Capítulo 4
O Alfa tava mais que puto com a garota de olhos de avelã que parecia se exibir por aí com o vestido vermelho colado no corpo. Eu só queria dormir, eram duas da manhã e eu tava exausta.
"Masa, você nunca foi uma Luna." Ele falou num tom irritado. A morena gostosa se aproximou de mim com aquele cheiro de ódio no ar. A última coisa que eu precisava era de uma vadia invejosa que se iludia.
"Você não disse isso na cama." Ela queria uma reação minha, mas não teve sorte. Eu fiquei ali, parada, com uma sobrancelha levantada pra ela.
"É provavelmente isso que você vai ser pra sempre, uma vagabunda de cama." Eu ri quando os olhos de avelã dela se estreitaram pra mim.
"Chega. Masa, vaza, ou você vai ser expulsa e nunca mais volta." Ela se arrepiou com a autoridade que ele exalava e obedeceu como uma boa garota.
Depois que ela foi embora, fiquei enojada do meu parceiro. Eu achei que ele seria meu parceiro normal, eu não tava a fim de ficar com um parceiro frio que não tava nem aí pra mim.
Eu entrei furiosa na mansão e ele veio atrás de mim, me parando com um braço na minha cintura e minhas costas no peito dele, que tava durinho. Eu inspirei e expirei, tentando acalmar meus hormônios furiosos. Não era a hora.
Parceira. Lace gemeu na minha cabeça e eu ignorei a necessidade dela pelo nosso Alfa babaca. Ele me levantou com um braço só, eu corei quando minhas pernas nuas não tocaram no chão e o suéter comprido que eu tinha levantado pra mostrar minhas coxas. Ainda bem que eu sabia me depilar também.
Ele me colocou na cama e ficou na minha frente com uma expressão séria e sombria.
"Primeiro, você nunca vai desobedecer minhas regras e não pode sair desse quarto. Segundo, você só pode correr por duas horas por dia. Terceiro, vai ter guardas com você toda hora, então nem tenta escapar. Quarto, você vai participar de todos os eventos. Quinto, eu peguei roupas das minhas amantes anteriores, então você não vai pegar nenhuma dos caras, entendeu?" Ele perguntou bruscamente, me desafiando com os olhos a contestar.
Eu balancei a cabeça, mordendo o lábio inferior. Ele era muito duro, não é à toa que a matilha dele ficava com medo na hora, mas uma coisa que eu não conseguia entender era por que eles me odiavam tanto? Eu nem conhecia eles, mas deixei pra lá, já que eu tava pensando no plano de vingança que eu tinha.
De repente, ele me beijou com fúria, me tirando dos meus pensamentos internos. Ele subiu em cima de mim, eu retribuí o beijo e quase gemi com aqueles lábios carnudos. Rapidinho, ele grunhiu e se afastou, saindo do meu quarto com a velocidade de um lobo.
As lágrimas escorreram pelas minhas bochechas enquanto eu tocava meus lábios. Aquele babaca roubou meu primeiro beijo e foi embora. Ele foi embora. Minha loba ficou decepcionada e minha raiva me fez pegar a mesinha de cabeceira e espatifar na parede com minha nova habilidade de lobo forte.
Eu esfreguei os lábios frustrada enquanto olhava no espelho, meus olhos vermelhos e cansados estavam caídos de exaustão e meus lábios inchados com meu cabelo preso em um rabo de cavalo.
Eu nem encostei nas roupas das amantes dele, peguei nojo do nosso parceiro e tava disposta a sair do escuro e me perder. Eu queria saber tudo o que aconteceu com essa matilha.
A cama era confortável e acalmava a dor no meu corpo. Eu espero que as anteriores dele não tenham dormido aqui com meu parceiro também. Esse pensamento me deixou com raiva de novo, então eu joguei pra escanteio.
Eu era uma Luna pra uma matilha que nem me queria.
"Por favor..."
As chibatadas constantes nas minhas costas fizeram as lágrimas descerem mais rápido quando o bastão de metal bateu no meu peito com a violência da surra.
Não era minha voz, era a voz de uma criança pequena e eu fiz qualquer coisa pra libertá-lo do homem velho e cruel que tinha a chibata na mão. Eu senti o que ele tava passando, ele quase parecia familiar.
"Não, pare, eu não vou deixar você!" O homem nem me viu e continuou batendo no menininho, fazendo os ossos dele racharem e filetes de sangue escorrerem pelos ombros até o fim da coluna.
"Por favor, não." Eu chorei histericamente enquanto sentava do lado do menino e tentava tocar no rosto dele. Deus, ajuda ele, por favor, ele não merece isso.
Acordei com o rosto manchado de lágrimas e o corpo cansado. Fui pro banheiro e lavei meu rosto, olhando no espelho. Meus olhos estavam inchados de tanto chorar, meu rosto manchado com as marcas da dor durante o pesadelo.
Eu me perguntei quem era aquele menino, eu não conseguia ver os traços dele, mas conseguia ver as costas. O pesadelo era diferente, não era sobre mim ou minha família, era sobre uma criança.
Minhas sobrancelhas se franziram quando me vi no espelho e pensei nisso. E se a Deusa da Lua estivesse me dizendo algo?
Não tive tempo de adivinhar porque um dos guardas chegou e disse que o café da manhã tava pronto.
Com o menininho dentro da minha mente, escovei minhas madeixas pretas com mechas de areia e prendi num coque arrumado.
Decidindo manter minhas roupas, já que não queria trocar por uma roupa porca de uma garota que ele dormiu, terminei de me arrumar.
Eu fui cambaleando até o Alfa carrancudo e sua matilha, com o medo na boca do estômago e um menininho perdido e torturado ainda na minha mente.