Capítulo 11: Subterrâneo
🚨 SE eu tivesse a lâmpada do Aladdin agora, ia pedir pro gênio banir aquele Linus pro resto da vida dele. Ou talvez só transformar ele em purê de laranja e eu ia esmagar até sumir.
Eu nunca achei que as coisas iam piorar tanto depois que eu conheci aquele cara. Primeiro, ele revirou os olhos pra mim. Depois, falou comigo cheio de arrogância, e ainda piscou pra mim outro dia, que quase me deu insônia, porque a cena não saía da minha cabeça.
Ah, como eu queria que o chão me engolisse na aula da Sra. Ether. Aquela redação é uma maldição, e ainda ter que aguentar o Linus é o fim.
Ele faltou!
A entrega da redação era hoje, e ele teve a audácia de faltar?
Eu sei, tenho que ser paciente e ser compreensiva, porque não sei o que aconteceu com ele, nem o que ele faz, por que ele falta. Pode ser que ele esteja doente ou sei lá, mas porra, ele podia ter me avisado.
Como é que ele ia te avisar? Perguntou um canto da minha mente.
É! Droga!
Mas mesmo assim, preciso descobrir e perguntar pra ele por que ele faltou.
A Universidade Chanter é enorme, mas eu tenho o nome dele, isso já ajuda.
Comecei a ir em direção ao dormitório dos meninos, à esquerda do nosso dormitório. Mas não tinha nenhum Linus lá.
Punho cerrado, dentes cerrados, passos pesados, e uma fumaça invisível saindo do meu nariz, fui andando por dormitório por dormitório, tentando e esperando encontrar aquele cara. Pra minha decepção, ele não estava em nenhum deles.
Parei no dormitório onde a Nena mora e perguntei pra alguém se ela tinha visto a Nena.
"Ela foi assistir o 'Underground'", ela respondeu.
Uma ruga apareceu na minha testa e eu falei, "Underground?"
"É, onde tem as lutas underground", ela respondeu, e olhou pro relógio de pulso, "Já são quase seis horas, o evento principal começa em um minuto", ela adicionou.
Eu não sei por que, mas perguntei onde eu podia achar esse tal de Underground.
"No final daquela rua", ela respondeu e apontou pra rua perto da ala oeste da Universidade Chanter. "Quando você vir o prédio chamado Palace, é só virar à esquerda que você encontra."
"Valeu", eu respondi e fui andando em direção à rua. É um pouco longe, mas o que mais eu posso fazer? Não tenho carro.
Eu estava procurando o Linus, mas acabei indo onde a Nena tava.
Já estava quase chegando quando meus olhos brilharam de surpresa ao ver a vista enorme do prédio chamado The Palace.
Nossa, que coisa. A estrutura moderna do prédio é tipo aqueles arranha-céus da cidade. Paredes grossas, janelas brilhantes — parece um condomínio. Sério? Um prédio tão bem construído dentro da U.C.?
Nossa, que sorte essas pessoas que moram lá. Devem ser os herdeiros ou herdeiras daqueles homens poderosos que estão envolvidos com negócios, política, etc.
Balancei a cabeça enquanto me perguntava onde esse tal de Underground podia estar. Comecei a virar à esquerda, mas não vi nenhum outro prédio além daquele The Palace enorme. Meus olhos correram pelo térreo daquele prédio, mas não consegui ver o que tinha lá dentro. Talvez carros?
Continuei andando até que vi o Underground, literalmente underground, porque você precisava descer as escadas. Segurei no corrimão frio e de aço inoxidável enquanto descia degrau por degrau. A atmosfera estranha me deu calafrios.
Por que a área está vazia? Então, de repente, a voz da garota do dormitório da Nena ecoou na minha cabeça, Luta Underground. Evento principal.
A escola permite esse tipo de esporte? É perigoso.
Um corredor escuro me deu as boas-vindas. Minha visão começou a se ajustar. Eu me arrepiei. É assustador aqui dentro. Mas não é o ambiente que mais me assusta, são as vozes gritando que vêm de algum lugar.
Engoli em seco e comecei a andar, seguindo aquelas vozes. Não tinha outro jeito de entrar lá, então, eu só segui até uma abertura me dar as boas-vindas, cega pelas luzes que vinham de dentro.
Lá dentro, tinha gente batendo palmas, gritando nomes, mas o que me pegou e me fez ficar chocada foi o ringue dentro de uma jaula de ferro. O locutor pergunta pro povo se eles estão prontos pro evento principal.
Então é aqui que o resto dos alunos da U.C. passa o tempo?
Eu estava quase indo em frente quando apareceram dois bombados, bem, é como eu descrevo eles por causa da sua física. Eles são tipo seguranças de boate.
"Diga qual é o seu negócio —"
"Becca?" uma voz chamou meu nome na multidão.
Levantei a cabeça quando ela repetiu meu nome. E lá estava a Nena descendo da arquibancada.
"O que você tá fazendo aqui?", ela perguntou, um pouco alto, por causa da música alta e aqueles gritos.
Ela começou a falar com os dois homens, dizendo que eu sou amiga dela. Então, eles me deixaram entrar.
A Nena pegou na minha mão e me puxou, e foi andando de volta pro seu lugar.
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Quando sentamos, ela começou a fazer uma sequência de perguntas. "Como você soube e achou esse lugar? Você não tem trabalho? Por que você tá aqui?"
"Eu tô procurando o Linus", eu respondi, na hora.
Os olhos dela arregalaram e ela gritou. "Nossa, você tá no lugar certo!", ela exclamou.
"O quê?"
"Olha", ela disse, e virou os olhos pro centro, onde um cara está entrando — "Linus?"
"Correto. Mas ele é o L quando ele tá nesse lugar. Se você quer saber, eu descobri hoje à tarde com meu Tio Flavio. Por isso que eu vim pra cá", ela disse de forma sedutora.
"Droga de Linus!", eu exclamei. Não me importo se alguém me ouvir. Minha raiva já tá incontrolável.
Confusão estampada na cara da Nena. "Ah… é por causa da sua redação?"
Eu só balancei a cabeça.
"Não se preocupa, é só uma redação, não é uma prova nem nada."
"Você não entende. Tudo importa pra mim quando se trata da minha educação."
"Ok. Relaxa. Respira", ela disse enquanto acariciava minhas costas. "Você não tem trabalho?", ela perguntou.
"Matei", eu respondi.
"A Reina sabe?"
"Não. Ela ainda não está em casa. Por isso que eu decidi achar aquele cara que por acaso ia lutar dentro daquele ringue", eu respondi enquanto fixava meus olhos furiosos nele.
A Nena bateu no meu ombro. "Vamos só assistir ele lutar por enquanto, beleza? Conta pra ele o seu problema quando ele terminar essa luta", ela disse, tentando me acalmar. "É o evento principal, de qualquer jeito."
Cruzei os braços. "Eu não ligo", eu falei.
Ela só riu e balançou a cabeça. O que mais eu posso fazer? Parece que vou ter que esperar ele terminar a luta.
Como eu queria que ele perdesse!