Capítulo 9 Abandonado pelo Próprio Filho
Quando ela acordou de novo, a Lisa se viu numa cave escura.
O chão frio e úmido cheirava a mofo, e tinha uma luzinha fraca no teto. Não muito longe, tavam a Mandy e o Mu Yanbo, e o Nian.
Vendo a Lisa acordar, a Mandy olhou pra ela com um ar de superioridade e soltou uma risada, tipo: "Acordou, foi? E aí, como é a sensação de não ser confiável pelo seu amor, ser rejeitada pelo seu próprio filho, e ainda ser difamada em público?"
A Lisa ficou encarando ela com os olhos vermelhos.
Ela tentou falar, mas a garganta tava queimando e não saiu nada.
"Mamãe, a minha tia tá doente?"
O Nian tava do lado da Mandy e olhou pra Lisa com os olhinhos arregalados.
Nessa hora, já não tinha medo no olhar dele, só curiosidade.
"Sim, ela tá doente. Ela tá com um problema mental. Não chega perto dela, tá?"
A Mandy fez carinho na cabeça dele e sussurrou.
O Nian não se aguentou e franziu a carinha, preocupado: "A tia tá doente, por que não leva ela no doutor? O papai disse que quando a gente tá doente, tem que ir no doutor. Mamãe, você vai levar a tia no doutor?"
"Não, se eu levar ela no doutor, ela vai estragar os meus planos!" A Mandy negou na lata.
Deu uma hesitada nos olhos, e depois de um tempinho, ela deu um passinho e chegou perto da Lisa.
Nessa hora, a Lisa ainda não tinha soltado nenhum grito esquisito, então o Nian ficou mais corajoso, esticou a mãozinha e cutucou a Lisa: "Tia..."
"Read..."
A Lisa na hora encheu os olhos de lágrimas.
Ela nunca ia imaginar que a criança ia chegar perto dela de repente.
Ela esticou a mão correndo pra tocar nele, mas antes de tocar nele, o Nian encostou na bochecha dela.
Mãos pequenas, mas quentinhas, com a temperatura gostosa entrando no coração dela.
A Lisa desabou em lágrimas.
Esse é o filho dela. O toque de sangue é mais forte que a água, nunca ia dar errado.
Read, meu bebê...
A Lisa fez força pra se levantar, mas nessa hora, a Mandy puxou o Nian com uma raiva absurda e deu dois tapas no braço dele.
"Eu não falei pra você não chegar perto dela? Entra por um ouvido e sai pelo outro?" Ela tava tão brava que assustou o menino.
"Mamãe..."
"Cala a boca, por que você tá perto dela? Eu sou a sua mãe. Por que você tá perto dela?" A Mandy tava tão brava que deu vários tapas no Nian, um atrás do outro.
O Nian chorava baixinho: "Mamãe, tá doendo..."
A Lisa tava chorando, quase explodindo de tanta dor. Ela se levantou do chão e falou brava: "Mandy, o que você quer de mim? Por que você tá descontando no menino?"
"Que te importa se eu tô disciplinando o meu filho?"
A Mandy zombou, bateu com mais força ainda, e até beliscou a perna dela.
Quanto mais ele chorava, mais alto ele chorava. O coração da Lisa doía e as lágrimas caíam sem parar. "Para de bater, Mandy, eu te imploro, para de bater!"
Quando a raiva passou, a Mandy finalmente parou de bater, e aí pegou ele no colo e começou a fazer um cafuné falso.
A Lisa quase desmaiou.
Como é que ela ia ficar tranquila de deixar o filho dela perto de uma mulher dessas?
Só de pensar que o filho dela podia ser tratado assim a qualquer momento, ela sentia o coração rasgando, estraçalhando.
...
No dia seguinte, final de semana, na Mansão da Família Alan.
A Mandy tava toda boazinha, de esposa e mãe perfeita, e tava ocupada na cozinha.
O Gavin tava sentado, lendo o jornal com elegância no sofá, e o Read, do outro lado do sofá, subiu no colo dele e sentou, levantou o brinquedo na mão e gritou com um tom de dengoso: "Papai, papai..."
O Gavin largou o jornal e olhou pro Nian. Não conseguiu segurar um sorriso. "Quer que o papai te ajude?"
"Uhum." O Nian piscou os olhos grandões e fez que sim com a cabeça.
Pai e filho sentados juntos, que nem uns pombinhos, montando brinquedos.
Depois de um tempinho, o Gavin terminou de montar e entregou pra ele. "Pronto, filhão."
"Obrigado, papai."
O pequeno sorriu docinho e deu um beijo na bochecha do Gavin.
Os olhos frios do Gavin derreteram em água e ele não conseguiu parar de olhar pra carinha do filho dele.
Esse sorriso fofo não era nem da Mandy, nem dele, mas sim da mulher que ele lembrava.
Ele balançou a cabeça, botou o menino no chão, e viu pelo canto do olho a perna do menino, e de repente percebeu que tava cheia de hematomas.
Os olhos do Gavin escureceram e ele tava quase perguntando o que era, mas o pensamento dele mudou e ele pegou o menino no colo quietinho.
Depois do café da manhã, o Gavin voltou pro escritório dele pra trabalhar.
O Shen Yi veio pra relatar o trabalho dele. Depois disso, ele entregou pro Gavin uma cópia das informações.
"O que é isso?" O Gavin pegou e perguntou.
O Shen Yi respondeu com respeito: "Relatório de sangue."
Os olhos do Gavin se estreitaram, abriu rápido e puxou o relatório de dentro.
Um deles era dele mesmo, e o teste de tipo sanguíneo tava A, e o outro era da Mandy, e o teste de tipo sanguíneo tava O.
O último era do Read, tipo AB!
Pais do tipo A e tipo O não podem ter filhos com sangue tipo AB de jeito nenhum!
Depois de ler os três relatórios, a cara do Gavin escureceu e ele soltou uma depressão terrível.
O Shen Yi tava com medo demais pra falar alguma coisa. Ele já tinha imaginado que o presidente ia ter essa reação.
O que o Gavin mais odeia na vida é traição e enganação!
"Tem mais alguma coisa?"
O Gavin ficou quieto por um tempo, finalmente guardou a raiva, enfiou o relatório de volta e botou no cofre debaixo da mesa dele.
O Shen Yi ouviu isso, pegou o celular do bolso e entregou pra ele.
O Gavin pegou e viu a localização na tela do celular: "Que lugar é esse?"
"A localização específica não tá clara, só sei que é bem longe. A única certeza é que a Miss Mu não foi levada pra casa e não tá em nenhum hospital psiquiátrico. Eu acho... ela pode ter sido trancada de novo e movida pra outro lugar." O Shen Yi respondeu, falando a verdade.
Na real, quando a Lisa foi trazida de volta pela primeira vez, o Gavin pediu pro Shen Yi botar um aparelho de localização e rastreamento nela.
Seja a Lisa, a Mandy, ou o Nian, tudo isso tem muitas dúvidas. O Gavin precisa saber a verdade, então ele tomou medidas preventivas no começo.
Mas agora o que foi descoberto deixou a cara do Gavin ainda mais sombria.
Mandy, o que você fez sem me contar?