.
"Ele merece morrer", rosno, empurrando ele e indo em direção a JiangYi, que tá no chão, segurando a barriga com uma mão e esfregando o pescoço com a outra.
Puxo ele pela gola e faço ele ficar em pé, e ele faz isso também. Ele leva a mão pra me pegar, mas antes que ele consiga, eu seguro o braço dele e torço atrás das costas.
"Eu vou revelar tudo o que você fez hoje à noite", rosno baixo, respirando fundo. De novo, sou puxado e jogado na parede.
"Você tá estragando meus planos", ele rosna, batendo a palma da mão na parede, do lado da minha orelha direita, o que faz vibrar nos meus ouvidos.
Olho pra ele. "Você...."
Ele me prende nos braços e se inclina, nossos rostos a centímetros de distância. "Ele é o único cachorro que a gente tem", ele rosna, a voz saindo perigosamente baixa.
"Eu tenho meus próprios jeitos", dou um chute na barriga dele, o que faz ele cair pra trás.
Dou passos largos em direção a JiangYi e me abaixo pra levantar ele. Dou um passo pra trás quando ele me empurra e me joga no chão em um segundo, segurando um pedaço de madeira afiada a poucos centímetros do meu peito esquerdo, enquanto a palma da mão dele tá cravada na minha. Tento levantar a mão dele, mas tá difícil porque ele tá fazendo muita pressão. Com a outra mão, ele aproxima do meu rosto, tentando levantar meu véu. Um sorriso surge no meu rosto, o que faz ele me olhar surpreso. Levanto a perna entre as dele e empurro ele com um chute na barriga. Pego o pedaço de madeira dele e levo em direção ao pescoço dele, mas o pedaço de madeira cai no chão quando a minha mão relaxa, porque meu braço tá sendo puxado com força.
Ele me joga na parede e coloca o braço no meu peito, me segurando no lugar. Minha mente desvia completamente do JiangYi e vai pra ele. Olho pro braço dele, movo o olhar pra cima, me debatendo no aperto dele.
A mão dele tá bem em cima dos meus seios e eu tô tentando de tudo pra empurrar ele, mas ele nem se mexe. Preciso mesmo focar na minha força, mais do que nas habilidades.
"Me solta", rosno, me debatendo no aperto dele, sentindo um desconforto com o toque dele. Usando toda a minha força, tento afastar ele, ficando louco. Viro pra esquerda quando o rangido da porta entra nos meus ouvidos. As minhas sobrancelhas se franzem e minha raiva tá subindo agora.
JiangYi escapa.
"Me solta!" grito, lutando pra sair do aperto dele. Minhas ações param e meus olhos saem das órbitas, com a boca no chão quando as palavras dele ecoam nos meus ouvidos. É como se o meu coração parasse e voltasse pra registrar as palavras dele na minha mente.
"Eu sei quem você é", o rosto dele tá a poucos centímetros do meu, nossos narizes quase se tocando, e eu tenho certeza que ele consegue ouvir o meu coração, que tá batendo rápido, de tanto espanto.
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