Capítulo 12
Dizer que eu tava cansada seria o eufemismo do século; eu tava MUITO fudida, minhas pernas tavam cheias de arranhões, meu cabelo encharcado de suor e meu lobo foi surrado pelo treinador talentoso.
"Você devia focar mais nas pernas traseiras e treinar mais pra melhorar as suas habilidades de lobo e as suas também."
Os campos verdes se estendiam pela área da alcateia e o campo dos outros lobos mortos ficava na fronteira da alcateia, o tempo tava abafado e eu mal podia esperar pra tomar um banho.
Podemos tomar banho com o nosso parceiro e deixar ele nos marcar. A Lace sugeriu animadamente e eu deixei aquele pensamento cruzar minha mente por um segundo. Nosso parceiro veio até nós, sem camisa e a calça jeans baixa nos quadris. Ele tava de dar água na boca; o suor brilhava sob o sol no peito dele, deixando ele bronzeado e suas feições esculpidas sorriram pra mim num brilho quente da luz.
Ele nos pegou olhando pra ele quando levantou os olhos pros meus em diversão, eu fiquei mexendo as mãos quando ele veio.
"Teve um bom treino?" Ele perguntou e eu gemi um sim, meus músculos tavam doendo e eu nunca tinha treinado antes, então demorou um tempão pra me acostumar com isso.
Ele riu enquanto me abraçava e o suor dele se misturou no meu corpo, eu soltei um gemido de nojo enquanto o empurrava brincando e ele respondeu rindo, minha camisa tava toda no suor dele.
"Quando a batalha começa?" Eu abri um assunto ainda mais sério e o rosto dele mudou de brincalhão pra modo severo.
"Às sete da noite, são quase três da tarde e a gente tem muito mais treino pra fazer, então se limpa e entra com as outras mulheres na casa segura." Ele instruiu e eu fiquei inquieta, a ideia de que eu ia desafiar as regras dele de novo e a reação dele a isso me deixou hesitante.
A gente tem que proteger nosso parceiro. A Lace argumentou e eu concordei, ele podia ficar mais bravo, mas a gente tava disposta a correr o risco por isso. A gente tinha que parar isso antes que mais gente fosse morta.
Eu fui pra mansão com ar condicionado e corri pro meu quarto pra tomar um banho longo pra acalmar meus músculos tensos.
Encostei minha cabeça nos azulejos do banheiro enquanto a água quente acalmava meus nervos. Eu ia quebrar a regra principal e tinha que me sentir decidida sobre isso.
Terminei meu banho necessário e enrolei a toalha no meu corpo molhado, andando pro meu quarto, eu parei no lugar ao ver o que tava na minha cama.
Era a Masa; os olhos dela abertos pro teto e sangue acumulado em volta do corpo dela e nas minhas lençóis.
Ela tava morta e todas as evidências apontavam pra mim, eu tava fudida se meu parceiro descobrisse isso, as veias tremiam dentro do meu corpo e eu tentei respirar calma. Ela tava nua com um corte enorme na barriga, onde os órgãos estavam aparecendo.
Entrei em ação, me vestindo completamente e peguei o corpo dela no chão enquanto tirei os lençóis ensanguentados, escondendo ela com os lençóis no armário vazio do lado da minha cama. Eu não queria preocupar ninguém antes da guerra, eles iam ficar frenéticos e o Alfa ia suspeitar que fui eu por causa das brincadeiras que a gente tinha.
Com meu coração acelerado, eu tranquei o armário e minha janela tava aberta pra empurrar o fedor do corpo morto pra fora. Eu tinha que saber quem fez isso. Sentimentos confusos se embolaram dentro do meu corpo e eu não consegui evitar de me sentir um pouco tonta por causa de como as coisas aconteceram rápido na minha frente.
Eu saí agindo calma e controlada pra casa segura, o tempo passou pras seis da noite enquanto eu andava pela casa segura depois de ajudar os guardas a garantir que ninguém tava do lado de fora e trancando todos os quartos. Mesmo que eles tenham me humilhado completamente, eu tinha que agir como uma Luna pra essa alcateia.
"Eu vou ficar bem, Desti, só fica segura aqui e não faz nada imprudente." O Alfa me disse depois que veio dizer suas últimas palavras antes que a guerra cruel acontecesse.
Ele beijou minhas pálpebras e testa, descendo pro meu pescoço e cheirando meu cheiro pra ficar mais forte.
"Vou ter que te marcar depois da guerra." Ele sussurrou no meu ouvido e eu fiquei em silêncio, eu não tive reação. Tudo que eu sabia era que tinha que cancelar a guerra.
Eu beijei a bochecha dele e falei pra ele tomar cuidado, eu ia achar as garotas invejosas que tavam do nosso lado hilárias enquanto elas me lançavam olhares de ódio, mas eu tava muito focada no meu parceiro.
"Eu prometo que não vou morrer." Ele sorriu enquanto deixou um beijo na minha boca e me abraçou, eu fiquei com lágrimas nos olhos contra o peito dele pelo que eu ia fazer.
Ele podia não morrer, mas eu podia. A ideia dele ter que perder a segunda chance de parceira me deixou muito triste, mas eu tinha que fazer isso, eu não aguentava mais brigas depois do que aconteceu com minha família.
Com um beijo final na mandíbula dele, ele saiu correndo pra se preparar e eu sentei enquanto as mulheres dentro do quarto de madeira murmuravam de medo pelos maridos delas e a irmã do Alfa se juntou a mim pra confortar meu nervosismo sem fim.