CAPÍTULO 67
Revirei os olhos. Zenia era time do Evan todo dia. Saí do carro e Zenia, Evan e eu carregamos minhas coisas lá pra cima.
Depois de colocar tudo lá dentro, levei ele pra fora.
"Valeu por tudo. E cuida de você," eu falei pra ele.
"Você também," ele respondeu e desceu as escadas. Eu fiquei olhando enquanto ele entrava no carro e ia embora.
Me acomodei no meu sofá familiar e liguei a televisão. Zenia fez pipoca e sentou do meu lado.
"Como você está?" ela perguntou.
"Tô de boa."
"Você brigou com ele Jassy?"
"Com Evan? Aham."
Assistimos The Parkers até quase meia-noite. Mamãe estava no trabalho. Ela tinha mandado mensagem pra Zenia e dito que ia fazer um plantão duplo, então ia chegar tarde em casa.
"Vou dormir agora," Zenia disse com um bocejo.
"Boa noite."
"Boa noite."
Continuei olhando pra televisão e enfiando a cara na pipoca.
Bateram na porta.
Evan! Pensei na hora. Fui até a porta.
"Quem é?" perguntei. Não estava arriscando nada. Já era quase meia-noite. Essa pessoa devia ter ligado e falado alguma coisa.
Em vez de me responder, bateram de novo.
"QUEM É?" perguntei gritando. Uma sensação ruim me invadiu e minha pele ficou arrepiada na hora. Me afastei da porta e apaguei as luzes. Fui pro meu quarto, tranquei a porta e deitei na cama.
Em algum momento da noite, fui acordada por um barulho de algo quebrando na sala.
"Mamãe?" gritei meio alto, esperando que fosse minha mãe. Peguei meu celular de baixo da cama e olhei as horas. 2:03 da manhã.
Mamãe talvez esteja chegando.
Saí da cama e fui pra sala. Acendendo as luzes, encontrei uma figura que não era minha mãe.
"COMO VOCÊ ENTROU AQUI?!" gritei.
Ele veio pra perto de mim tão rápido que me perguntei se tinha pés ou rodas.
"Você tá grávida do filho do Evan?" a voz dele mandou calafrios nojentos pela minha espinha.
"Não é da sua conta! E quem é você? Como você entrou aqui?! Quero você fora da minha casa!"
"Cala a boca, sua vadia!" ele respondeu na lata e me deu um tapa na cara.
Caí no chão na hora.
"SOCORRO! ZENIA! MAMÃE!" chamei pela minha irmã e pela minha mãe. Duvido que a mamãe já tivesse chegado e a Zenia já tinha apagado.
"Você não vai ter o filho dele!" ele disse e me deu um chute direto na barriga. Senti o ar sair de mim e engasguei pra respirar.
Ouvi o barulho de outra luz sendo acesa.
"JASMINE!" ouvi a voz da Zenia e vi quando ela correu pro porta-facas na ilha da cozinha.
Ele correu pra porta e ouvi o motor de um carro ligando e a voz da minha irmã gritando atrás dele.
"Seu filho da puta! Você não vai escapar dessa!"
Ela veio correndo pra perto de mim. Eu ainda estava encolhida de dor no chão.
"Jasmine, tô ligando pra ambulância e pra polícia agora! Você tá sangrando!"
(esse ponto de vista é da Zenia - irmã da Jasmine)
POV da Zenia
Eu andei na parte de trás da ambulância e ouvi minha irmã gemendo de tanta dor. Eu só conseguia pensar no bebê dentro dela e em como ia ser devastador se acontecesse algo terrível.
Jasmine se adaptou à gravidez e à maternidade que ela ia enfrentar. Dois dias atrás, ela me ligou e disse que era muito grata por me ter como irmã e que tudo estava indo bem com a gravidez dela e como ela conseguia me imaginar sendo uma tia foda pro filho dela.
Sorri com esse pensamento.
A ambulância parou e as portas se abriram. Jasmine foi levada por uma entrada de emergência e eu fui logo atrás dela.
Fui parada por outros médicos e equipe médica quando os segui para uma sala.
"Vai ter que esperar aqui fora, senhora. Ninguém pode entrar nessa sala."
Fui empurrada pra fora da sala antes que as portas trancassem na minha cara.
Fiquei andando pra lá e pra cá pelo corredor até que minha mãe frenética veio correndo até mim.
"Zen! Zen! O que aconteceu? Como ela está?" ela perguntou assustada.
"Alguém invadiu o apartamento. Ainda não sei como ela está," respondi enquanto as lágrimas rolavam pelo meu rosto.
Mamãe me abraçou.
"Que bom que você me ligou. Eu devia ter vindo pra casa mais cedo. Devia ter estado lá," ela disse e eu retribuí o abraço.
"Você ligou pro Hollen Boy?" ela perguntou de novo.
"Liguei, mas não consegui falar com ele, então deixei mensagens. Ele deve estar dormindo," respondi.
Olhei pro celular na minha mão.
2:54 da manhã
Coloquei a mão na testa por causa da dor de cabeça que estava vindo. Estava preocupada com minha irmã e com o bebê. Não ia gostar se acontecesse algo ruim com eles. Soltei um grito alto de frustração e mamãe me colocou pra sentar numa cadeira.
"Respira, Zen. Respira," ela disse pra me acalmar.
Em outro minuto, dois policiais vieram até nós.