Capítulo Quarenta e Três
Acordei na cama, meio fora de mim e MEGA confusa. Lembro de ter ido pra casa de carro com a Morgan e, depois disso, nada. Meu cérebro normal começa a funcionar, dizendo que provavelmente dormi e, em vez de me acordarem, me trouxeram pra cama. Olho pro lado e vejo o Toby dormindo profundamente. Ontem tava tão ocupada que nem o vi. Isso é só um vislumbre de como vai ser a vida se eu decidir ficar aqui, sem saber quando vou ver meu parceiro de novo.
Um suspiro escapa dos meus lábios enquanto me sento um pouquinho, esfregando os olhos. Olho pro relógio, sério, são 2 da manhã! Por que não consigo ter um sono normal?! Fico na dúvida se tento voltar a dormir, mas algo no chão chama minha atenção. A mochila preta do Richard tava no chão. Quem teria trazido aquilo do porta-malas? Sinceramente, nem lembrava que tava ali.
Com cuidado e devagar, tiro a mão do Toby de perto de mim. Quando me solto, saio da cama e vou até a bolsa. Tinha um post-it na alça da bolsa, tava escrito:
"Achei que você ia querer isso, não olhei dentro.
Brandon"
Sorrio, colocando o bilhete na minha mesa antes de pegar a bolsa. Espero que, com toda a correria que a gente fez, nada tenha quebrado. Vou até a mesa, colocando a bolsa no chão. Felizmente, as duas caixas estavam intactas, esperando eu olhar o que tinha dentro. Primeiro, pego a azul com o nome do Lukas. Pra ser sincera, tava um pouco nervosa pra abrir a caixa rosa.
A caixa era feita de algum tipo de madeira clara. Dava pra ver que quem fez isso caprichou, meticuloso em cada detalhe. Abria como uma caixa de música, a fita azul tava bem colocada em volta da parte de cima da caixa. Embaixo de onde a tampa fecharia na frente, o nome do Lukas tava gravado, e as letras do nome dele também foram pintadas de azul.
Desfaço o fecho que mantinha a caixa fechada antes de abrir. A caixa tava quase cheia, transbordando de coisas. Começo a tirar as coisas. Em cima, tinha fotos do Lukas. Algumas eram de quando ele era um bebê recém-nascido e outras, de quando ele parecia ter uns 7 anos. Coloco as fotos de lado, e isso revela outras pequenas lembranças. Tinha até as pulseirinhas azuis do hospital que colocam nos bebês quando nascem. A Mãe de Lukas obviamente teria dado tudo isso pra ele. Da próxima vez que eu ver o Lukas, vou ter que dar isso pra ele.
Guardo todas as coisinhas de volta na caixa, em segurança, antes de meus olhos voltarem pra bolsa. Pego a caixa com a fita rosa com cuidado. Era feita exatamente da mesma forma que a azul. Mas gravado em rosa na frente dessa caixa, tava o nome Taylor. Coloco a caixa na mesa e estudo a caixinha na minha frente. Por causa do meu nome na frente, fiquei muito nervosa. Devagar, desfaço o fecho que prendia essa caixa, respiro fundo antes de abrir a tampa. Não olhei pra baixo de primeira, só foquei na parede por um segundo. Sabia que, assim que olhasse pra dentro da caixa, nunca mais ia deixar de ver o que ia ver. Devagar, desvio meus olhos da parede e vou pra caixinha. Assim como a do Lukas, a primeira coisa que vi foram fotos.
Com as mãos tremendo, pego a primeira foto. Meu coração afunda imediatamente quando olho. Era uma foto da minha Mãe e do meu Pai segurando um bebezinho, que eu imagino que era eu. Meu Pai tava exatamente do jeito que eu me lembro dele. Parecia tão feliz, olhando pra baixo pro bebêzinho nos braços dele. Minha Mãe tava sorrindo pra câmera com a mão no braço do meu Pai. Quase não lembro como minha Mãe era ou como ela costumava agir. Lembro que ela também era gentil e me deixava cozinhar com ela quando eu queria. Todas as noites, ela me lia uma história antes de dormir e esperava até eu pegar no sono, não importava quanto tempo levasse.
Com lágrimas nos olhos, coloco a foto de volta e pego outra. Era só minha. Eu parecia ter uns 4 anos, sorrindo de um escorregador gigante. Eu parecia tão feliz e despreocupada, se ao menos eu soubesse o que ia acontecer em poucos anos. Pego o resto das fotos, colocando de lado. As coisas que estavam embaixo só me deixam com muito medo, triste e confusa. Assim como o Lukas, minhas pulseirinhas rosas do hospital estavam no fundo da caixa. Pego elas nas mãos e leio. Tinha meu nome, o peso ao nascer e o dia em que nasci. Como o Richard conseguiu isso? Por tudo que me contaram, ele nunca conheceu meu Pai nem ninguém da minha família pra ter isso! Coloco as pulseirinhas na mesa também, antes de olhar de novo pra dentro da caixa. Tinha pequenas lembranças e brinquedos rosas de bebê no fundo.
O som de uma mensagem no meu celular me tira da busca. Quem mais estaria acordado às 2 da manhã? Olho em volta do quarto, sem saber onde tava meu celular. Foi então que o vejo, na minha mesinha de cabeceira. Levanto da cadeira e chego perto dele, devagar, pra pegar. Não queria acordar o Toby, que ainda dormia em paz. Assim que meus olhos se acostumam com a luz forte do meu celular, vejo uma mensagem da Morgan.
"Sei que você também tá acordada, vem me mostrar o que te deixou acordada na sala principal"
Sorrio um pouco, colocando meu celular de volta no lugar. Não faço ideia de como ele sempre sabe quando estou acordada. Vou de volta pra mesa, com cuidado, guardando todas as fotos e coisas na caixa, em segurança. Dou uma última olhada na mesa, pra ver se não esqueci nada. Quando tive certeza de que não tinha deixado nada pra trás, pego as duas caixas. Meu cartão-chave tava pendurado em uma das cadeiras perto da porta. Pego na mão, abrindo a porta com cuidado. Dou uma olhadinha pra trás, pra ver se o Toby ainda tava dormindo. Ele parecia tão tranquilo ali deitado, o que me faz sorrir. Saio do quarto completamente, certificando-me de que a porta não ia bater, o que foi difícil, já que quase as duas mãos estavam cheias de caixas.
Logo, estava indo pelo corredor escuro e indo em direção à sala principal, onde a Morgan disse pra me encontrar. No caminho, passo pela despensa que o Julian não me deixava entrar. Fiquei na dúvida se devia ir ver se tava destrancada, mas nego com a cabeça, ciente do que o Julian disse que faria se eu entrasse sem a permissão dele. Suspiro, abrindo a porta pra sair do meu corredor. Minha mente ainda tá cheia de tantas perguntas. Por que o Richard teria isso? De onde ele tirou tudo isso? E, finalmente, o que o Julian tá escondendo? Essa é uma pergunta que tenho feito desde que o encontrei lá ontem. Vamos ver quantas respostas vou ter pra essas perguntas, certo?