Capítulo 18
PONTO DE VISTA DO PRESIDENTE GRAY~~
Eu tava planejando ignorar a existência dela, pra começar, depois de encontrar ela esperando o táxi com uma baita ansiedade. Percebi que ela tava trabalhando duro o dia inteiro e, sei lá por que, tive que admirar a paixão e determinação dela com as tarefas que ela tinha que fazer.
Queria tirar os olhos dela, daquela situação toda, mas a língua solta me impediu completamente. Aí, assim que o meu Maybach passou pela figura parada dela, eu soltei do nada: "Para".
Agora olha a atitude dela, que droga!
Ofereci pra ela a minha suíte retro mais cara, mas ela ficou recusando a oferta, o tempo todo, e isso me deixou ainda mais interessado nela. Se fosse outra mulher, no lugar dela, ia desmaiar de tanta felicidade por saber que o Presidente Gray tinha oferecido a suíte dele pra ela.
Mas ela é diferente... diferente de todas as garotas que eu já conheci.
O resto do caminho foi chato e esquisito, com a chuva de verão começando a cair do céu escuro lá fora.
Ela nem tentou falar uma palavra! Porra! Isso tá me irritando de novo!
Soltei uma tossida seca, meio hesitante, pra puxar assunto, mas logo arrumei uma desculpa razoável.
"Srta. Iris Young, onde eu te deixo?"
Ela deu um pulinho no lugar antes de responder, rapidinho:
"Avenida Season, número 13."
Assenti, entendendo, e pedi pro meu motorista ir pra lá primeiro, com educação.
De novo, caímos em outro round de silêncio denso, como se só a respiração suave fosse ouvida dentro daquele carro espaçoso. Antes que eu pudesse puxar outro assunto, meu motorista estacionou na frente de um apartamento no 20º andar, de repente.
Ela olhou pra fora, vendo a chuva caindo, sem expressão, e começou a soltar o cinto de segurança. Fiquei com a mesma cara de sempre, mas, por dentro, tava decepcionado por ela ter me ignorado como se eu fosse lixo.
Foi aí que pensei que ela ia descer sem nem me agradecer direito, mas ela virou de repente e perguntou, com educação:
"Você se importa de tomar um café no meu apartamento, Presidente?"
Fiquei encarando a cara de surpresa dela por uns segundos, como se ela estivesse se arrependendo mil vezes de ter me feito esse convite ousado.
Olhando pra chuva lá fora, pensei que um café quente ia ser uma boa ideia. Aí, ignorando o meu status, pela primeira vez, respondi rapidinho, sabendo que podia ser um risco entrar no apartamento dela:
"Beleza!"
Ela ficou chocada com a minha resposta, e eu fiquei meio sem graça por ser tão casual.
Olhei pra frente e o motorista tava com uma cara de espanto, como se eu tivesse falado uma língua estranha. Franzi a testa pra ele, sem paciência, e ele desviou o olhar rápido da minha cara de gelo.
Ouvi a voz dela, suave, abrindo a porta do carro:
"Claro! Por favor, me acompanhe."
Mandei meus guarda-costas ficarem longe do apartamento.
Porque os paparazzi nunca me deixam em paz. Não quero nenhum tipo de notícia lixo amanhã.
Então, segui os passos dela, devagar, pra dentro do apartamento caro.
PONTO DE VISTA DA IRIS~~
A minha expressão mudou, dramaticamente, pra uma de pena assim que ele respondeu que sim. Eu tava oferecendo café por respeito. E tava confiante que ele ia recusar o meu pedido.
Mas meu plano nunca dá certo...
Amaldiçoando minha burrice, desci do Maybach meio encharcada, antes de correr pra dentro do prédio. Vi a cara de carrancudo dele, incomodado com a chuva forte, e ele seguiu meus passos, com um guarda chegando perto pra segurar o guarda-chuva pra ele.
Descendo, ele arrumou o terno, como sempre, antes de olhar pra mim, com receio. Apontei pra ele, com educação, pra seguir o meu caminho, e ele mandou os guardas pararem, que queriam ir com ele pro andar de cima.
Ele colocou uma máscara pra evitar fofoca e me seguiu, em silêncio, pro elevador. A senhora de cabelos brancos e um vestido folgado entrou no elevador também.
Ela parece morar no apartamento ao lado do meu, mas, pra ser sincera, a gente nunca teve nenhuma relação de vizinhos. Ele andou atrás de mim e parou do meu lado.
A medida que o elevador subia, senti vagamente o olhar desconfiado da senhora nele. Engoli a saliva, nervosa, e rezei pra que ele não fosse reconhecido por ninguém...
Senão, eu ia virar manchete amanhã!
Um caso ilegal com o Presidente?
Que coisa horrível! Meu Deus!
Quando o elevador parou no 15º andar, corri pra fora, sem nem olhar pra ele.
O andar todo tava vazio, porque o tempo tava ruim, e todo mundo já tava dentro das suas casas. Ele me seguiu, devagar, e parou quando eu comecei a digitar os códigos de acesso.
Quando a porta abriu, vi a senhora me encarando, desconfiada, como se eu fosse cometer um crime grave. Qualquer um ia desconfiar ao ver um gato entrando no apartamento de uma mulher solteira, a essa hora da noite.
Joguei um sorriso sem graça pra ela, empurrei a porta e me coloquei de lado, indicando pro meu convidado vvip entrar:
"Por favor, entre. Tá meio bagunçado. Eu não tô aqui faz tempo, viu?"
Ele olhou pra mim, indiferente, antes de entrar, devagar. Enquanto eu tava trancando a porta, vi que ele tinha parado no meio do caminho, perto do sofá.
Queria que ele sentasse, e aí meus olhos arregalaram de horror, vendo o sofá todo bagunçado.
Como sempre, a Daisy deixou o sutiã dela no sofá, e a pior parte era que tinha uma cueca amassada no canto.
Olhei pra expressão dele, chocada e sem graça. A expressão dele escureceu e uma leve carranca apareceu naquele rosto bonito.
Matei a Daisy mentalmente mil vezes antes de correr pro sofá. Peguei as coisas com força, respirei fundo e ofereci o sofá pra ele, de repente:
"Desculpa... Desculpa o transtorno. É que minha melhor amiga sempre vem aqui. Por favor, sente-se. Já volto."
Ele tirou a máscara rápido, antes de me olhar nos olhos, friamente, como se estivesse vendo a sinceridade nas minhas palavras.
Resmungando, ele foi em direção ao sofá, e eu fui pra cozinha fazer um café quente.
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