Capítulo 9 Conspiração
Que diabos ele tá falando?
Se a Emília soubesse o que o João tava pensando, ia perceber que tinha entendido tudo errado.
"Tia Mary, por favor, cuida da Srta. Sofia," o João empurrou a Emília pra lá e virou pro escritório.
A Tia Mary chegou toda relutante, levando a Emília pro quarto de hóspedes no andar de baixo.
O Sr. João tinha combinado isso antes, e a Tia Mary tava super a fim de dar uma força pra Emília.
A Srta. Emília não era tão gente boa quanto a falecida Sra. Jones.
Nem era tão dedicada ao Sr. João quanto a falecida Sra. Jones. Os olhos dela ficavam rodando, dando uma má impressão.
Que pena que a falecida Sra. Jones foi dessa tão cedo.
A Tia Mary suspirou.
...
Grupo de Conversa das Amigas.
"Ouvi dizer que você tá morando na casa dos Jones agora."
"Vai ser a Sra. Jones em breve?"
"A nossa Emília parece uma patricinha nata. Que vida boa ela tem, casando com o João, o chefe da família Jones."
As mensagens no grupo de conversa tavam atualizando rápido. A Emília sorriu e se sentiu orgulhosa por dentro.
Ela respondeu, "Ainda não tá confirmado. Não fiquem especulando."
As amigas dela responderam uma atrás da outra.
"Não confirmado significa que é possível. Emília, você tem que nos convidar pro seu casamento. E nos levar pra todas as festas que você tiver no futuro. A gente quer ver como é a alta sociedade. Será que o ar lá é mais doce que o nosso? Ah, e por falar nisso, quem sabe a gente não arruma um rico com dez mil dólares."
A Emília deu uma risadinha. Essas caipiras.
Essas pessoas nem mereciam carregar os sapatos dela, mas viviam sonhando em pegar homens ricos todo dia.
Acham que homem rico é tartaruga em aquário, tão fácil de pegar?
Ela jogou o celular de lado, achando chato.
Logo, ela ficou animada examinando o quarto.
A Sofia nunca imaginou que seu homem e suas coisas acabariam sendo da Emília.
Toc, toc, toc—
"Srta. Emília," era a Tia Mary, a empregada na casa do João.
A Emília abriu a porta com uma expressão de arrogância.
"O que foi?"
"O Sr. João pediu pra eu fazer sua sopa favorita."
O coração da Emília brilhou, e ela cutucou o ombro da Tia Mary com o dedo, "Da próxima vez, bate mais leve. Tenho problemas de coração, e me assusto fácil."
A Tia Mary aguentou a falta de educação da Emília e se afastou pra deixar ela passar.
A Emília andava como um pavão todo orgulhoso.
Mas—
A sopa de galinha na mesa fez a Emília fazer bico. Ela odiava sopa de galinha. Era gordurosa e fazia ela engordar.
"Você se enganou?" a Emília se virou pra Tia Mary com raiva.
A velha tinha dito que o João mandou ela fazer a sopa favorita da Emília. O que era isso na mesa?
"Que engano?"
O João desceu as escadas. A Emília imediatamente mudou a expressão, parecendo frágil e dizendo, "João, não gosto de sopa de galinha. É muito gordurosa."
"Não gosta?" A voz do João era fria como gelo, fazendo a Emília tremer.
Julgando pela expressão dele, se ela ousasse dizer que não gostava de novo, ele ia perder a paciência.
A Emília ficou feia, forçando um sorriso e balançando a cabeça, "Não, não desgosto."
"Sopa de galinha faz bem pra saúde," o João disse com um olhar significativo.
O desconforto anterior da Emília desapareceu.
O João era tão direto. Ele provavelmente perguntou por aí o que era mais nutritivo e descobriu sobre a sopa de galinha, então mandou a empregada fazer pra ela.
Pra falar a verdade, ele ainda se importava com ela.
Mas essa sopa de galinha era uma porção enorme.
A Emília não sabia que era pra três pessoas.
A Tia Mary se sentiu inquieta por dentro. Essa sopa de galinha era a favorita da Sofia.
Aquela noite, a Emília dormiu toda confusa e ouviu um barulho. Ela se levantou e saiu.
Ela viu luz vindo da sala.
O João tava sentado assistindo TV. A Emília foi andando e olhou pra tela.
Essa olhada foi como um raio atingindo ela.
O João tava assistindo os melhores momentos do casamento dele com a Sofia. A Sofia usava um vestido de noiva branco, segurando um buquê.
O João usava um terno, e os dois sorriam docemente.
A Emília mordeu o lábio. Como melhor amiga da Sofia, ela tinha ido ao casamento delas. O casamento do João e da Sofia foi luxuoso, e nenhuma menina nessa cidade não invejava a Sofia.
Agora, esse amor exclusivo pertencia a ela.
A Emília foi até o João, abraçou o braço dele e encostou a cabeça no ombro dele.
Os olhos do João escureceram, "Como você sabia que eu ia ver a Sofia naquele dia?"
Os detalhes daquela época não estavam muito claros e eram difíceis de lembrar.
Tudo que ela lembrava era dos faróis cegantes quando ele correu pro meio da rua. Um carro veio em alta velocidade na direção dele.
Então a Emília empurrou ele pra frente, e o carro bateu nela.
A Emília sofreu várias fraturas e ficou no hospital por quatorze meses.
Ele foi ver a Sofia sozinho. Como a Emília tinha aparecido lá?
A Emília se sentiu inquieta, mas era fácil explicar. Ela sorriu, "Eu tava dirigindo por perto e vi alguém que parecia com você, então parei. Não esperava que você estivesse em perigo."
Ela olhou pro João, "Mas João, apesar de te salvar ter arruinado minha carreira, não me arrependo nem um pouco. Se eu tivesse a chance de novo, ainda escolheria te salvar."
A expressão do João tava distante. A Emília de repente sentiu uma forte sensação de desconforto.
Porque o João sempre mantinha uma forte distância dela. Se não fosse por aquela noite em que o João quase foi morto, ele provavelmente nunca falaria com alguém como ela na vida dele.
A Emília sentiu um pouco de pânico.
Sem hesitar, ela se endireitou e abraçou o pescoço do João, sentindo o calor do corpo do homem.
Ela fechou os olhos em êxtase, encostou perto do pescoço dele e soprou suavemente no ouvido dele.
"João, eu gosto de você," a voz da Emília era baixa, deliberadamente mais lenta, uma voz que era irresistível.
O João colocou a mão no ombro dela e a empurrou pra longe, com o olhar fixo na TV.
A Emília encarou a TV.
Agora era a vez da Sofia. A beleza dela era de tirar o fôlego. Alguém já tinha dado uma alta avaliação pra aparência da Sofia.
A modelo mais bonita de Nova York.
O coração do João doía. Ele puxou a gola da camisa e encarou o sorriso vívido dela na tela.
Ele se sentiu sufocado e lutou pra respirar.
A Emília instintivamente olhou pra expressão dele.
De repente, o João cobriu o rosto e rangeu os dentes, gritando, "Sai daqui!"
A Emília tremeu de medo. Ela queria dizer alguma coisa, mas quando o João virou a cabeça e os olhos deles se encontraram, aqueles olhos um pouco vermelhos a assustaram.
As pernas dela amoleceram, mas ela não hesitou em se levantar e tropeçar escada acima.
O João ouviu os passos sumindo. Ele fechou os olhos com força.
Se não fosse pelo coração da Sofia no corpo dela, ele não teria poupado ela.
...
A Emília sentou na cama, se sentindo extremamente chateada.
Por que o João era mau com ela? Será que ele ainda tava pensando na Sofia?
O que a Sofia tinha que ela não tinha? Só beleza?
O toque do celular dela suprimiu a insatisfação da Emília. Ela olhou com raiva pro identificador de chamadas, o que piorou ainda mais o humor dela.
"Alô."
Mas ela teve que atender.
"Emília, ouvi dizer que você arrumou um namorado rico."
A pessoa que ligava era o padrasto dela, um alcoólatra.
A Emília tinha medo dele. Ela tava se esforçando pra subir na vida pra escapar da lama.
"Pai, quem te contou isso?"
"Acha que eu não conheço seus amigos?"
A Emília ficou sem palavras por um momento, mas não queria se envolver com essas pessoas pro resto da vida.
"Sim, meu namorado é incrível, então é melhor você se comportar."
O tom da Emília era afiado, fazendo a pessoa do outro lado se sentir inquieta.
"Sua pirralha, tá pedindo. Quero 200 mil dólares hoje à noite. Se eu não vir o dinheiro, vou atrás de você e vou deixar seu namorado saber que tipo de pessoa você é. Não pense que pode esquecer seus pais só porque tá se misturando com a alta sociedade." O homem xingou.
A Emília chorou, "Onde eu vou arrumar 200 mil dólares a essa hora?"
"Pergunte pro seu namorado. Ele não é rico? Só quero 200 mil dólares, não 2 milhões."
A Emília disse, "Não posso te dar isso. Não venha atrás de mim."
Teve uma confusão do outro lado, acompanhada pelos gritos de uma mulher. A Emília mordeu o lábio.
Ele tava batendo na mãe dela.
"Para com isso. Me dá algumas horas. Mesmo que eu consiga o dinheiro à noite, não posso te dar. Amanhã de manhã, te dou em dinheiro."
O Mateus disse, "É melhor cumprir o que prometeu."
Depois de desligar, a Emília ficou olhando pra parede, sem expressão.
Ela não podia pedir o dinheiro pro João. Ela não podia falar sobre isso, nem tinha uma desculpa.
Ela abriu o celular e somou os saldos de todos os cartões dela. Só tinha 50 mil dólares.
Ela sabia que o Mateus ia surtar se não visse o dinheiro amanhã.
O barulho da TV lá fora já tinha parado há muito tempo. A Emília foi na pontinha dos pés até a porta, ouviu com atenção por um momento e, confirmando que não tinha nenhum som lá fora, saiu lentamente.
Só tinha um quarto de hóspedes no andar de baixo, e o João ocupava o quarto do lado leste do segundo andar. A Emília foi subindo as escadas sorrateiramente pro segundo andar e abriu suavemente a porta do quarto de hóspedes do lado oeste.
As cortinas estavam fechadas, mergulhando o quarto na escuridão total.
A Emília instintivamente sentiu que esse devia ser o quarto da Sofia. Ela pegou o celular, ligou a lanterna e viu a penteadeira.
Cosméticos femininos estavam em cima. Os olhos da Emília demoraram um pouco; ela tinha adivinhado certo—esse era o quarto da Sofia.
Hã, mais cedo ou mais tarde, ela ia ser a dona dessa casa.
Ela ia tirar tudo que pertencia à Sofia.
Abaixo da penteadeira tinham várias gavetas.
Na escuridão, o coração da Emília batia como se fosse sair do peito.
As gavetas não decepcionaram ela; continham joias.
De repente, as luzes lá fora piscaram, e a Emília se agachou assustada, prendendo a respiração.
Passos se aproximavam aos poucos. A Emília espiou pela fresta da porta e viu alguém parar na porta.
A Emília cobriu a boca; se o João a encontrasse no quarto da Sofia, ela tava ferrada.
A maçaneta se moveu um pouco, e a Emília, em pânico, rastejou pra baixo da cama.
O João entrou e ligou a luz do quarto.
Do ponto de vista da Emília, ela podia ver os chinelos dele e os tornozelos ossudos.
Tremendo, a Emília cobriu a boca, suprimindo o medo e sem ousar fazer barulho.