Preparando Você
Já era bem mais tarde, o sol tava começando a se pôr, o que deixou o céu com umas cores lindas de vermelho e laranja. A gente tava quase saindo pra ir pra casa do Josh e da Daisy, e eu nem sabia como a gente ia conseguir contar as notícias sobre o que tá rolando com a Daisy. É totalmente injusto e burro que, por sermos da realeza, não podemos parar qualquer investigação que tão fazendo contra ela. O Gray me explicou que era por várias razões, mas a principal era porque a gente tinha um relacionamento pessoal com eles. Ele explicou que, na maioria das vezes, a gente podia pedir pra parar a investigação, mas as autoridades iam falar que a gente tava muito envolvido no caso e que nada ia ser feito, e que até podia piorar a situação dela.
Eu não conseguia evitar de me sentir responsável pelo que aconteceu. O Gray vive falando que não é culpa dele, que na verdade é culpa do pai dele, mas uma parte de mim sabe que ele tava lá pra me machucar, só que um monte de gente tá sofrendo enquanto eu tô aqui com o braço quebrado. Só espero que consigam pegar ele antes que ele tente alguma outra coisa, ninguém mais precisa se machucar.
O Gray tava me levando pra fora pelos fundos do castelo. Ele me falou que a gente ia sair agora porque ia ser mais seguro, já que não ia ter muita gente por perto. Isso também ia diminuir o risco do Rupert descobrir que eu não tava dentro das muralhas do castelo, quer dizer, o que sobrou do castelo, né. A gente tava indo por uns corredores secretos que eu nem sabia que existiam. Acho que rotas de fuga não tavam no plano do tour do castelo que o Gray me deu quando eu cheguei aqui pela primeira vez. O que parece que foi ontem, mas, na verdade, já faz quase 7 meses! Acho que fiquei ocupada demais lidando com cada drama, que o tempo voou. A gente chegou num corredor final com portas duplas no fim, abertas por dois Guarda armados até os dentes, que fizeram uma reverência. O Gray me falou que reforçaram a segurança, eu não tinha ideia que era pra tanto. A coisa na minha frente me deu um mini ataque de pânico, um carro.
"Boa noite, Vossa Majestade, a gente pensou em várias opções pra levá-los ao destino, e acreditamos que a forma mais segura seria neste veículo sem identificação. Terão seguranças seguindo vocês, mas a uma distância considerável", explicou o Homem, mas eu não prestei atenção, minha mente só tava repetindo o acidente sem parar.
Essa ia ser a primeira vez que eu ia entrar num carro depois do acidente. E se o Rupert nos achar e causar outro acidente? E se for só um acidente aleatório que fizer a gente bater? E se sabotarem o carro pra gente bater? O Gray me puxando pra um lado do prédio me tirou desses pensamentos preocupados.
"Meu amor, nada disso vai acontecer, eu prometo. A equipe fez todos os testes necessários no carro, a segurança na nossa frente vai avaliar a área em volta pra ver se tem algum perigo. A gente vai sair antes do anoitecer, então o Rupert não vai nos encontrar", ele disse, tentando me tranquilizar, mas eu balancei a cabeça, minhas mãos começaram a tremer, eu não parava de repetir o acidente na minha mente. "Meu amor, me escuta, se por acaso alguma dessas coisas acontecer, o que não vai acontecer, eu vou te proteger pra nada de ruim te acontecer. Tudo que eu preciso é que você confie em mim, meu amor, eu nunca te colocaria em perigo nenhum", ele disse, colocando a testa na minha pra me acalmar, e tava funcionando.
Eu balancei a cabeça, olhando pro chão, tentando parar de tremer, ele sorriu, me dando um beijo de leve na cabeça antes de me levar pro carro. As portas foram abertas pelo Homem de terno com um sorriso. Eu olhei pro Gray, que só me mandou um sorriso, e eu balancei a cabeça. Olhei de volta pro carro, entrando devagar, meu corpo todo ainda tremendo de medo, enquanto o Gray entrava do meu lado. Ele tava me garantindo que ia ficar tudo bem, enquanto colocava meu cinto de segurança, minhas mãos tremiam tanto que acho que eu nem conseguiria fechar. Quando eu tava completamente presa, ele passou o braço em volta de mim, me puxando pra perto dele, enquanto o carro começava a sair do castelo, meu coração também começou a acelerar.
"Você tá segura, meu amor, eu prometo", ele sussurrou pra mim, e na hora uma lembrança veio na minha cabeça.
Eu e o Kyle estávamos sentados no banco de trás de um carro, o Kyle tava com o braço em volta de mim, me abraçando forte, me mantendo segura nos braços dele. Tava tudo escuro, então eu não conseguia ver pra onde a gente tava indo, eu tava apavorada. No banco da frente, estavam dois homens, meu Pai tava dirigindo, enquanto o Cyrus tava sentado do lado dele.
"Me diz de novo por que a gente tá levando meus filhos nessa viagem?" Meu Pai perguntou, olhando pro Cyrus, que só suspirou, dando uma olhada pra gente no banco de trás com uma cara de nojo.
"Bem, por causa do seu erro burro de ter aqueles delinquentes, achei que a gente devia tentar tirar algo bom de uma situação ruim, mas antes que eles possam entrar na nossa pequena corporação, eles precisam se fortalecer, são um bando de frescos!" Ele exclamou, e eu vi meu Pai olhando pra gente pelo espelho, ele balançou a cabeça, olhando de volta pra estrada.
"O Kyle talvez, mas a Clara, ela é só uma garotinha, Cyrus", ele disse, olhando de volta pro meu rosto apavorado no espelho mais uma vez.
"Ah, você não devia falar essas coisas, cara, só porque ela é uma garota não quer dizer que ela não possa fazer as coisas, se alguma mulher te ouvisse falando isso, ia te dar uma chumbada na cabeça", respondeu o Cyrus, e meu Pai só revirou os olhos. "Cara, eu concordo cem por cento com você, mas você tem que tomar cuidado com o que fala perto de algumas pessoas, elas veem qualquer coisa pra arrumar uma briga, e você me conhece, eu escolho minhas batalhas", ele continuou, sentando de volta na cadeira.
"Que trampo é esse que a gente conseguiu?" Meu Pai perguntou, mudando de assunto, o que fez Cyrus se levantar na cadeira mais uma vez.
"É outro trampo pro playboy, mas dessa vez é um trampo bem diferente, algumas pessoas podem se machucar... talvez", ele deu de ombros, abaixando a janela, enchendo o banco de trás do carro de ar gelado.
"Não, Cyrus, eu te falei depois do trampo dos Roberts que eu não faço mais trampo que machuque as pessoas, o que você me fez fazer com a família dele ainda me assombra até hoje, eu tenho filhos agora -" Mas Cyrus foi rápido em cortá-lo.
"Você quer dizer aquelas duas margaridas no banco de trás? Ver um trampo como esse vai ajudar elas, por isso que eu trouxe elas e, você não ouviu o que eu disse, a gente pode ter que machucar algumas pessoas, talvez, isso só significa que, se alguma coisa acontecer, pode ser forçado, só tô te preparando pra isso, Wes!" Ele disse, tentando convencer meu Pai a não dar meia volta, eu consegui perceber que era algo que ele queria fazer. "A gente quer que nosso nome apareça, não quer? Eu, porque quero ganhar dinheiro pra viver minha vida, e você, por causa daqueles filhos no banco de trás, por razões que eu nunca vou saber. Trabalhar com esse cara vai colocar nosso nome no mapa, fazer nosso nome aparecer, não podemos recusar o trabalho que ele quer que a gente faça, porque isso vai dar errado, e, se você pensar bem, a gente vai estar servindo o país", ele apontou na cara do meu Pai com aquele mesmo sorriso que ele sempre fazia.
"Você não me falou o que a gente vai fazer", meu Pai respondeu, olhando pra ele por um segundo.
"Você com os detalhes menores, esse homem não tava entregando a propriedade dele quando pediram, a gente vai lá pra botar fogo, o nome dele tá aqui um segundo", ele explicou, revirando um monte de lixo procurando alguma coisa. "Ah, aqui está, o nome do cara é Rupert Bynes", ele disse, e foi isso que me tirou da lembrança.
Eu logo estava de volta no carro com o Gray, meus olhos arregalados com o que eu tinha acabado de lembrar do que o Cyrus tinha dito. Ele e meu Pai foram os que ajudaram o pai do Gray naquela noite.
E eu estava lá!