Capítulo 20
Gente normal ia ficar mega feliz quando recebe a notícia de um bebê, mas pra mim, foi a pior coisa. Eu ia morrer com uma maldição e passar ela pra minha filha/filho, não podia fazer isso. Tava enfiada em becos sem saída, era horrível ter que dizer adeus pro meu parceiro, do que pro bebê que ainda tava dentro de mim há uma semana.
Lágrimas escorreram enquanto a moça ficou confusa com a minha reação super triste. Ela olhou pro médico, que deu de ombros, fingindo que não sabia de nada.
"São lágrimas de felicidade?" Eu balancei a cabeça pra ela, enquanto ela me abraçava.
"Eu sei que você consegue superar, você é uma Luna muito forte." Se ao menos essa moça soubesse o tanto que eu passei, e o fato de que vou morrer por causa daquela maldição desgraçada que a Deusa da Lua me colocou.
"Espero que sim." Sussurrei, enquanto ela me encorajava com um sorriso radiante, e até se ofereceu pra me ensinar a criar bebês. Chorei mais ainda, por não poder trazer ela pra esse mundo. Enxuguei meus olhos furiosamente, enquanto a moça batia no meu ombro e achava que era porque eu não tinha experiência.
"Vamos, vou te levar pra mansão." O médico aconselhou, e eu concordei. Estava exausta, e precisava voltar pro meu parceiro. Estava ficando tarde, quase onze da noite, e meu estômago tava amargo por causa da gravidez nova. Ia ser difícil esconder do Alfa, já que o feto ia crescer rápido, mais do que um humano.
Choraminguei quando minha loba me implorou pra correr, mas simplesmente não podia, porque meus pés estavam inchados e doloridos, precisando descansar, já que tudo isso me abalou. Decidi contar pro Alfa, sem mencionar a maldição, queria ver ele feliz com essa boa notícia.
Colocar meus dois pés doloridos no travesseiro, enquanto me deitava, foi o paraíso. Dói demais andar. Virei pro meu lado da cama, fechando os olhos em um sono profundo.
O sol da manhã brilhou pela janela, no meu rosto, em um sono interrompido. Minhas pálpebras piscaram e absorveram a brisa fresca, junto com o brilho suave do sol. O quarto branco era espaçoso, e um par de braços me abraçaram pela cintura.
Demorei um segundo pra perceber, mas a barriguinha tava ficando maior e mais rápido. Mas a visão dos braços do meu parceiro em volta da minha barriguinha me fez sorrir.
Ele ia ser um ótimo pai. Lace disse, e eu balancei a cabeça. Me virei pra ver o rosto dele. Seus cílios tocaram as bochechas, e o cabelo bagunçado foi jogado pra trás, enquanto ele respirava fundo, com os lábios cheios. Eu o amava tanto, não tive escolha. O abracei quando ele acordou, meu vestido de seda vermelho, sem sutiã, colado no peito dele.
"Bom dia, não tá ansiosa por mim?" Ele esfregou os olhos com um sorrisinho. Eu ri, percebendo que dormimos até as 12 da tarde de tanto cansaço.
"É meio-dia e você precisa ir fazer seus deveres de Alfa," Eu ordenei, e ele me olhou com divertimento, enquanto eu olhava pras sardas no nariz dele. Seus olhos de furacão deram uma cor azul mais clara, enquanto a luz do sol batia nele. Ele era um homem deslumbrante.
"Não, quero ficar com você, só por alguns minutos." Ele disse com sua voz profunda da manhã. Acariciei seus abdominais, enquanto seus olhos escureciam no meu rosto, e continuei a passar minhas pontas dos dedos pela sua marca. Eu definitivamente estava ansiosa, considerando que a marca vermelha em forma de lobo era proeminente no pescoço dele.
"Tenho algo pra te contar." Comecei, talvez nunca tivesse tempo de contar pra ele antes.
"Você tem mesmo, porque senti que você tava cansada e isso me drenou enquanto procurava, então voltei e queria conversar com você, mas você tava dormindo." Ele segurou minha mão contra o peito dele.
"Estou grávida." Os olhos dele ficaram arregalados com a minha confissão brilhante e antecipada, enquanto suas mãos sentiam minha barriga. O pequeno batimento cardíaco foi ouvido por nós dois.
"Mas-mas você não pode." Ele disse em alarme, e eu acariciei a lateral do rosto dele.
"Sim, vou fazer de tudo pra proteger nosso bebê." Os olhos dele brilharam ainda mais, enquanto ele me apertava forte em seu abraço, e eu ri.
"Vamos ter um bebê." Uma lágrima caiu na bochecha dele, e eu enxuguei. Ele tava tão genuinamente feliz, que isso espalhou alegria no meu coração, me ver tão esperançosa.
Eu ia aproveitar essa lembrança por causa do que ia acontecer depois. Teria que morrer pra manter essa alcateia viva, ou estar viva com todos mortos. Não podia arriscar isso, preferia a menos pior, mas essas duas opções eram as mais terríveis.
Está tudo bem, apenas viva o agora, depois pensamos nisso. Lace me acalmou.
"Se arrume, vamos sair num encontro." Seu lado brincalhão apareceu, e eu amei cada parte disso. Fui me arrumar, enquanto ele foi pro banheiro.
Usei um vestido longo e esvoaçante vermelho, com alfinetes em forma de lilás no cabelo, junto com um par de sapatilhas pretas, já que meus pés ainda estavam doloridos. Se eu fosse um ser humano normal, seria chamada de vadia por causa da gravidez precoce, com apenas dezoito anos, mas sou uma lobisomem, e assim que você encontra seu parceiro, acabou.