Capítulo Trinta e Dois
A gente encosta na mansão gigante e o Julian e o Brandon saem primeiro, enquanto eu fico no carro, tipo, um segundinho. O prédio, tipo, nem prédio era mais. A entrada da frente era a única coisa que ainda tava de pé. Não acredito que eu sobrevivi àquilo, com uma ajudinha de um familiar, aparentemente. O Brandon olha pra dentro do carro, com uma cara de preocupado, porque eu tava demorando pra sair, e eu entendi que era pra eu vazar. Abro a porta, saio do carro e sinto aquele ar puro, respiro fundo e dou uma olhada no chão. Foca, Taylor, é hora de trabalhar.
Depois de eu me livrar daquele sentimento de ter que fazer o trabalho, fui ficar com os caras. O Julian tava segurando a sacola das paradas e o Brandon, os arquivos. A aliança tinha isolado tudo com fita, e do lado de fora das paredes que sobraram, tinha placas de perigo sobre a estrutura instável.
"Beleza, bora começar e acabar com isso", sorri enquanto o Brandon me entregava o arquivo. Precisávamos terminar tudo antes do pôr do sol, ia ser muito perigoso entrar à noite.
"A Morgan mandou eu ficar grudado em você, tipo cola, então onde você for, eu vou", o Brandon me diz, sorrindo, e eu olho pra ele tipo 'sério?', e ele só balança a cabeça, tipo, confirmando.
"Eu topo qualquer trabalho que vocês precisarem. É a primeira vez que eu tô em campo e tô super animado", o Julian fala, dando uns pulinhos. Totalmente diferente da reação do Brandon na primeira vez dele, que tava morrendo de medo de sair do carro!
"Eu e o Brandon vamos dar uma olhada por dentro, e você vai vasculhar o lixo pra ver se jogaram alguma coisa importante fora", falei, fechando o arquivo. O Brandon só concorda, e a gente começa a ir em direção ao prédio, mas o Julian nos interrompe.
"Eu tenho que olhar o lixo? Por que vocês não podem fazer isso?" ele pergunta quando chegamos no que sobrou da porta. Eu e o Brandon nos olhamos, sorrindo, antes de nos virarmos.
"Eu sou a agente sênior de campo e, como a Morgan não tá aqui, eu que mando nessa busca. Você já viu a Morgan pescando numa lixeira?" Pergunto, colocando os braços no ombro do Brandon. O Julian fica meio surpreso, mas se vira pro Brandon.
"E como você acabou de ouvir, a Morgan me mandou ficar grudado na Taylor, então, se ela não tá pescando na lixeira, eu também não tô", ele sorri, enquanto o Julian fica olhando pra gente, chocado e sem saber o que dizer. "É a sua primeira vez em campo, isso significa que você tem que aproveitar todas as experiências que ele oferece. Você pode riscar 'pescar na lixeira' da lista", o Brandon sorri, quase me fazendo rir. O Julian suspira, tirando as luvas antes de ir na direção das lixeiras.
"Eu já tinha esquecido como é divertido ter um agente em treinamento na equipe", sorrio antes de olhar pra porta, que ainda tava entreaberta por causa do fogo, com o preto na porta tirando a cor dourada.
"Isso foi legal. Entendi porque você e a Riley faziam isso comigo", ele sorri, me ajudando a empurrar a porta totalmente. Deu um trabalhão, mas finalmente cedeu. "Depois de você", ele sorri, fazendo uma pequena reverência. Eu só rio, dando os primeiros passos pra dentro do prédio, com o chão rangendo sob os meus pés.
A entrada não parecia muito danificada. As paredes estavam pretas de fumaça, mas fora isso, tava tudo ok. Era só sair da entrada e entrar no salão de baile, ou no que sobrou do salão de baile. Não tinha teto, tava completamente destruído e desabado, uma montanha de entulho no chão. Só tinha um lado da varanda de pé, o resto tinha ido pro chão junto. Fico parada, olhando pro prédio destruído na minha frente. Quanta coisa mudou em poucos dias!
"É inacreditável que ninguém morreu ou se feriu gravemente", o Brandon fala atrás de mim, enquanto eu começo a subir na montanha de entulho. Assim, consigo ver tudo o que sobrou.
"Isso ia contra o que o grupo defende. Eles querem impedir que as pessoas se machuquem, ou pelo menos foi assim que começaram", respondo, olhando pra varanda. Meus olhos logo param no escritório em que eu entrei naquela noite. "Pelas marcas e pelo que sobrou, o fogo começou naquele escritório", digo, apontando para o escritório. Eles estavam queimando todas as provas que eu encontrei e as coisas que eu não consegui ver.
Vi alguma coisa e desviei o olhar. Caminhei com cuidado para não cair na montanha de entulho. Fui ver o entulho, onde vi o que parecia ser uma foto saindo pra fora.
"Alguém me arruma umas luvas, por favor?!" grito, e em segundos, um agente coloca umas luvas na minha mão.
Agradeço e coloco as luvas. Me ajoelho em frente à foto, removendo as pedras pesadas para não rasgá-la. Assim que pego a foto e vejo o que é, uma lágrima escorre.
Uma foto da minha Mãe, Pai e eu, sorrindo, me encarava. As bordas estavam um pouco queimadas, mas a foto estava intacta.
"Espera, essa é você", o Brandon fala atrás de mim. Eu só balanço a cabeça, suspirando. "Então, podemos confirmar que tem a ver com seu Pai", ele diz, abrindo o saco de evidências para mim. Eu concordo mais uma vez antes de colocar a foto no saco e me levantar, jogando os braços pro alto.
"Por que, por que fizeram isso?!" pergunto em voz alta, muito irritada. Minha família nunca foi assim, antes do que aconteceu comigo. "As pessoas naquela foto nunca pensariam em fazer uma coisa dessas. Tudo isso é por causa do Richard. Eu vou achá-lo e ele vai pagar", digo, acreditando em cada palavra. Já tinha tido a vontade e o sentimento de pegá-lo antes, mas isso só fez crescer.
"Nós vamos encontrá-lo, Taylor. É o fim da linha pra esse cara", diz o Brandon, me fazendo virar para olhá-lo. Mando um sorrisinho de agradecimento. "Talvez devêssemos ir ver se o Julian achou alguma coisa, ou ele pode ter ficado preso na lixeira", ele diz, me fazendo rir um pouco. Ele estende a mão, sorrindo, pra me ajudar a descer.
de forma, a gente tava saindo do prédio. Foi bom sair do entulho e voltar pra realidade. Sigo o Brandon até onde ficam as lixeiras. Duas lixeiras gigantes de metal estavam lá, com o Julian no meio. Ele tava jogando coisas pro lado quando chegamos, não parecia muito contente ali.
"Não tem nada aqui, só comida mofada!" ele exclama, tentando sair da lixeira, mas cai no chão. Isso só o irrita mais. "Por que eu tive que mexer no lixo? Como se eles fossem deixar documentos ali!" ele pergunta, irritado, pra mim, enquanto eu só sorrio. O Brandon ajuda ele a levantar, mas ele escorrega de novo.
"É exatamente por isso que a gente checa a lixeira. Eles podem estar pensando que a gente não é burro o suficiente pra jogar as coisas na lixeira, o que diria pra eles jogarem os documentos lá", explico, vendo ele continuar caindo. Uma risada escapa de mim. "Chame de experiência de trabalho", sorrio, o que, de novo, ele não gosta. Ele se levanta, mas seus pés começam a se mexer como se estivesse correndo.
É como ver um filhote de veado aprendendo a andar. O Richard vai ser assim em breve.