Capítulo Cinquenta e Um
Eu tava voltando pro prédio da aliança, tendo que arrastar dois caras MUITO de ressaca comigo. Os dois ainda tavam de venda nos olhos, mas eu sabia que eles até que tavam gostando de não ter que olhar pro sol. A gente decidiu que era melhor ficar no bando ontem à noite, a festa só acabou tipo umas 4 da manhã e tanto o Toby quanto o Lukas tavam completamente bêbados. Mas pelo menos me deu uma chance de ver a casa do Toby e escolher umas roupas pra mim quando eu for lá. A gente tá fazendo planos pra mim ficar lá, mas eu ainda não sei o que vou fazer nesse lugar, queria tanto poder continuar sendo agente da aliança e ficar no bando do Toby.
"Nosso bando", ele geme, tirando a venda agora que a gente tá no prédio, o Lukas continua com a dele e me diz pra só guiar ele pra sala principal.
Eu dou uma risadinha, guiando os dois pra sala principal, onde a galera já tava esperando a gente lá dentro. Os dois vão direto pro fundo da sala, o Lukas esquece de tirar a venda e quase esbarra na parede.
"Vejo que os dois se divertiram ontem à noite", o Morgan ri, olhando pros dois que só caíram nas cadeiras, eu só rio e balanço a cabeça.
"A gente ia ter chegado mais cedo, mas aqueles dois não queriam sair da cama, mas recusaram me deixar ir sozinha, assim eles podiam dormir mais e eu ia mandar um agente pra buscar eles", eu digo, pendurando meu casaco enquanto isso, o Lukas tira a venda, mas geme com a luz.
"Não, eu gosto de me sentir envolvido", ele reclama, antes de deixar a cabeça cair na mesa de novo, meus olhos se afastam dele e vão pro quadro pra ver se tem alguma novidade.
"O telefone do Richard ligou por dois minutos, a gente conseguiu rastrear ele no território do Não antes de desligarem de novo", explica o Brandon, pegando uma pasta e me entregando "Recebi umas informações sobre a sua mãe que acho que você vai querer ler", ele sorri, dando um tapinha no meu ombro antes de voltar pro lugar dele, eu só balanço a cabeça, prestes a abrir o arquivo, mas a porta abre.
A diretora entra, dá uma olhada nos dois caras, antes do Julian, Brandon e eu ficarmos em posição de sentido. Ela sorri, deixa a gente relaxar antes de se virar pra mim, com um olhar meio de pena.
"Olá, Srta. Westlake, na verdade eu vim aqui pra falar com você", ela diz, o que, pra ser sincera, me deixou meio nervosa "É sobre seu pai, como você sabe, você não está autorizada a falar com ele, já que ele é da sua família e isso vai contra todas as regras aqui", ela começa a dizer, eu balanço a cabeça, entendendo o que ela quis dizer, é só pra garantir que você não sabote a investigação pra fazê-los parecer inocentes só porque são parentes.
"Desde que seu pai chegou, tivemos agentes entrando e saindo, tentando tirar alguma coisa dele, mas ele continua dizendo que não vai falar com ninguém que não seja sua filha, Taylor", ela me conta, o que me faz suspirar, eu tava torcendo pra que agora que eu prendi ele, eu não precisasse lidar com ele por causa das regras "Acredite, tentamos de tudo pra fazer esse homem falar, mas ele não vai dizer nada a menos que fale com você", ela diz, enquanto eu olho pro Morgan, que já tava andando em volta da mesa pra ficar do meu lado.
"Temos que tomar cuidado pra isso não ser uma armadilha, você ouviu o tipo de coisa que estavam dizendo pra Taylor ontem à noite", ele diz, parando do meu lado, o Morgan sempre é muito protetor com os membros da equipe dele.
"A gente sabe, mas não vemos outra forma de fazê-lo falar", ela insiste, enquanto eu só balanço a cabeça, isso é algo que eu preciso fazer.
"É meu trabalho conversar com homens como ele e conseguir informações, ele ser meu pai não vai mudar isso. Ele pode ter informações sobre o Richard que nos ajudariam a pegar ele, antes que ele tenha a chance de machucar mais alguém", eu digo, me preparando pra entrar no jogo, vou ter que fazer um trabalho melhor do que eu fiz ontem à noite pra manter a emoção sob controle.
"Obrigada, Srta. Westlake, vou pedir pra uns agentes prepararem ele pra você entrevistar, esteja nas salas de reunião em alguns minutos", ela me diz antes de sair da sala, enquanto o Morgan agora volta a atenção pra mim.
"Eu vou estar na sala de observação, se precisar de mim, é só usar o sinal", ele sorri, esfregando meu ombro, eu sorrio, agradecendo a ele, antes de meus olhos caírem nos caras lá no fundo, que tavam dormindo profundamente com a cabeça na mesa.
Meia hora depois, eu tava parada do lado de fora da sala de reunião. Os agentes lá dentro tavam preparando meu pai, que ainda não sabia que eu ia entrar. Eu tava esperando a diretora me mandar entrar, vou pegar ele de surpresa, não atacar de verdade, mas vocês sabem o que eu quero dizer. A porta da sala de observação abre, com a diretora me mandando um joinha, é hora de botar o plano em ação, não vou contar pra vocês ainda, vou pegar vocês de surpresa também.
Eu balanço a cabeça, indo até a porta da sala de reunião, quando abro, ouço toda a gritaria e os gritos que enchem o corredor. Quando entro, meu pai tava sendo segurado pela gola, com as mãos ainda algemadas na mesa.
"Ei, que porra você acha que tá fazendo, aquele ali é meu pai", eu grito, arrancando o agente que segurava meu pai, ele olha pra mim surpreso, enquanto eu empurro ele pra porta "Agora saia, que sorte que não foi pra um saco de cadáver!", eu grito, olhando o agente nos olhos, o agente levanta as mãos em sinal de rendição antes de sair correndo da sala, fechando a porta atrás dele.
"Minha pequena Taylor, eu sabia que você ia vir quando me visse de novo", meu pai diz, enquanto eu ajudo ele a ficar de pé, ele tava tremendo todo, enquanto eu o coloco de volta na cadeira "Eu também sabia que se eu continuasse sem responder às perguntas deles, eles iam me deixar ver você", ele diz, enquanto eu vou pro outro lado da mesa, também sentando.
"Não, a questão é que eles não sabem que eu tô aqui e eu posso me meter em tanta encrenca se me pegarem, mas eu precisava te ver", eu digo, mentindo descaradamente, isso faz o rosto dele se iluminar "Isso é outro trabalho extraoficial, preciso da sua ajuda", eu digo, abrindo meu caderno enquanto isso, torcendo pra que, se o plano der certo, isso fique cheio de informações.
"Sabe que eu vou te ajudar de qualquer forma que eu puder", ele me diz, estendendo a mão e pegando uma das minhas, precisei de muito pra não puxar a mão de volta.
"Preciso que você me conte tudo que sabe sobre o Richard e como eu posso fazer pra pegar ele", eu digo, o que o faz parecer um pouco surpreso, não, não posso me dar ao luxo dele não me contar as coisas "Não, você não entende, eu tento rastreá-lo há tantos anos, usando tantos recursos da aliança. Posso dizer que eles estão começando a ficar irritados porque eu nem chego perto de encontrá-lo, ou eu perco tudo o que trabalhei tanto pra conquistar aqui, ou eles me tiram do caso de vez. Nenhum deles vai entender por que eu preciso encontrá-lo, foi ele que fez tudo isso comigo, então eu deveria ser a pessoa a prendê-lo", eu suspiro, olhando pra mesa, algumas das coisas que eu tava dizendo eram realmente verdade.
Sinto ele dar uma apertadinha na minha mão, o que me faz levantar os olhos, ele me manda um sorriso, pegando a outra mão e me passando uma caneta.
"Eu sou a única pessoa que vai entender o que você quer dizer, se você está falando a verdade sobre isso ser extraoficial, eu vou te ajudar", ele sorri, o que faz meus olhos arregalarem, não sei por que fiquei tão chocada, já que era pra isso que eu tinha sido trazida pra essa sala, pra fazê-lo dizer isso.
"Sim, é, o único lugar que vai estar escrito é nesse caderno, depois que pegarmos ele, eu vou garantir que ele seja destruído", eu digo, colocando uma atuação de felicidade "Dessa forma, é como se estivéssemos pegando ele juntos", eu sorrio, tirando a tampa da minha caneta pra começar a escrever.
Enquanto ele gritava como um porco.