CAPÍTULO 27
Meu Deus. A dor dela tava, tipo, **literalmente**, virando a minha dor.
Eu limpei uma lágrima pra meus irmãos não verem. Voltei pra minha mesa, enquanto eles ficavam olhando pra mim e pra [Jasmine].
'Ummm, [Evan],' começou a [Emily], 'Que tá pegando, hein?'
'Que que você tá falando?' perguntei.
'Você tá caidinho pela sua assistente,' respondeu o [EJ].
'Quê? Não tô caidinho pela [Jasmine] não. A mãe dela.....'
'Ai, você chama ela pelo primeiro nome. Que fofo,' disse a [Emily] de novo com uma voz de deboche, me cortando.
Eu fechei a cara pra ela.
'Que que tá rolando com a mãe dela, hein? Pareceu sério,' questionou o [EJ].
'Não faço a menor ideia do que tá acontecendo. Tudo que ela me falou foi que a mãe dela tá no hospital e não tá bem,' respondi.
'Tá, mas aquela parada que ela falou antes, que ela vai ter que assinar uns formulários pra dar permissão pro hospital pra... sei lá, desligar alguma coisa.'
'Exato. Desligar a máquina. A mãe dela tá morrendo?' perguntou a [Emily] agora.
Passei a mão no cabelo e fiquei encarando as outras duas caras preocupadas que tavam me olhando.
'[Evan]! Você tem que fazer alguma coisa. Você tem que descobrir o que tá rolando com a mãe dela!' gritou a [Emily].
'Não consigo imaginar a dor de perder a nossa mãe, então não consigo imaginar o que a sua assistente deve estar passando,' disse o [EJ].
'Vou ligar,' falei, puxando o telefone do escritório pra perto de mim e procurando na lista dos hospitais por perto.
O primeiro que eu achei, o Hospital Médico da Rua Saint Street. Era uns três quilômetros da minha empresa.
'Obrigado por ligar para o Saint Street Medical. Como posso ajudar?' respondeu a recepcionista.
'Boa tarde. Sou [Evan] Hollen,' falei.
Ouvi um pequeno choque de surpresa dela.
'Sim, Sr. [Evan] Hollen. Como posso ajudar?' ela perguntou com entusiasmo dessa vez.
'Na verdade, tô ligando pra saber algumas informações sobre uma paciente sob seus cuidados.'
'Qual o nome da paciente?'
'Não sei o primeiro nome dela. Mas sei que o sobrenome é ‘Blackman' e ela tem duas filhas. Uma chamada [Jasmine] Blackman'. Tenho certeza que ela visita sempre.'
'Um momento, Sr. Hollen.' Ela falou antes de me colocar na espera.
'O que ela tá falando?' perguntou a [Emily] impaciente.
'Ela me botou na espera, mas acho que vai me dar a informação.'
'Então eles vão passar informações privadas pra alguém por telefone?' perguntou o [EJ].
'Não 'alguém', como você falou. Mas eles vão fazer isso pro homem mais bonito, mais bem-sucedido, mais rico do mundo. Nosso irmão,' Uma cara de triunfo apareceu na cara da [Emily].
'Sr. Hollen? Você ainda tá aí?' a voz veio de novo no telefone.
'Sim, tô aqui,' respondi.
'O nome da paciente é Susan Blackman. Quarenta e oito anos. A condição dela é Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica em Estágio Terminal, ou DPOC pra abreviar. Ela precisa desesperadamente de um transplante, senão vai morrer.
Consigo ver na tela do meu computador que o tempo de vida dela é de mais duas semanas ou menos.'
Meu sangue gelou.
'Pobre [Jasmine],' pensei.
'Tem como salvar ela de morrer?' perguntei.
'Sim, transplante de pulmão.'
'Então por que não fizeram?'
'Tem uma taxa de dez mil dólares ($10.000,00.) E taxas adicionais pra cirurgias e uma taxa de lista de espera pra botar o nome dela no topo da lista. Tudo vai dar cem mil dólares ($100.000,00).
Não creio que as filhas dela tenham essa grana toda pra fazer esses procedimentos.'
'Obrigado pela informação,' falei.
'De nada.'
Desliguei a ligação.
'E AÍ?' perguntou a [Emily].
'A mãe dela tá morrendo, com certeza. DPOC terminal. Precisa de um transplante de pulmão,' resumi.
'Meu Deus, [Evan]!' a [Emily] começou a chorar.
O [EJ] abraçou ela.
A [Emily] sempre foi um desastre emocional.
Cuidado, não chama a [Emily] pra sua casa se você tá mal, mas quer se recuperar, a [Emily] só vai te fazer chorar mais.
'Você vai fazer alguma coisa, [Evan]?' o [EJ] perguntou, ainda abraçando a nossa irmã.
Eu balancei a cabeça que sim, 'Vou transferir a grana hoje.'
'Não vou deixar a minha futura sogra morrer,' disse meu eu interior.
'Vamo lá, gente, vamo embora daqui,' falei, levantando da cadeira e ajeitando meu terno.
'Você não vai ficar pra terminar o seu trabalho?' perguntou a [Emily] em meio às lágrimas.
'Vantagens de ser o chefe. Ajeita a cara e vamo. Eu resolvo tudo,' falei pra ela.
Ela levantou e sumiu no meu banheiro correndo.
'Mulheres,' [EJ] brincou.
POV da [Jasmine]
Eu assinei os papéis de permissão com as mãos tremendo. Não conseguia nem segurar a caneta pra assinar meu nome direito.
Entreguei os documentos de volta pra Dra. Shannon depois de ler com cuidado e assinar meu nome na linha pontilhada. Passei a mão no cabelo e cobri o rosto com as palmas das mãos enquanto soluçava baixinho nelas.