CAPÍTULO 6
Ela foi levada correndo pra uma Unidade de Terapia Intensiva, mas minha irmã e eu não podíamos entrar no quarto.
Sentamos nas cadeiras na área de espera, esperando até que um médico nos visse para falar sobre o estado dela. Sabíamos que ela estava no estágio final de DPOC, mas a Mamãe nunca fumou nem usou drogas. Os pulmões dela deveriam estar saudáveis, mas não estavam.
Eu abracei minha irmãzinha forte.
Depois de duas horas e meia, um médico veio falar com a gente.
Era o Doutor Summers.
Nós o reconhecemos de antes e ele também nos reconheceu.
"Filhas da Srta. Blackman, receio ter más notícias", ele começou.
Meu coração parou. Meu corpo ficou dormente e eu nem conseguia ficar em pé. A expressão dele era triste e cheia de pena enquanto olhava pra gente. A Zenia olhou pra ele, lágrimas escorrendo pelo rosto.
"Ai, Deus, o que aconteceu com nossa mãe?" Eu perguntei, temendo o pior, mas esperando que não fosse o pior.
A boca dele tremia para deixar as palavras saírem.
POV da Jasmine
Minha irmã e eu esperamos o ônibus da meia-noite pra voltar pra casa. A noite estava parada, calma e quieta, pelo menos era assim que eu sentia, porque eu fiquei dormente.
"A saúde da sua mãe está em estado crítico. Não podemos fazer mais nada, a menos que ela faça aquele transplante de pulmão. Sem ele, ela só terá três meses de vida, ou menos. Sinto muito".
Essas palavras estavam me assombrando e penduradas nos meus ombros como uma roupa que eu não conseguia tirar. Eu não tinha ideia de como ia conseguir pagar o transplante de pulmão da minha mãe.
Uma quantia de dez mil dólares, mais uma taxa cirúrgica e a taxa da lista. O total dado foi de cem mil dólares.
Eu teria que ganhar na loteria pra conseguir esse tipo de dinheiro.
Eu tinha que pagar as contas e o aluguel do meu apartamento, sustentar e prover a educação da minha irmã, colocar comida na mesa e me sustentar também. Era demais. Eu não sabia o que fazer nem pra onde ir. Minha mãe estava morrendo e eu não podia fazer nada pra salvá-la. Eu não conseguiria arranjar todo aquele dinheiro em três meses ou menos.
Cem mil dólares.
As lágrimas inundaram meus olhos de novo quando entramos no ônibus da meia-noite e encontramos um lugar. Os braços da Zenia rodearam minha cintura.
"Vai ficar tudo bem, mana. Temos que orar. É tudo o que podemos fazer por agora", ela me confortou com os olhos marejados.
Nós amávamos tanto nossa mãe. Ela passou por tudo com a gente desde o nosso primeiro dia nesta terra e fez tudo sozinha. Não tínhamos parentes e nem amigos. Era só minha mãe, minha irmã e eu.
Eu enxuguei minhas lágrimas com a bainha da minha camiseta. Foi naquele momento que percebi o que eu estava vestindo. Eu não tive a chance de trocar por nada decente. Eu estava usando um short surrado e uma camiseta simples que era um pouco grande pra mim porque era da mamãe. Eu estava de havaianas nos pés, minha pedicure estava horrível e parecia que tinha sido feita por uma pessoa cega. Meu cabelo estava despenteado, mas eu não estava nem aí. Era tarde e não havia muitas pessoas no ônibus.
Quando chegamos em casa, me joguei no sofá. O mesmo sofá em que a mamãe estava sentada antes do incidente. Chorei de novo e ali mesmo, adormeci.
Acordei com o telefone tocando. Meu coração pulou várias batidas quando pensei na minha mãe.
E se fosse o hospital com as notícias horríveis que eu nunca estaria preparada pra ouvir?
Eu segurei o telefone com as mãos trêmulas.
O número do meu trabalho apareceu na tela.
Eu soltei um suspiro de alívio.
"Srta. Blackman", a voz dele falou do outro lado.
"Sim, Sr. Hollen", eu respondi, mas não conseguia entender porque ele estava me ligando. Olhei para o relógio na parede; marcava 9h30.
9h30!!!!!!!
9h30!!!!!
Puta merda, eu perdi a hora e já estava atrasada pro trabalho. Ai meu Deus, posso ser demitida por isso. O Sr. Hollen não tolera coisas assim.
"Senhor, eu sinto... muito... muito", eu gaguejei. Eu não podia dizer que perdi a hora, isso não seria algo sensato pra dizer pro chefe mais rígido do mundo.
"Srta. Blackman", a voz dele falou de novo.
"Ai, meu Deus, ele só repetiu meu nome. Estou em apuros. Acho que fui demitida".
"Por que você não está na sua mesa?"
Eu respirei fundo.
"Senhor, minha mãe ficou doente ontem à noite e eu estive no hospital com ela. Cheguei em casa tarde e eu... eu", eu respondi, já me preparando pra resposta dele. A qualquer momento, ele ia me dizer que eu estava demitida.
"Esteja aqui em uma hora", ele disse e desligou.
Eu expirei meu medo.
Eu ainda tinha um emprego.
Levantei do sofá rapidão e corri pro banheiro. Tomei o banho mais rápido feito por um ser humano e vesti um dos meus vestidos formais de trabalho. Era mais fácil entrar num vestido do que numa camisa e calças ou saia. Pentei meu cabelo e peguei meus produtos de maquiagem, ia fazer a maquiagem no ônibus. Peguei as chaves de casa e corri pra fora, trancando a porta atrás de mim.