Capítulo 18
Os olhos de Ike arregalaram-se de susto. Ela estava tão focada no projeto que esqueceu de tomar os remédios. Ela também esqueceu de comer.
"Ei, você está bem?" Juola perguntou, e Ike imediatamente pegou a sua bolsa, ignorando Juola. Ela precisava tomar seus remédios e complementá-los com alguma coisa imediatamente.
"Por favor, me arranje um copo d'água", Ike disse, engolindo a saliva, enquanto Juola a encarava por um tempo antes de se levantar e caminhar em direção ao dispensador de água.
Ele pegou um copo e colocou água nele. Voltou e estendeu o copo d'água para ela, e Ike fez um gesto de agradecimento com os lábios e pegou-o. Habilidosamente, jogou os comprimidos na boca sem que Juola visse, antes de engolir a água. Só depois de tomar seus remédios, Ike percebeu que não tinha sorvete nem chocolates. Em resumo, nenhum suplemento para o remédio. E com zero suplementos, o remédio era quase inútil. Ike suspirou e se virou para Juola novamente.
"Tem como conseguir uma tigela de sorvete aqui? E rápido? Tipo, em um minuto?" Ike perguntou, e Juola ergueu uma sobrancelha para ela antes de caminhar em direção à geladeira na sala de jantar, abrindo a última parte e trazendo uma tigela de sorvete razoavelmente grande.
"Dare deixou isso aqui ontem. É uma receita nova que ele tentou, então você pode não gostar", disse Juola, colocando uma colher em cima da tigela.
"Obrigada", disse Ike, abrindo a tigela de sorvete e pegando uma colherada na boca.
"É tão bom. Sabor limão e nozes?" Ike perguntou, virando-se para Juola, que ergueu a sobrancelha pela centésima vez naquele dia.
"Suas papilas gustativas são bem ativas", respondeu Juola, fechando os livros didáticos e observando Ike pegar o sorvete com a colher.
Ike abaixou a cabeça, pensando quando Juola perguntaria o que acabara de acontecer ou por que ela estava comendo tanta quantidade de sorvete quando não fazia bem para a saúde ou para os dentes.
Mas a pergunta nunca veio.
"Quando terminar, posso te deixar em casa. Acho que já fizemos o suficiente por hoje", disse Juola, e Ike se virou para ele, ligeiramente surpresa, antes de balançar a cabeça.
"Claro. Conseguimos bastante coisa hoje", respondeu Ike, vendo que já havia terminado metade da tigela de sorvete.
A sensação de enjoo que ela sentia minutos antes havia desaparecido, e ela finalmente se sentia normal. Conforme seus dias se aproximavam, seus sintomas estavam piorando. Ike franziu os lábios enquanto continuava pegando sorvete com a colher. Para muitas pessoas, saber que elas iam morrer as assustava, mas para Ike, era mais como um alívio.
Ela estaria livre de tentar se esconder, de tentar ser feliz. De tentar viver uma vida normal. Ela sempre tentava fazer isso e aquilo. Ike largou a tigela vazia de sorvete, passou a língua pelos lábios e sorriu.
"Receita nova, certo? Isso significa que ainda não está nas lojas?" Ike perguntou, e Juola assentiu.
"Esta é a terceira tentativa dele", disse Juola, levantando-se.
"Uau. Ele é muito bom. E é um sabor muito bom. Quero dizer, limão e nozes misturados não é um sabor que você vê todo dia, então, se ele lançar, muita gente vai ficar curiosa e querer experimentar", respondeu Ike, cruzando os braços.
"Sorvete é para ser bem doce, mas este tem um azedume residual que eu acho único. O azedume faz você querer mais. É tão macio e cremoso", acrescentou Ike, e Juola cruzou os braços.
"Uau", disse Juola, e Ike o encarou surpresa.
"Por quê?" Ela perguntou, e Juola balançou a cabeça.
"Nada. Pegue sua bolsa, vamos", respondeu Juola, e Ike rapidamente pegou sua bolsa e seu casaco e caminhou atrás de Juola.
"Chaves do carro", disse Juola para alguém, e um guarda-costas se aproximou dele.
"Seu pai instruiu claramente..." ele começou, e Juola se virou para ele com uma carranca em seu rosto bonito.
"Eu pedi as chaves do carro", interrompeu Juola, e o último engoliu a saliva e deixou cair algumas chaves na palma da mão.
"Ninguém me segue", disse Juola, virando-se para Ike e fazendo um sinal para que ela entrasse no carro.
Ike se virou para Juola ao entrar no carro. Ela não perdeu os olhares surpresos nos rostos dos guarda-costas quando ela saiu do carro horas atrás.
Eles a olharam como se ela fosse uma alienígena que tinha caído, talvez, do planeta Mercúrio ou algo assim. E com o episódio que ela acabara de testemunhar, Ike não sabia o que dizer ou pensar.
"Essa é a minha casa", disse Ike, apontando para sua casa, e Juola dirigiu até lá, estacionando o carro. Ike se virou para ele e franziu os lábios. Ela rapidamente pensou no que dizer, tossindo levemente.
"Eu sempre quis perguntar, Juola não é realmente seu nome, certo? Quero dizer, é a forma abreviada de um nome, certo?" Ike perguntou, e mentalmente deu um tapa em si mesma por fazer a pergunta mais idiota de todas.
"Oluwajuwonlo", respondeu Juola, e Ike ergueu a sobrancelha.
"Você não deveria ser chamado de Juwon então?" Ike perguntou, e Juola encolheu os ombros sem responder, e Ike riu, assentindo.
"Então, sobre amanhã, por que você não vem na minha casa para o projeto? Eu vim na sua hoje, talvez você pudesse vir na minha amanhã?" Ike perguntou, e lembrando do episódio anterior em sua casa, ela rapidamente balançou a cabeça.
"Se você não puder, não, eu sempre posso ir na sua de novo", acrescentou Ike, e Juola riu.
"Estarei aqui às 10h", respondeu Juola, e Ike sentiu uma explosão repentina de felicidade.
"Você vai vir?" Ike perguntou, animada.