Capítulo 33
A Melissa era uma boneca adorável, sabe? Tinha cara de menina, loira, com uns lábios cor de cereja e um vestido branco. Devia ter uns cinco anos, acho, pela cara e pela altura dela.
"Melissa, sua linda!" A mulher correu para ela e fez uma reverência para mim. Eu dei uma risadinha suave, e depois nos cumprimentamos. O Kaden estava no meu outro braço. Eu tava com um vestido rosa casual, com um laço na cintura. Meu cabelo também tava cacheado, por causa do banho, depois que eu deixei ele ser varrido pelo ar fresco da manhã.
A mulher ficou olhando para o Kaden, e meus sentidos ficaram tipo, em alerta máximo. Ela, de repente, começou a chorar e foi embora com a filha. Eu fiquei ali, com uma cara de preocupada, vendo aquela mulher, que parecia ter uns trinta e poucos anos e umas ondas de cabelo castanho escuro, levando a filha assustada embora. Consegui correr com minhas sapatilhas pretas, na velocidade de um lobo, enquanto o Kaden ria com o vento batendo no rosto dele.
"Ei!" Eu gritei para ela, quando ela caiu na floresta, e a garotinha correu para mim, deixando a mãe dela para trás.
"Luna, ela tava tentando roubar o seu bebê!" A garotinha falou freneticamente, e a mãe dela acelerou e começou a enforcá-la, na minha frente.
"Para com isso!" Com uma mão, eu afastei ela, enquanto a garota tentava respirar, por causa da força que a mãe tava fazendo para enforcá-la. O que eu não tava entendendo era o que a garota tava falando. O que ela quis dizer com o Kaden ser roubado? Como uma mãe superprotetora, eu fui impiedosa quando meus olhos cinzas normais ficaram amarelados com a maldição. Eu conseguia invocar ela quando queria, mas às vezes ela saía do controle.
"O que você quer com meu filho?" Eu sibilei, enquanto a mãe soluçava no chão e a garotinha se escondia atrás de mim.
"Esse bebê vai morrer com sua maldição! Você tem um fim muito sombrio." O corpo da mulher tremia enquanto ela apontava para o meu bebê.
"Como ousa? Você não tem nada a ver com isso, e eu não sou amaldiçoada!" Eu explodi.
"Meu marido também foi amaldiçoado pela Deusa da Lua." Aquilo me fez congelar no lugar. Fiquei encarando os olhos assustados da mulher. Ela tava falando a verdade, dava para ver nos olhos dela. Mas um anjo pode ser um demônio disfarçado, né? Então fiquei cética.
"Prove", eu exigi no meu tom de Luna. Ela se arrastou e pegou uma foto amassada da bolsa, mostrando ela para mim.
Eu engasguei quando meus olhos arregalaram para o homem que implorava para a Deusa da Lua, enquanto a maldição fazia ele sangrar. Era uma foto intensa. Qualquer um podia ver que ele tentou ficar vivo, mas não conseguiu. Ele viu a Deusa da Lua, e foi a mesma coisa que eu vivi.
"Mas... mas como?" Eu gaguejei, incrédula.
"Não tem como escapar do seu destino, você vai ser morta!" Ela se apressou. "Eu queria proteger o Kaden." Aquilo me fez ferver de raiva. A ideia daquela mulher tentar sequestrar meu bebê... Eu não ia deixar, nem que eu morresse. Ele pertencia ao pai dele e, com certeza, não ia ficar nas garras daquela mulher maluca.
"Sai da minha frente e nunca mais mostre essa cara para mim!" Eu zombo. Ela entendeu e pegou a filha atrás de mim. As duas saíram correndo, longe de mim.
A floresta, com árvores altas e aquele cheiro de madeira, era atraente e acalmou minha raiva, mas só um pouco. Será que os membros da alcateia não aprenderam a lição ainda?
Minha mente foi para o Alfa e eu o imaginei no escritório dele, fazendo acordos com outras alcateias e dominando mais terras para nós. Eu sorri quando os pensamentos dele entraram nos meus.
Eu preciso achar alguma coisa para curar a maldição que a Destalia tem.
Eu sinto tanta falta do cheiro dela.
Para de ser fresca e volta a trabalhar.
Eu ri dos pensamentos dele, que rodopiavam na minha mente quando ele mantinha a ligação mental aberta.
Porra, o Alfa tá caidinho por você mesmo, viu? A Lace falou, toda óbvia. Eu fiquei feliz, por enquanto, pelo menos.
Voltando para casa com o Kaden enjoadinho mais uma vez, eu entrei e amamentei o Kaden, arrotando ele um tempo depois. Eu toquei na moldura que tava na mesinha de cabeceira do meu lado. Eu sabia que o Alfa Raden fez isso e agiu como um herói quando me resgatou, mas ele queria me manter viva para que eu fosse torturada e sofresse, o suficiente para ver eles morrerem. A moldura, que tinha minha família, era encantadora. Estávamos no jardim, posando em frente à nossa casa.
Lágrimas escaparam dos meus olhos quando a lembrança bateu forte de novo. Eu tava muito envolvida, mas sentia falta deles, queria sentir eles, tocar neles. E eu tive meu desejo.
Eu ia encontrar eles lá em cima, quando a maldição decidisse me matar. Eu tava muito consciente da verdade difícil que eu tinha que lidar. Foi bom quando meu companheiro quis encontrar qualquer coisa, mas eu já aceitei, porque uma maldição sempre seria uma maldição, não tinha laços que quebrassem essa maldição.
"Por que você tá chorando?" Sentindo isso pela nossa ligação de companheiros, o Alfa veio e se ajoelhou entre minhas pernas, enxugando minhas lágrimas. Eu deitei o Kaden do meu lado na cama e acariciei o rosto do Alfa.
"Eu só sinto muita falta deles", eu confessei, engasgando com as palavras.
"Você sabe que nós vamos encontrar um jeito de manter você e nosso filho vivos, porque eu nunca perderia você, não como eu perdi minha primeira companheira. Eu não tenho propósito na vida sem vocês dois." Com isso, ele terminou o discurso com um beijo casto nos meus lábios.