CAPÍTULO Trinta e Cinco
Quem É Essa?
Otávia POV
Eu gemi de dor, enquanto fui jogada com força no chão. Os homens que me jogaram lá dentro, trancaram a barra, antes de sair, me deixando pra me virar. Uma lágrima escorreu pelas minhas bochechas, enquanto eu rastejava até a porta, meu corpo todo doía, enquanto sangue continuava a sair do meu corpo. As dores no meu corpo, não importavam pra mim, eu só quero ver meus pais, eu não sei como eles estão se sentindo agora, eu não sei se eles ainda estão vivos ou não.
Apenas a ideia deles serem mortos, me faz ter arrepios e rasga meu coração em pedaços. Minha vida toda virou uma bagunça, só num piscar de olhos, minha vida toda está desmoronando diante dos meus olhos, só num segundo. Agora eu sei que eu não sou nada, apenas uma maldição, agora eu sei que eu sempre fui o problema.
Tentei levantar, mas me contorci e caí de novo, pois meu corpo todo dói pelas cem chibatadas que me deram lá atrás. Por quanto tempo eu vou continuar me afogando nessas dores? Por quanto tempo eu terei que sofrer assim? Por quanto tempo eu terei que aguentar essas dores? A ideia de ser espancada todos os dias até morrer, me faz querer tirar minha vida, mas como isso é possível, quando minhas mãos estão amarradas?
Deitada no chão frio, eu permiti que minhas lágrimas caíssem livremente dos meus olhos, enquanto a ideia de todos, meus pais, Mãe Lia e Sr. Bonitão, continuam assombrando minha mente bagunçada. Senti minhas pálpebras pesadas e, lentamente, fechei meus olhos, quando tudo ficou escuro...
Alfa POV
Eu observei quando ela ficou de pé, com seu corpo inteiro em chamas, parecendo tão perigosa e feroz como sempre. Ela parecia estar pronta pra matar qualquer um.
Depois do que pareceu uma eternidade, ela ficou fraca e caiu no chão, respirando pesadamente. Ela parecia extremamente fraca e, por alguma razão desconhecida, meu Demônio continuou me empurrando pra ir ajudá-la. Pelo amor de Deus, o que há de errado com ele? Por que ele é tão obcecado por essa garota em particular? O que há de tão especial nela?
Chamando a atenção dos Guardas, eu pedi que ela fosse amarrada, depois do que lhe deram cem chibatadas, enquanto ela chorava de dor. A cada grito dela, senti meu coração apertar de dor, fiquei muito machucado, vendo-a machucada, por mais que meu Demônio quisesse impedi-los, eu não o deixei, enquanto eu continuei o restringindo.
Quando eles terminaram de espancá-la, ela já estava muito fraca e quase morrendo. Ela levantou a cabeça fracamente pra me olhar, com tanta raiva e dor no rosto, e eu não pude evitar a forte onda de culpa que me atingiu. Por mais que eu quisesse ser forte, por mais que eu não quisesse ser misericordoso, por mais que eu quisesse manter minha ferocidade, pela qual sou conhecido, por alguma razão desconhecida, me senti vulnerável diante dela, e isso é tão irritante.
"Levem-na." Eu disse, depois de um longo silêncio, enquanto eu virava o rosto. Dói vê-la assim, estou apenas me forçando a não ceder ao meu Demônio. Eu sempre o deixei me controlar quando ele quer, mas agora, mesmo que isso esteja me causando dores, eu devo restringi-lo.
Os Guardas se curvaram, antes de ir desamarrá-la, depois do que a arrastaram.
Eu não pude evitar, mas fiquei olhando pra eles, enquanto a arrastavam pra longe. Meu Demônio continuou lutando para assumir o controle, ele continuou me empurrando com raiva, mas eu sei melhor do que restringi-lo.
Soltando um suspiro suave, eu me teletransportei para o jardim para pegar um pouco de ar fresco. Uma vez no jardim, suspirei, enquanto envolvia minha mão no meu peito, olhando pro espaço, enquanto deixava o ar fresco acariciar meu rosto suavemente. Por alguns minutos, eu desliguei minha mente de todos os pensamentos perturbadores, enquanto permaneci focado em pegar o ar fresco, e quando me cansei, me teletransportei para o meu quarto.
Entrando no meu quarto, comecei a andar de um lado pro outro, pois não conseguia parar de pensar nela. Seus olhos, sua aura e tudo sobre ela. Em todos os meus anos de existência, eu nunca vi alguém assim, em toda a minha vida, isso nunca aconteceu, e saber que veio de uma Ômega, continua me deixando louco. Me sinto tão humilhado, me sinto tão bravo comigo mesmo, que mesmo quando eu queria matá-la, meu Demônio não me deixou fazer isso, me sinto tão bravo, que mesmo quando eu quero vê-la punida, ouvi-la gritar de dor, e ver suas lágrimas, meu Demônio simplesmente não me permite. Tentei descobrir qual poderia ser o problema, mas quanto mais eu tentava, mais confuso ficava.
"Otávia!" Eu murmurei seu nome, enquanto eu caminhava pra ficar em frente ao espelho, olhando profundamente no meu próprio reflexo. Senti meu coração batendo forte contra a minha caixa torácica, meu corpo todo tremendo de raiva, enquanto sentia meu sangue fervendo de raiva. Eu não sei por que ou com quem exatamente estou bravo, se é com meu Demônio ou com a moça misteriosa, tudo é tão confuso. Eu nunca fiquei tão confuso em toda a minha vida.
Soltando um suspiro suave, fechei meus olhos brevemente e joguei minha cabeça pra trás, quando a cena veio tocando em minha mente, como um filme. Como ela desafiou os Guardas, seu olhar monstruoso, seus olhos escuros flamejantes, sua voz profunda, sua aura sombria e intimidadora, tudo veio tocando na minha mente, e eu não pude evitar, mas me perguntar quem ela é.
"Você!" De repente, ouvi uma voz raivosa, e eu sacudi meus olhos abertos, olhando de volta pro reflexo no espelho, mas fiquei chocado, ao ver o reflexo de outro eu, de pé atrás de mim, com seus olhos todos negros e perigosos.
Bati minhas pestanas, pra ter certeza de que não estava alucinando, mas fiquei aterrorizado, quando vi minha outra imagem, olhando fixamente pra mim, através do espelho. Engoli em seco, enquanto eu me virava lentamente para confirmar o reflexo no espelho, mas congelei no meu lugar, quando fui recebido com minha própria imagem, olhando fixamente pra mim, parecendo com raiva...