CAPÍTULO 14
Eu nunca chamei de 'casa', sabe? Pra mim, casa era ter alguém ou uma família pra ir e eu não tinha isso.
A mãe já tinha me ligado umas três vezes pra saber se eu tava pronto pra viagem pras Caymans.
A Jessica tava vagando pela casa e eu fui direto pro banho. Lavei meu cabelo, tomei um banho longo e me troquei, coloquei uma camiseta simples e uma calça com tênis.
Depois, deixei a Jessica no trabalho dela. Ela queria ficar íntima comigo, mas eu não tava mais nessa com ela. Os sentimentos tinham sumido e eu só tava tolerando a presença dela pra me livrar dos sentimentos que tavam crescendo pela Jasmine.
Eu não queria me envolver com nenhuma das minhas funcionárias.
Quando cheguei na casa do meu pai às seis da tarde, minha mãe Emma me cumprimentou com um abraço forte. Eu tava com tanta saudade dela.
'Oi, mãe,' eu respondi, retribuindo o abraço. Nunca tive medo, vergonha ou achei que fosse muito macho pra mostrar afeto pra minha mãe. Ela era minha mãe. Observei ela com cuidado, não tinha envelhecido nada. Continuava linda pra uma mulher que ia fazer sessenta anos.
'Oi, filhote, tudo bem?' ela perguntou com um sorriso agradável no rosto bonito.
'Tô bem. Cadê o EJ?'
EJ era meu irmãozinho e meu melhor amigo, tirando o Zack. Eu contava tudo da minha vida pra ele e ele nunca me julgava, como o Zack fazia às vezes.
'Ah, ele tá lá em cima no quarto arrumando as coisas,' respondeu a mãe.
'Ok.'
'A Emily vem pra cá ou a gente encontra ela no Caribe?' perguntei, rindo um pouco, enquanto pensava na minha irmã.
'Ela vem pra cá. Ela não perderia o jantar do meu aniversário.'
'Feliz aniversário, mãe.'
'Obrigada, querido.'
'Vamos, vamos comer alguma coisa. Você parece que não come há dias,' ela disse e me levou pra sala de jantar.
A mãe falou no interfone, avisando meu irmão que eu tinha chegado. Um minuto depois, ele saiu correndo do elevador como um touro furioso.
'Mano, você tá aqui!' Ele correu pra mim.
'Tô aqui, tô aqui.'
Nos abraçamos antes de sentar, daí a Emily chegou.
A mãe cumprimentou ela, mas eu e o EJ começamos a zoar ela na hora. A gente adorava ver a cara dela vermelha de vergonha.
Quando ela perguntou pelo pai, o EJ disse que ele tinha morrido.
Cruel!
Não aguentei e comecei a rir quando ela teve um ataque de pânico na mesa e nos rendeu um olhar frio da nossa mãe.
O pai chegou quando o jantar já tinha começado e a conversa mudou pra outra coisa completamente diferente. O jantar tava delicioso, no entanto. Lagosta era minha comida favorita, então quando vi uma lagosta enorme picada na minha frente, devorei tudo, menos as cascas.
Quando as sobremesas foram servidas, a Halley, melhor amiga da mãe, chegou com o marido dela, Martin, que era o melhor amigo do meu pai desde sempre, e o filho deles, Marquis.
Levei pra mãe uma caixa grande de bombons e um buquê de rosas vermelhas. Eu sei que sou péssimo pra escolher presente pra mulher, mesmo pra minha mãe, mas pelo menos eu tentei e ela ficou feliz.
A Emily levou um kit de perfume de Paris. O pai deu pra ela um colar e brincos de diamante incríveis.
Eu tava anotando os presentes, que pareciam ter colocado um sorriso mais brilhante no rosto dela do que o meu.
No dia seguinte, era hora da nossa viagem em família. O pai tinha um iate de luxo por causa da mãe dele, que já tinha falecido. Acordei cedo e fiz as malas de leve. Depois desci e encontrei o pai e os outros.
Voamos sobre Long Island e chegamos a um porto onde o barco tava ancorado e parado na água. Era uma visão incrível e eu tava doido pra entrar a bordo.
'TODOS A BORDO!' o pai gritou brincando e, com isso, corremos pro barco como crianças indo pro parquinho.
'Isso é tão lindo,' disse a Emily enquanto subia pro deck. Era meio de junho e o sol de verão já tava bronzeando minha pele. Eu adorei. Tinha ficado enterrado e focado no meu trabalho e na empresa, não tinha tido tempo livre há tanto tempo.
'É tão bom finalmente passar um tempo com minha família,' conversei com minha irmã. Sentamos juntos e ficamos olhando o horizonte.
O dia tava lindo lá fora. O barco saiu do porto e entrou em águas abertas. O vento bateu na nossa pele e eu sorri pra mim mesmo, porque sabia que ia curtir isso. O cheiro do oceano entrou no meu nariz, o sol esquentando minha pele e a mãe nos deu uma garrafa gelada de água de coco pra matar a sede.
Eu não tava mais curtindo isso. Tava cansado de ver água do mar e tava me sentindo enjoado.
Fui pra baixo do deck pro meu quarto e caí na cama. Já tava com saudade do meu escritório e tava com saudade dela.
'Nem devia estar pensando nela, mas por que eu não consigo parar?'
Uma batida na minha porta.
'Entra,' eu falei.
A mãe entrou.
'Ei, você tá bem? Não tá enjoando nem nada?' ela perguntou, preocupada. Ela era uma mãe ótima, sempre cuidando da gente e buscando o nosso melhor.